segunda-feira, 11 de abril de 2016

As mudanças esperadas para o pós-impeachment

José Antônio Bicalho / 11/04/2016 - 13h56- HD
José Antônio Bicalho
José Antônio Bicalho Jornalista do Hoje em Dia do caderno Primeiro Plano, Bicalho escreve sobre política econômica
Na área econômica, o governo não tem o que fazer até o dia 17, dia da votação do impeachment pelo plenário da câmara. Mas é certo que teremos surpresas já no dia seguinte caso o processo seja derrotado. Um novo governo terá que recomeçar e Lula, esteja ou não na Casa Civil, será peça fundamental.
Será preciso recosturar a base de apoio do governo no Congresso para a aprovação das reformas econômicas. O ministro Nelson Barbosa, que não se sabe se ficará no cargo, tem falado que é preciso mudar o foco de ‘ajuste fiscal’ para ‘reforma fiscal’. Barbosa defende, basicamente, que o Congresso aprove mecanismos que permitam ao governo cortar gastos obrigatórios, já que apenas a redução dos gastos discricionários se mostrou insuficiente para o cumprimento das metas de superávit.
Barbosa tem tentado injetar algum ânimo na economia com uma política híbrida que mescla rigor fiscal com oferta de crédito – o pacote de R$ 83 bilhões lançado no início do ano que, espera-se, seja a fagulha que fará o motor da economia voltar a girar.
O problema é a incógnita ideológica que Lula personifica na economia. A expectativa é que ele exija a troca de Barbosa pelo Henrique Meirelles, que foi presidente do Banco Central no seu primeiro mandato. A justificativa seria a necessidade de se promover um choque de credibilidade.
O problema é que já vimos esse filme antes com a desastrada gestão de Joaquim Levi no ano passado. A cartilha ortodoxa sectária simplesmente não funcionou. Não é possível que Dilma cometerá o mesmo erro.
Semana política
Olhando para o curtíssimo prazo, a economia e os mercados continuarão flutuando ao sabor da política nesta semana, mas teremos também outros fatores de pressão vindos, especialmente, da China. Para os apostadores mais agressivos, papéis das siderúrgicas e, principalmente, mineradoras poderão trazer bons resultados.
Hoje teremos a votação do relatório na comissão do impeachment na câmara que definirá se o processo contra a presidente Dilma Rousseff irá ao plenário. Na agenda política, este é o principal acontecimento da semana, mas não o que mais impactará o mercado.
A aprovação é tida como certa e já foi, inclusive, precificada na semana passada com a disparada do Ibovespa na sexta-feira. Surpresa virá somente se a margem de aprovação do relatório for muito apertada.
Mais que a aprovação do relatório, o que mexerá com os nervos dos mercados será a movimentação de Lula no trabalho de convencimento dos indecisos do PMDB e dos pequenos PP, PSD, PR e PTB. A semana deverá ser marcada pelas trocas de cargos por votos.
Fora da política, a China divulgará na quinta-feira o PIB do primeiro trimestre do ano, e os indicadores de março de produção industrial e vendas no varejo. Se o PIB vier em linha com as expectativas, de 6,7%, ou acima disso, os papéis das mineradoras e siderúrgicas, que estão em queda livre desde 2014, poderão dar uma guinada. Dificilmente uma recuperação estruturada, mas ao menos um forte soluço.

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