terça-feira, 12 de abril de 2016

Base abandona Dilma e ministro da Justiça é suspenso

Julgamento de Lula só depois do impeachment também é derrota do governo

Por: Felipe Moura Brasil
Dilma Lula aragao
Após a derrota na comissão do impeachment na segunda-feira, Dilma Rousseff teve uma terça-feira de novas derrotas.
Eis um resumo:
1) O ex-senador Gim Argello (PTB-DF), um dos políticos mais próximos de Dilma, foi preso na 28ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Vitória de Pirro, por receber propina da OAS e da UTC para barrar a convocação de executivos de ambas as empreiteiras na CPI da Petrobras.
Em 2009, durante a primeira campanha para presidente, Dilma participou da festa de Pentecostes organizada pela igreja usada por Gim para receber propina.
Gim se tornou um político dedicado da base aliada do governo e Dilma quis nomeá-lo para ministro do TCU (como mostra o vídeo que publiquei aqui).
Em 2014, Dilma também liberou milhões de reais para obras de pavimentação no Distrito Federal com o propósito de ajudar Gim em sua campanha de reeleição para senador, mas ele perdeu…
…a reeleição, eu digo. O dinheiro, eu não sei.
2) O governista Leonardo Picciani (PMDB-RJ) acertou com o vice-presidente Michel Temer que não vai pressionar deputados peemedebistas para votarem contra o impeachment de Dilma. A bancada do PMDB será liberada para que cada um vote como quiser, de acordo com a sua consciência.
Nas contas de bastidores, segundo a repórter Andréia Sadi, Picciani calcula que apenas cerca de 10 votos do PMDB serão a favor de Dilma.
3) O líder governista do PP, Ciro Nogueira, havia prometido ao governo cerca de 40 votos contra o impeachment, mas o deputado oposicionista Jerônimo Goergen (PP-RS) disse que Dilma só vai conseguir de 5 a 6 votos do partido.
Ciro passou a dizer que o PP “está avaliando” abandonar Dilma, enquanto Jerônimo assegura que a maioria dos deputados pepistas já a abandonou.
Acorda, Ciro. Larga essa mortadela.
4) O deputado Maurício Quintella (PR-AL), que abandonou a liderança do PR para votar a favor do impeachment, disse que vai levar com ele de 25 a 30 votos a favor do afastamento de Dilma.
Que assim seja.
5) O STF só vai analisar a suspensão da posse de Lula na Casa Civil no dia 20 de abril.
Depois do parecer de Rodrigo Janot contra a posse, nenhum parlamentar tem mais confiança de que Lula poderá cumprir qualquer promessa que faz agora em busca de votos a favor do governo.
Se o impeachment for aprovado no domingo (17), então, é ainda mais provável que a Corte mande seus inquéritos de volta para o juiz Sergio Moro.
Não haverá mais governo Dilma para Lula entrar. Só uma cadeia à sua espera.
6) A juíza Luciana Raquel Tolentino de Moura, da 7a Vara Federal, deferiu liminar suspendendo a nomeação do cheirador de vazamento Eugênio Aragão para o Ministério da Justiça.
O argumento da ação popular atendida pela juíza é o mesmo da que resultou na queda do antecessor Wellington César, vulgo WC de Jaques Wagner: Aragão não pode ser ministro porque integra o Ministério Público.
Luciana Raquel citou em sua decisão o recente julgamento em que o STF analisou o caso de WC e disse que a restrição de acúmulo de cargo imposta a integrantes do MP vale também para aqueles que tomaram posse antes da promulgação da Constituição de 1988, como é o caso de Aragão:
“Tal impedimento também se aplica, sim, aos membros do MP que tomaram posse antes da promulgação da CF/98, uma vez que permitir a esses agentes públicos a acumulação de outros cargos traduziria interpretação extensiva à exceção, dando a tais procuradores o privilégio, odioso, de violar a própria Constituição”.
“A nomeação ora questionada reveste-se, num juízo inicial do caso, de aparente inconstitucionalidade que deve ser suprida pela via liminar”.
O governo Dilma se desintegra em público.
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7) No desespero com a queda iminente, Dilma usou mais uma vez o Palácio do Planalto atacar seus adversários.
Os alvos dessa vez foram Michel Temer, Eduardo Cunha e o Congresso Nacional.
“Existem, sim, dois chefes que agem em conjunto de forma premeditada.”
Sim: Lula e Dilma.
“Vivemos tempos estranhos e preocupantes, tempos de golpe, de farsa e de traição.
Usaram a farsa do vazamento (do discurso de Temer) para difundir ordem unida da conspiração – conspiram à luz do dia para desestabilizar.
O gesto, que revela traição a mim e à democracia, explicita que esse chefe conspirador também não tem compromissos com o povo.
É uma atitude de arrogância e desprezo pelo povo, do qual certamente tentará retirar direitos que sem o golpe seriam inalienáveis.
Se ainda havia alguma dúvida sobre o golpe, a farsa e a traição em curso, não há mais.”
Dilma falando em traição, farsa e compromisso com o povo após praticar o maior estelionato eleitoral da história do Brasil é tragicômico.
Dilma falando em golpe após pegar 60 bilhões de reais de empréstimos ilegais dos bancos públicos para se reeleger, também.
“Tentarão nos intimidar. Tentarão nos tirar das ruas. É possível novos vazamentos ilegais, é possível novas acusações sem prova. Não se deixem enganar por nenhuma manobra mentirosa, de última hora.”
Isto é Dilma fazendo alertas preventivos aos trouxas para que não acreditem nas verdades comprometedoras que ela sabe que ainda virão à tona.
“Sempre atuem com calma e com paz. Não, não somos violentos, não perseguimos pessoas, nossos adversários com gestos de ódio.”
Dilma falando isso após trazer um militante da Contag para pregar no Palácio a invasão de terras de opositores é apenas mais uma farsa.
“Acreditamos na consciência das pessoas. A verdade vai prevalecer. O impeachment não vai passar. O golpe será derrotado.”
Bocejos.
Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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