terça-feira, 15 de maio de 2012

Sem polícia, terminal é alvo de bandido


Há dois anos sem a presença de militares, rodoviária de Governador Valadares vive onda de assaltos
LEONARDO MORAIS
rodoviaria gv
Posto da PM que funcionava no interior da rodoviária foi desativado em 2009

GOVERNADOR VALADARES – Sem a presença de policiais militares há dois anos, a rodoviária de Governador Valadares, no Leste de Minas, virou alvo de bandidos e agenciadores do transporte clandestino. Nos últimos dois meses, cinco funcionários foram agredidos quando tentavam impedir a entrada de suspeitos no setor de embarque e desembarque. Na administração do terminal, também há registros de furtos ocorridos nas lojas.

Segundo o diretor da Ibituruna Administração de Terminais (Ibicon), Elgen Machado Júnior, até 2009 havia um espaço reservado para policiais no local. Os militares faziam o patrulhamento do terminal durante todo o dia. Até mesmo uma cela existia. “Os militares foram retirados quando foi inaugurado um posto policial na Praça dos Pioneiros, que fica a 800 metros da rodoviária”.

Atualmente, a segurança do espaço, que recebe entre 50 mil e 80 mil pessoas por mês, é feita por vigilantes particulares, que não usam armas de fogo. “Recentemente, um homem que era procurado em três estados por crime de latrocínio (roubo seguido de morte) foi detido quando tentava embarcar. A rodoviária é a porta de entrada e saída de Valadares”, reclama.


No fim do ano passado, um bar que funciona no primeiro andar da rodoviária foi arrombado. Os bandidos levaram parte da mercadoria. Para tentar impedir a entrada de estranhos, a portaria principal passou a ser fechada após as 22h. Devido às constantes agressões, quatro funcionários pediram demissão no mês passado. “Ninguém quer trabalhar à noite. Todos estão com medo. Falta segurança”, acrescenta Júnior.

O porteiro Roger Rocha, de 23 anos, integra a lista dos funcionários agredidos enquanto trabalhava na segurança da rodoviária. Ele foi atacado quando pedia a um rapaz que colocasse a camisa, antes de ter acesso à plataforma de embarque e desembarque. “Levei um soco no rosto. Por sorte, não aconteceu mais nada”, disse o porteiro.

A dona de casa Cecília Moreira Campos, de 45 anos, mora em Vitória (ES), mas, pelo menos uma vez por mês, viaja até Valadares para visitar os seus parentes. Ela conta que evita usar a rodoviária à noite, pois tem medo de ser assaltada. “Já fui abordada na saída do terminal por um jovem, que veio pedir dinheiro. A sorte é que apareceu um senhor e espantou o rapaz. O pior é que não havia policiais por perto”, desabafou Cecília.


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