quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O risco do vírus ebola

Editorial
Jornal Hoje em Dia
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12/11/2015



























Após o desastre da mineração em Mariana, Minas Gerais vive mais um acontecimento nefasto. Um homem que chegou recentemente da África ocidental foi internado com suspeita de estar contaminado com o mortal vírus ebola. Mesmo ainda sem a confirmação da enfermidade, foi notável o despreparo da equipe que atendeu o paciente na Unidade de Pronto Atendimento da Pampulha, conforme constatou a reportagem do Hoje em Dia.

O ebola é um vírus furtivo. Não é transmitido pelo ar, mas sim por meio do contato com sangue, secreções ou outros fluidos corpóreos de uma pessoa infectada. Segundo a organização não governamental internacional Médicos Sem Fronteiras, instituição pioneira no combate ao ebola na África, os sintomas podem aparecer de 2 a 21 dias após a exposição ao vírus.

Se não for tratado, o paciente morre em poucos dias. Na epidemia ocorrida em três países do Leste da África a partir de dezembro de 2013, pelo menos 5.500 pessoas foram a óbito. Mas na Guiné, Libéria e Serra Leoa, onde muitos povoados estão encravados em meio às florestas, muitas vítimas seguramente não foram notificadas.

Nesse ataque do vírus, muitas das pessoas que morreram contaminadas pertenciam às equipes de saúde, sobretudo médicos e enfermeiros, porque, nesses países, de condições muito precárias, elas mantinham contato próximo com os doentes sem o uso de luvas, máscaras ou óculos de proteção. Como relataram à reportagem funcionários do posto de saúde na Pampulha, nenhuma dessas medidas foi tomada.

O homem sob suspeita, de 46 anos, chegou há cerca de uma semana de Gâmbia, um minúsculo país, com a metade da área do Estado de Sergipe e uma população menor que a de Belo Horizonte, e literalmente cercado pelo território do Senegal. O Senegal faz fronteira com a Guiné, onde começou a epidemia de 2013. O trânsito de pessoas nessa região, sobretudo de pequenos comerciantes, é intenso, possibilitando a disseminação do vírus.

É claro que não se pode culpar os funcionários do posto de saúde por qualquer atitude mais precipitada, já que o Brasil nunca teve registro confirmado da presença do vírus. Mas, pela procedência do paciente sob suspeita, era de se esperar que um mínimo fosse feito para garantir a segurança das equipes e dos usuários do posto.

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