domingo, 24 de abril de 2016

Marcha pela Democracia é recebida com bombas de gás na sede da Samarco

CONFLITO

Cerca de 500 manifestantes estiveram no local para realizar um ato político em lembrança à tragédia de Mariana, mas os militares impediram a passagem com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha

PUBLICADO EM 23/04/16 - 17h08
Uma manifestação pacífica denominada "Marcha pela Democracia" e organizada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) na sede da Samarco, em Mariana, foi reprimida com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha pela Polícia Militar (PM) neste sábado (23).
Segundo a PM, eram de 500 a 600 os manifestantes que estavam no local e teriam danificado a grade de acesso. No entanto, o MST informou que a ação da PM aconteceu depois que eles tentaram passar pelo alambrado para iniciar o ato político em frente a sede da empresa e foram impedidos.
Os manifestantes iniciaram o ato com o trajeto pela MG-129 com parada prevista no complexo minerário de Mariana para relembrar o rompimento da barragem de Fundão. Com um carro de som, os militantes proferiam denúncias em relação à mineradora, além de relacionar a influência de empresas como a  Vale, "infiltrada no Estado por meio da corrupção" na articulação do que chamaram de golpe.
“Viemos fazer um protesto diante dessa empresa assassina que matou trabalhador, matou um rio, e que vive em função do lucro. Como todos viram, fomos recebidos pelo aparato repressor”, explicou o coordenador estadual do MST, Silvio Netto.
Para ele, ações de repressão como a deste sábado irão motivar o prosseguimento da marcha. “Isso não vai nos fazer recuar. Só nos inspira a continuar a luta com mais qualidade e mais rebeldia”, disse.
Após a ação da PM, os manifestantes se reorganizaram, derrubaram o alambrado que impedia a passagem e prosseguiram com o carro de som. A marcha também passou pela Mina de Fazendão, da Vale, que também já foi ocupada por mulheres do MST durante a Jornada de Lutas do dia 8 de março. Neste sábado, os militantes deixaram recados nos muros como "Vale assassina" e "Não esqueceremos".
A Polícia Militar informou que esteva no local para manter a ordem e impedir os manifestantes de invadir a Samarco. Para conter a ação, a corporação ainda informou que foi necessário o uso da força como manda o protocolo e que depois do aparato empregado, a situação foi estabilizada e os manifestantes se deslocaram no sentido Catas Altas.
A assessoria de imprensa da Samarco informou que não há ninguém no local neste sábado que poderia fornecer as informações e o posicionamento da empresa sobre o ocorrido.
A Marcha pela Democracia irá passar ainda pelas cidades de Santa Bárbara neste domingo (24), Sabará na segunda-feira (25) e Belo Horizonte na terça (26).

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