Tânia Monteiro
O
governo está preocupado com a greve na Bahia, pois teme a contaminação
de outros Estados pelo efeito dominó do movimento. Tanto é que a
presidente Dilma Rousseff informou ao governador Jaques Wagner (PT) que,
se ele precisar, terá reforços das tropas do Exército, da Polícia
Federal e da Força Nacional de Segurança (FNS), enviadas à Bahia para
conter o movimento grevista da PM.
Também é grande a preocupação
do Palácio do Planalto quanto a um conflito entre as várias forças. Nos
comandos militares, a impressão é de que os PMs já sabem que o movimento
não deu certo e perderam a guerra da comunicação, visto que começaram a
ser identificados com baderneiros, alguns suspeitos de estarem
envolvidos nos atos de violência e de saques. Mas vão buscar uma saída
honrosa, uma tentativa de evitar que sejam enquadrados no Código Penal.
No
governo há também uma preocupação com a possibilidade de que políticos
comecem a levar aos quartéis das PMs Brasil afora pregação a favor da
votação da PEC 300. Tanto é que o líder do governo na Câmara, Cândido
Vaccarezza (PT-SP), apressou-se ontem a dizer que a greve na Bahia não
tem nada a ver com a emenda. 'É preciso entender que a melhoria da
segurança pública está muito além de uma questão salarial. Não dá para
fazer greve de arma na mão.'
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