domingo, 10 de abril de 2016

Quando acordar dessa crise, país verá tamanho do estrago

Orion Teixeira / 10/04/2016 - 06h00 - Hoje em Dia
Orion Teixeira é jornalista político. Escreve de terça-feira a domingo neste espaço.
Orion TeixeiraTodos, governo e oposição, estão se esquecendo de que, além da disputa política, o cenário mais desastroso não está sendo cuidado por ninguém, que são os rumos da economia. Não dá para falar de coisa alguma sem olhar para os seus desacertos, que são agravados pela política. Em Minas, por exemplo, está tudo parado, com o governo raspando cofres e os depósitos judiciais (judicializado antes do fim) para pagar salários de servidores públicos, ainda que parcelado de 25% deles. Cobrar promessas de campanha, então, virou “fazer o jogo da oposição”.
Com as promessas e o jogo político jogado, de um lado, para salvar mandato presidencial, de outro, para encerrá-lo, eventuais ajustes econômicos se transformam em risco maior à já instabilizada situação financeira. O PT, que detém o governo, tudo faz para preservar os dois anos e meio de mandato que restam da presidente Dilma Rousseff, recuperar a própria imagem e reverter a situação desfavorável até 2018. O PMDB e a oposição (PSDB e outros) se acertam para eventual transição.
Seja um ou outro, o quadro já é de metástase, quando, então, ao término desse processo autofágico, a política terá que se curvar, finalmente, à economia e governar para o ajuste que ainda for possível. Quem ficar ou chegar lá vai se deparar com a quebradeira geral e o caos econômico estabelecidos a desafiarem a administração. Com o fim do impeachment, aprovado ou não, o paciente poderá resgatar algum otimismo para enfrentar a doença terminal.
Os agentes políticos, em sua maioria absoluta, não têm problemas com a crise; seus contracheques chegam em dia e com todas as vantagens. Ao contrário, o cidadão comum encara uma inflação corrosiva, quando não chega ao trabalho com aviso prévio ou anúncio de corte de 10%, 20% ou 30% da folha.

Malmequer; bem-me-quer
Do relator da Comissão do Impeachment na Câmara dos Deputados, Jovair Arantes (PTB/G0), à Folha de S. Paulo, explicando a razão da crise política: “A presidente Dilma não gosta, não tem afeto pelo Congresso. O início dessa crise política foi o pouco caso que ela faz do Congresso. Para ela, o Congresso era só para votar o Orçamento para fazer do jeito que ela quisesse e depois aprovar as contas do jeito que viessem”.

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