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RELATÓRIO DATADO DE SETEMBRO DE 1971, E PRODUZIDO PELO ÓRGÃO DE INFORMAÇÕES EXTINTO DEPOIS DO REGIME AUTORITÁRIO, AFIRMA QUE FOI ENCONTRADO NA BOLSA DE IARA IAVELBERG, ÚLTIMA COMPANHEIRA DE CARLOS LAMARCA, UMA CARTEIRA DE IDENTIDADE FALSA USADA POR DILMA VANA ROUSSEF
Minas 247 - Um
documento que faz parte do acervo do Arquivo Nacional mostra detalhes
da operação que resultou na morte de Iara Iavelberg, psicóloga e
companheira do ex-capitão Carlos Lamarca. Em um trecho do relatório é
revelado que na bolsa de Iara foi encontrado uma carteira de identidade,
do então estado da Guanabara, em nome de Maria Lúcia dos Santos. Esse
seria um codinome usado pela atual presidente Dilma Rousseff.
Parentes
de Iara afirmam ser muito pouco provável que a versão do SNI seja
verdadeira, pois Dilma e Iara, embora amigas, militavam em organizações
diferentes. O documento afirma ainda que Iara Iavelberg suicidou-se com
um “tiro em si”. Em 2003, a família da psicóloga conseguiu a exumação do
corpo e provou que ela foi assassinada.
Confira a reportagem do jornalista Josie Jerônimo, do jornal Estado de Minas
Um
documento da agência de Salvador (BA) do Serviço Nacional de Informação
(SNI), de setembro de 1971, detalha a operação que resultou na morte de
Iara Iavelberg e registra que a psicóloga e última companheira do
ex-capitão Carlos Lamarca trazia na bolsa, no dia de sua morte, uma das
carteiras de identidade falsas usada por Dilma Vana Rousseff durante a
ditadura. De acordo com o relatório, que faz parte do acervo do Arquivo
Nacional, aberto ao público desde a semana passada, ao revistar os
pertences de Iara os agentes que participaram da Operação Pajussara, no
Bairro Pituba, em Salvador, encontraram o documento e pediram
informações sobre o nome “Maria Lúcia dos Santos” à Agência Rio de
Janeiro (ARJ) do SNI.
A agência
respondeu que o registro era de Dilma, conforme trecho do documento:
“Ela (Iara) deu um tiro em si, vindo a falecer a caminho do hospital. Em
sua bolsa foi encontrada a carteira de identidade da Guanabara
(possivelmente falsa) de Maria Lúcia Ribeiro dos Santos.(…) Quanto a
Maria Lúcia Ribeiro dos Santos, consta Maria Lúcia dos Santos, nome
falso de Dilma Vana Rousseff Linhares, codinomes Luiza, Estela e Maria
Lúcia, filha de Pedro Rousseff e Dilma Rousseff, natural de Belo
Horizonte, casada com Cláudio Galeno Linhares. Pertenceu à CMP, ao
Colina e à Var-Palmares, constituindo como presa desde junho de 1970.”
Documentos
do SNI registram que Dilma teria usado identidade falsa com o nome de
Marina Guimarães Garcia de Castro, além do de Maria Lúcia dos Santos. Os
codinomes Estela, Wanda e Luiza também constam nos registros. O
relatório do SNI aponta que 40 homens foram mobilizados para localizar
Lamarca e que militantes de outros estados, que teriam alguma relação
com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) ou com o ex-capitão,
foram monitorados para dar pistas do esconderijo do guerrilheiro morto
menos de um mês depois de Iara. “Desde julho, o Codi vinha monitorando
atividades de elementos subversivos não somente da área como de outras,
vindas da Guanabara, Goiás e São Paulo”, traz o documento.
Irmão de
Iara, o jornalista Samuel Iavelberg confirma a amizade entre Dilma e a
psicóloga, mas acha improvável que ela estivesse carregando algum
documento que a ligasse a outra organização. “Não tinham condições de
ser muito amigas, porque viviam na clandestinidade, mas eram amigas. Ela
foi desse grupo que saiu da Var-Palmares, a Dilma continuou, elas se
conheciam. A Dilma já deu declarações sobre ela. Dificilmente essa
versão é verdadeira (sobre a carteira de identidade falsa com nome usado
por Dilma). Quando Iara caiu, elas militavam em organizações
diferentes. Era contra a norma de segurança andar com carteira de
identidade de pessoas do outro grupo”, afirma Samuel.
Nilmário
Miranda, secretário de Direitos Humanos no governo Luiz Inácio Lula da
Silva, também questiona a versão do documento do SNI. “É improvável que
Iara carregasse um documento de Dilma quando foi morta, porque quando
isso aconteceu Dilma estava presa fazia um ano.”
A farsa do suicídio
Os
registros da agência de Salvador do SNI repetem a versão de suicídio de
Iara Iavelberg, derrubada pela família da psicóloga, que conseguiu na
Justiça, em 2003, o direito à exumação do corpo para realizar laudo
pericial comprovando o homicídio, ocorrido dentro de um apartamento na
Rua Minas Gerais, na Pituba, em Salvador. Nos relatos policiais, os
agentes envolvidos na operação tentam explicar a morte da psicóloga, mas
se contradizem ao confirmar que ela disse “Eu me entrego” e que a
vítima havia sido transportada até um hospital em carro particular,
deixando claro que as autoridades não prestaram socorro após o suposto
incidente.
“Observou-se
também que o gás não estava agindo no interior do sanitário. Usa-se
então o lançador de granada inerte, que permite apenas furar o
basculante. Logo a seguir ouve-se uma voz feminina dizendo ‘Eu me
entrego’. Aguardou-se qualquer movimento da porta durante cinco minutos,
mas nada aconteceu. (…) Aguardou-se novamente mais um minuto, quando
ouviu-se um estampido vindo do interior do sanitário, o agente Emanuel
abriu logo a porta, encontrando o corpo de uma moça perdendo sangue,
caído sobre o vaso sanitário e um revólver calibre .38 caído no chão. O
coronel Luiz Arthur e os agentes Veras e Vilas Boas puxaram o corpo para
dentro do quarto, notando-se o orifício de um tiro exatamente na altura
do coração”, registraram os agentes, descrevendo a morte de Iara em 20
de agosto de 1971, aos 27 anos.
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