sábado, 12 de março de 2016

Stédile diz que critica Dilma ‘pra vaca não ir para o brejo’

Orion Teixeira
Orion Teixeira
orionteixeira@hojeemdia.com.br
  

12/03/2016

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse ontem, durante debate na Assembleia Legislativa, que faz duras críticas ao governo Dilma Rousseff (PT) não por ser opositor, mas para evitar que “a vaca vá para o brejo”. Criticar, segundo ele, é cumprir papel de militante, apontando erros do governo, porque, em torno da presidente, já há muitos “puxa-sacos” que não lhe dizem a verdade.

“A melhor defesa do governo Dilma é apontar seus erros. Se não a vaca vai pro brejo. Não por culpa dela, mas por ter assimilado a pauta neoliberal da burguesia, como a da reforma da previdência. Seria um passo para a privatização da previdência”, reclamou ele, avisando que se o governo mexer na previdência rural, o MST e os movimentos populares irão para as ruas. “Não mexam nela”.

Protesto anti-pobre

Ao avaliar o grave quadro nacional, João Pedro Stédile disse que o país passa por várias crises: econômica, política, social e ambiental. De acordo com ele, para sorte do governo Dilma, a classe média está dividida, caso contrário, ele já teria caído. Disse que os que irão para as ruas amanhã representam pequena parcela da burguesia reacionária, conservadora e que tem raiva de pobre.

“O problema deles é que eles são iludidos; eles não são contra a Dilma, são contra os pobres. Assim que eles aumentam a renda, eles contratam mais uma empregada doméstica pra lavar suas cuecas, calcinhas e banheiros, porque sempre terá que haver um ser humano subjugado por eles”, criticou, para pontuar que “nós queremos uma sociedade sem empregada doméstica, sem senzala”. Por isso, afirmou, que a tese do ‘fora Dilma’ não pega, apesar de setores do Judiciário defenderem. “Não tem base social para tirar a Dilma, eles não conseguiram convencer seus empregados a irem para as ruas, porque as empregadas sabem como pensam as patroas”.

Cabo Júlio pula fora

Deputado da base governista e um dos representantes de policiais militares na Assembleia Legislativa, o deputado Cabo Júlio (PMDB) entregou o cargo de vice-líder do governo ao presidente da casa, Adalclever Lopes. Ele justificou que estava insustentável sua posição entre o governo e a categoria que representa. “Entre um e outro, não há dúvida, fico com a minha classe”, disse o deputado, que foi um dos responsáveis pelo recuo do governador Fernando Pimentel (PT) de reduzir em R$ 360 milhões o orçamento do Instituto de Previdência dos Servidores Militares (IPSM).

Quebra de hierarquia

É claro que houve reforço do comandante-geral da PM, coronel Marco Antônio Bianchini, que, como os soldados, reagiu à altura, com riscos de quebra da hierarquia. Junte-se a isso, o parcelamento (em até três vezes) de salários dos que ganham acima de R$ 3 mil, que atingiu em cheio os servidores da segurança pública, já que o piso de soldado, inspetor, bombeiro e agente prisional é de R$ 4 mil. Agora, com possível prorrogação do parcelamento de salários, Cabo Júlio considerou insustentável a situação.

E a notícia de que o governo pretende transferir a subsecretaria de atividade socioeducativa, que monitora adolescente infrator, para a Secretaria de Direitos Humanos agitou os agentes prisionais. A rejeição é tal que falam, em coro, em greve.

Um comentário:

Gleison Rodrigues disse...

Porque a mudança da subsecretaria para a secretária de direitos humanos causa rejeição por parte dos agentes prisionais?