quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Chuvas já tiram a necessidade de bandeira vermelha na tarifa da Energia Elétrica

Com reservatórios das hidrelétricas cheios, térmicas poderiam ser desligadas e conta aliviada

PARAGUAY-BRAZIL-ITAIPU
Muita água. Hidrelétrica de Itaipu transborda no Paraná; o preço de sua energia está em queda
PUBLICADO EM 20/01/16 - 04h00
Quem vê os reservatórios das hidrelétricas se enchendo com as chuvas no Sudeste se pergunta quando a geração de energia no país vai se estabilizar para que a bandeira tarifária vermelha deixe de ser necessária e, finalmente, as tarifas de energia elétrica comecem a cair. Para o especialista Luis Gameiro, diretor da Trade Energy, esse momento já chegou. “Não há justificativa para a manutenção da bandeira vermelha nas tarifas de energia elétrica. Em janeiro (de 2016) já não era para ter tido”, avalia. Ele explica que o preço da energia no mercado de curto prazo (spot) está com valor mínimo de R$ 30 o megawatt (MW), o que já permite parar de gerar energia pelas térmicas apenas por segurança.
A bandeira vermelha existe para pagar a diferença de custo de geração da energia pelas termoelétricas que é maior do que o custo da geração pelas hidrelétricas. Segundo Gameiro, as térmicas despacham 8.500 MW médios para o sistema interligado nacional “fora da ordem de mérito”, ou seja, por garantia. “Acredito que esse despacho permanece por decisão política, por medo do fantasma do racionamento”, diz. Para ele, a bandeira vermelha poderia ser abandonada “de imediato”. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), divulgará no dia 29, qual será a bandeira tarifária de fevereiro.
Já o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite, lembra que a situação dos reservatórios do Nordeste pode dificultar a decisão da Aneel de liberar a bandeira vermelha. Os principais reservatórios da região estão em 6,67% de sua capacidade. Porém, Leite confirma a expectativa do mercado de que a bandeira verde seja adotada pelo menos a partir de março, após o período chuvoso. “Nossa expectativa é que no final do período chuvoso, todas as térmicas sejam desligadas”, afirma. Além disso, os reservatórios do Sudeste estão se recompondo. Em Furnas, o volume já está em 39% e estava, há cerca de um ano atrás, em 10,3%. A Cemig também comemora a cheia de seus reservatórios. Em um ano, Camargos passou de 20% para 42%, Emborcação de 15% para 34% e Queimado de 7% para 33%. Por outro lado, o reservatório de Igarapé, no Norte de Minas, passou de 30% para 9% de sua capacidade. “Uma avaliação se o período chuvoso de 2016 será melhor ou pior do que o passado ainda é precoce. Mas é uma boa notícia que esteja chovendo no Sudeste porque os reservatórios da região são importantes para o sistema nacional”, afirma o engenheiro de planejamento energético da Cemig, Ivan Sérgio Carneiro.
A Aneel afirmou por meio de nota que para decidir sobre a bandeira tarifária de fevereiro “é preciso aguardar as condições meteorológicas em todo país”.
Bandeira intermediária é descartada por setor

A bandeira vermelha adotada hoje pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve ser substituída pela verde, na expectativa dos especialistas do setor, sem passar pela bandeira intermediária, amarela. “Acredito que a bandeira verde já será adotada em março”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite. Para o diretor da Trade Energy, Luis Gameiro, “não há motivo para adotar a bandeira amarela”.

Porém, Leite ressalta que os custos dos distribuidores também serão considerados na formação da tarifa de 2016.

Os custos da usina de Itaipu, por exemplo, já caíram, porém, como o preço dessa energia é em dólar e o dólar subiu, fará pouca diferença para o distribuidor, explica Leite. 
Tarifa poderia cair até 8% em média

O fim da bandeira vermelha pode acarretar uma queda de 8% na tarifa da energia elétrica no país, segundo os cálculos feitos pelo presidente do Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite. Outra expectativa do distribuidores, segundo o presidente é a diminuição da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um encargo setorial que tem o valor definido anualmente pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “Isso pode reduzir até 5% os custos da distribuição”, explica Nelson Leite. Com isso, ele acredita que 2016 será “um ano de pelo menos estabilização e mesmo queda de tarifa da energia elétrica”, conclui.
Aneel sobe preços de geração

Brasília
. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu nesta terça o cálculo de reajuste da Receita Anual de Geração (RAG) para as 29 usinas hidrelétricas cujas concessões já haviam vencido e que foram leiloadas em 25 de novembro do ano passado. Os preços definidos valem de janeiro a junho de 2016.

Com atualização dos valores, o preço da energia gerada pelas usinas leiloadas será 70,36% superior ao da eletricidade produzida pelas demais hidrelétricas contratadas em regime de cotas. Pelos cálculos da Aneel, o preço para esse grupo subirá de R$ 32,50 por megawatt hora para R$ 55,37 MW/h. Algumas delas estão na área de concessão da Cemig. 

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