Atualizado: 14/5/2012 12:43
O
Financial Times é mais um veículo de comunicação estrangeiro a
interpretar a queda recente do real como uma 'vitória' do governo
brasileiro na disputa que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou
de 'guerra cambial'.
O texto intitulado 'Brasília brinda a queda
do real' diz que, para Mantega, a semana passada foi 'o ponto culminante
após 18 meses de trabalho' para depreciar a moeda brasileira.
Agora,
a questão não é mais se o governo consegue desvalorizar o real, e sim
até que ponto ele vai permitir essa queda, uma vez que esse movimento
aumenta o risco de inflação.
O dólar chegou a ser cotado a R$ 1,54
em julho do ano passado, quando a taxa básica de juros estava em 12,5%
ao ano. Na última sexta-feira, a moeda americana atingiu R$ 1,956, uma
alta de 27%. Atualmente, o juro básico está em 9% ao ano.
A
reportagem do jornal britânico atribui essa variação cambial à
perspectiva de fraco crescimento no Brasil e no mundo e à queda das
taxas de juros no País.
Outros veículos internacionais de
comunicação comentaram recentemente as medidas do governo e seu impacto
no câmbio. O Wall Street Journal afirmou já em março que o governo
brasileiro havia vencido 'o primeiro round' da 'guerra cambial'. A
Bloomberg notou que os investidores internacionais 'se renderam' às
medidas do governo para depreciar o real e decidiram retirar dinheiro do
País.
A respeito da política cambial e da inflação no Brasil, veja o que disseram analistas consultados pelo Financial Times:
'O
debate é se o câmbio vai elevar a inflação por meio do efeito
pass-through. [...] Eles [o Banco Central] têm objetivos demais. Querem
uma moeda mais fraca para estimular a indústria, mas querem cortar juros
ao mesmo tempo e manter a inflação dentro da meta. Alguma coisa terá
que ceder.'
Flavia Cattan-Naslausky, do Royal Bank of Scotland. O
chamado efeito pass-through é o repasse da variação cambial para os
preços dos produtos de um país.
'Há um crescente coro das autoridades da área financeira sugerindo que o atual nível do real já beneficia a indústria local.'
Nick Chamie, do Royal Bank of Canadá.
'Nós
esperamos que a taxa de câmbio fique entre R$ 1,85 e R$ 2. Níveis acima
de R$ 2 poderiam gerar preocupações com o efeito pass-through que, em
meio a cortes agressivos de juros, intensificariam o medo de inflação
quando o País recuperar o crescimento econômico.'
Banco Crédit Agricole, em relatório.
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