quinta-feira, 17 de maio de 2012

B.H: Com cidade em obras, trânsito rouba quase duas horas diárias

Sem saída
Publicado no Jornal OTEMPO em 17/05/2012

JOANA SUAREZ
Quem circula pelos principais corredores de trânsito de Belo Horizonte tem a impressão de estar imerso num gigantesco canteiro de obras. Com intervenções de grande porte que atingem todas as nove regionais da cidade, sobra pouco espaço para que ônibus e carros circulem. As principais intervenções acontecem nas avenidas Antônio Carlos, Cristiano Machado, Pedro I, Santos Dumont e na Tereza Cristina. A maioria delas é para implantação do BRT (Transporte Rápido por Ônibus) e só tem previsão de conclusão a partir de 2013.
Mesmo com os benefícios que poderão trazer no futuro, o resultado de tantas obras grandes ao mesmo tempo é o trânsito cada vez mais lento e muito mais tempo gasto no trajeto de ida e volta para o trabalho. A reportagem de O TEMPO saiu às ruas ontem e ouviu queixas de motoristas. Alguns contam que estão perdendo quase duas horas diárias no trânsito desde que as obras começaram.
Nas empresas de ônibus que têm linhas que passam pelas avenidas Cristiano Machado e Tereza Cristina, onde há estreitamento de pista, a constatação é a mesma. Com congestionamentos diários, os coletivos já não cumprem mais o tempo de viagem previsto. Alguns percursos têm sido feito com até 50 minutos a mais que o tempo normal. "Estamos atrasando praticamente todas as viagens por causa das obras na Cristiano Machado", disse o auxiliar de tráfego da Sagrada Família Ônibus, Eduardo Anício.
Segundo a coordenadora de dados da Salvadora Empresa de Transporte, Edna Politi, a linha 4033, que passa pela Tereza Cristina, gasta atualmente 40 minutos a mais numa única viagem, principalmente no horário de pico.
O enfermeiro Marcelo Ribeiro, 30, que passa pela avenida Cristiano Machado todos os dias no caminho para o trabalho, conta que antes das obras do BRT gastava 20 minutos do bairro Cidade Nova, na região Nordeste, ao centro da cidade. Hoje, ele gasta cerca de 50 minutos, num trecho de apenas 6 km. "Não vejo a hora de essa obra acabar. Está terrível".
Para o perito e especialista de trânsito da Polícia Técnico-Científica, Marco Paiva, o problema é que as obras estão sendo feitas todas ao mesmo tempo, sem planejamento. "Tudo que a prefeitura não fez nos últimos anos resolveu fazer de uma só vez. Ninguém faz uma reforma na casa inteira. Qualquer hora a cidade vai parar".
O secretário de Obras e Infraestrutura, Murilo Valadares, explicou que as obras tiveram que ser feitas de uma só vez porque os recursos liberados pelo governo federal são para que tudo fique pronto antes da Copa de 2014. "Antes não tínhamos recurso. Mas tudo foi planejado para tentar minimizar os transtornos e ter uma cidade com um transporte melhor em breve".
Capacidade de via está no limite
O tenente-coronel Roberto Lemos, que comanda o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, disse que os grandes corredores de tráfego da cidade estão com a capacidade limitada. Grande parte dos problemas, segundo ele, é causada pela quantidade de obras em execução ao mesmo tempo. "Ficamos muito tempo sem obras e elas precisavam acontecer agora. Mas, por isso, as vias estão com a capacidade limitada e o fluxo é cada vez maior".
A avenida Amazonas, conforme o comandante, é uma das que mais têm registrado reflexos das obras porque está recebendo parte do fluxo da avenida Tereza Cristina, também parcialmente interditada por causa de intervenções. (JS)

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