Iguarias
Em
diversos países do mundo, mais de 2.000 espécies de insetos são usadas
como alimento humano. No Brasil, ainda não existe uma regulamentação que
defina parâmetros para a criação desses pequenos animais para consumo
humano. Contudo, a cultura alimentar do país pode ganhar, em breve,
essas iguarias.
Uma empresa especializada em produção de insetos para consumo animal, com sede em Betim, em Minas Gerais, já entrou com um pedido de diretrizes no Ministério da Agricultura para a produção com fins de consumo humano. Segundo o zootecnista Gilberto Schickler, empresário da Nutrinsecta, o órgão já instruiu a firma com relação às regras que devem ser seguidas. Os investimentos para dar início à nova produção, diz, devem ser iniciados em 2013. "A ideia é produzir pequenos pacotes de iguarias, como os que já são vendidos industrialmente em diversos países", afirma o empresário.
Se a produção da Nutrinsecta for aprovada, a empresa pretende abrir o primeiro restaurante do país a ter insetos no cardápio. O espaço será construído ao lado da produção de insetos, dentro do Parque Vale Verde, em Betim.
Nos Estados Unidos, por exemplo, vários tipos de insetos são vendidos como aperitivos, para saborear enquanto se toma uma cerveja ou como lanchinhos de bolso. Além disso, restaurantes ingleses e holandeses já oferecem bombons de grilos e macarrão ao molho de tenébrios gigantes.
Fome. Segundo Arnold van Huis, professor do Laboratório de Entomologia da Universidade de Wageningen, nos Países Baixos, é um engano imaginar que só comem insetos sociedades que passam fome. Na maioria dos países entomofágicos - que têm insetos na alimentação -, esses pratos são servidos como verdadeiras iguarias, tanto salgadas quanto doces.
Para o professor Van Huis, a alimentação à base de insetos, ao contrário do que o mundo ocidental acredita, não é um hábito do passado, mas uma projeção do futuro.
A ideia do consumo humano não é nova, mas ainda não é bem-aceita no mundo ocidental. Schickler explica que o projeto de montar a produção para consumo humano só foi colocado no papel após o empreendimento ser apontado em um simpósio acadêmico da Universidade de Feira de Santana, na Bahia, como uma possibilidade de futuro sustentável.
Para o zootecnista, a iniciativa não é só um investimento comercial, mas também um projeto sustentável. "A produção de insetos ocupa pouco espaço e requer menos recursos (água e alimento) que a pecuária, por exemplo. Além disso, os insetos têm alto valor proteico, o que poderia substituir parte da proteína consumida da carne animal", explica Schickler.
Crocante. Para o gastrônomo e chef de cozinha João Bertolotti, a iniciativa requer uma abertura cultural por parte dos brasileiros. "Quando pensamos em comer insetos, até fazemos cara feia. Mas, na realidade, pratos feitos com essa iguaria devem ser deliciosos", afirma. O gastrônomo explica que essa realidade não é tão distante assim dos brasileiros. "A bem da verdade, no interior de Minas Gerais, já há muitos anos, usa-se bunda de formiga tanajura para incrementar a farofa".
Uma empresa especializada em produção de insetos para consumo animal, com sede em Betim, em Minas Gerais, já entrou com um pedido de diretrizes no Ministério da Agricultura para a produção com fins de consumo humano. Segundo o zootecnista Gilberto Schickler, empresário da Nutrinsecta, o órgão já instruiu a firma com relação às regras que devem ser seguidas. Os investimentos para dar início à nova produção, diz, devem ser iniciados em 2013. "A ideia é produzir pequenos pacotes de iguarias, como os que já são vendidos industrialmente em diversos países", afirma o empresário.
Se a produção da Nutrinsecta for aprovada, a empresa pretende abrir o primeiro restaurante do país a ter insetos no cardápio. O espaço será construído ao lado da produção de insetos, dentro do Parque Vale Verde, em Betim.
Nos Estados Unidos, por exemplo, vários tipos de insetos são vendidos como aperitivos, para saborear enquanto se toma uma cerveja ou como lanchinhos de bolso. Além disso, restaurantes ingleses e holandeses já oferecem bombons de grilos e macarrão ao molho de tenébrios gigantes.
Fome. Segundo Arnold van Huis, professor do Laboratório de Entomologia da Universidade de Wageningen, nos Países Baixos, é um engano imaginar que só comem insetos sociedades que passam fome. Na maioria dos países entomofágicos - que têm insetos na alimentação -, esses pratos são servidos como verdadeiras iguarias, tanto salgadas quanto doces.
Para o professor Van Huis, a alimentação à base de insetos, ao contrário do que o mundo ocidental acredita, não é um hábito do passado, mas uma projeção do futuro.
A ideia do consumo humano não é nova, mas ainda não é bem-aceita no mundo ocidental. Schickler explica que o projeto de montar a produção para consumo humano só foi colocado no papel após o empreendimento ser apontado em um simpósio acadêmico da Universidade de Feira de Santana, na Bahia, como uma possibilidade de futuro sustentável.
Para o zootecnista, a iniciativa não é só um investimento comercial, mas também um projeto sustentável. "A produção de insetos ocupa pouco espaço e requer menos recursos (água e alimento) que a pecuária, por exemplo. Além disso, os insetos têm alto valor proteico, o que poderia substituir parte da proteína consumida da carne animal", explica Schickler.
Crocante. Para o gastrônomo e chef de cozinha João Bertolotti, a iniciativa requer uma abertura cultural por parte dos brasileiros. "Quando pensamos em comer insetos, até fazemos cara feia. Mas, na realidade, pratos feitos com essa iguaria devem ser deliciosos", afirma. O gastrônomo explica que essa realidade não é tão distante assim dos brasileiros. "A bem da verdade, no interior de Minas Gerais, já há muitos anos, usa-se bunda de formiga tanajura para incrementar a farofa".
Minientrevista
"Não se comem insetos por causa da fome."
Arnold Van Huis
Especialista em alimentação com insetos
Professor da Universidade de Wageningen, nos Países Baixos
De onde vem a preocupação com a substituição da carne animal?Há uma projeção que indica que, até 2050, o mundo terá sua produção de carne inflacionada. A carne se tornará um artigo de luxo. Cerca de 70% de todo o espaço disponível para a agricultura já está sendo usado para a criação de animais. Além disso, a expectativa é que a demanda por carne animal aumente entre 70% e 80% até 2050.
Quais são algumas das vantagens da alimentação com insetos? A criação de animais para consumo doméstico produz cerca de 15% dos gases causadores do efeito estufa. Os insetos não poluem absolutamente nada. Eles podem substituir praticamente todos os tipos de proteína animal que consumimos atualmente. (LA)
Especialista em alimentação com insetos
Professor da Universidade de Wageningen, nos Países Baixos
De onde vem a preocupação com a substituição da carne animal?Há uma projeção que indica que, até 2050, o mundo terá sua produção de carne inflacionada. A carne se tornará um artigo de luxo. Cerca de 70% de todo o espaço disponível para a agricultura já está sendo usado para a criação de animais. Além disso, a expectativa é que a demanda por carne animal aumente entre 70% e 80% até 2050.
Quais são algumas das vantagens da alimentação com insetos? A criação de animais para consumo doméstico produz cerca de 15% dos gases causadores do efeito estufa. Os insetos não poluem absolutamente nada. Eles podem substituir praticamente todos os tipos de proteína animal que consumimos atualmente. (LA)


Nenhum comentário:
Postar um comentário