sexta-feira, 8 de abril de 2016

Se PIB recuar 4%, recessão será a mais profunda do século

Para 2016

Apostas para queda acentuada na economia deste ano crescem, e país pode ter crise histórica


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Desacelerou. Setor automobilístico vem puxando a produção industrial mineira para baixo nos últimos meses, diz estudo do IBGE

PUBLICADO EM 08/04/16 - 03h00- O Tempo
São Paulo. As previsões para a economia brasileira estão cada vez mais pessimistas. Só nesta semana, algumas apostas pioraram, e a retração do Produto Interno Bruto de 2016 agora é estimada para aproximadamente 4%. O Relatório de Mercado Focus, divulgado na segunda-feira pelo Banco Central, aponta que a mediana das estimativas do mercado para o PIB de 2016 passou de uma retração de 3,66% para queda de 3,73% – um mês atrás estava em -3,50%. O próprio BC, na semana passado, piorou sua previsão de -1,9% para - 3,5%.
Já Itaú Unibanco publicou relatório onde aposta que o PIB recue 4% neste ano. O presidente da instituição, Roberto Setúbal, disse nesta quinta que se a economia recuar nesse patamar, o Brasil estará na mais profunda recessão deste século. Setúbal fez a abertura de evento promovido pelo banco, o Macro Vision 2016, que discutiu as perspectivas para a economia brasileira. “O Brasil passa por um dos momentos mais desafiadores de sua história. Quanto durará e o que precisa ser feito é o que estamos discutindo”, afirmou.
O banqueiro disse que já existem alguns “sinais encorajadores” na economia, como a inflação que parece ceder e o ajuste das contas externas “que parece caminhar para um bom nível”. Mas Setúbal observou que os problemas brasileiros não se limitam ao campo da economia, já que o Brasil vive um momento de incerteza política.
“Isso afeta a vida das empresas e traz desafios à gestão”, afirmou. O empresário Rubens Ometto, controlador do Grupo Cosan, do setor de açúcar e álcool, disse durante o evento que o intervencionismo do governo no mercado estimula a corrupção. “Para acabar com a corrupção, é preciso que o governo deixe de ser empresário. Enquanto o governo intervir no mercado, sempre haverá corrupção. Pode-se criar a regra que quiser”, disse o empresário.
O empresário afirmou que se a Petrobras baixasse os preços da gasolina, como se noticiou recentemente, seria mais uma medida intervencionista do governo. “Não pode isso numa empresa com o atual nível de endividamento”, afirmou Ometto. Ele disse que a crise cria muitas oportunidades de investimento em empresas, mas não existem compradores. “A própria Petrobras está fazendo desinvestimentos, o que gera oportunidades boas. Mas a situação é ruim para todo mundo. Temos que fazer investimentos com parcerias para não aumentar nosso endividamento. Nós temos apetite para investir”, disse.
Para o empresário, antes de se pensar na volta da CPMF, é preciso saber o que vem depois. “A festa foi dada, e, agora, a conta precisa ser paga. O problema é a disciplina de gastos que vem depois. Não podemos criar condições para pagar a conta, e tudo segue igual. Se isso acontecer, vamos ter a CPMF 2, a CPMF 3”, afirmou Ometto.
Economia de países da OCDE desacelerou no fim de 2015

Brasília.
 O Produto Interno Bruto (PIB) dos 34 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), entre eles Estados Unidos, Canadá, Japão, europeus ricos e Chile, teve expansão de 0,4% no último trimestre de 2015, desacelerando ante o crescimento de 0,5% no trimestre anterior, divulgou nesta quinta a entidade.

Segundo a OCDE, o arrefecimento da economia desses países membros reflete um crescimento menor do consumo privado, cuja contribuição recuou de 0,4 ponto percentual (p.p.) para 0,3 p.p. no período. A participação dos gastos dos governos e dos investimentos permaneceu inalterada em 0,1 p.p.

Já os estoques deram contribuição positiva de 0,1 p.p., enquanto as exportações tiveram contribuição negativa, de -0,1 p.p.
Produção industrial recua em 11 dos 14 locais pesquisados

Rio de Janeiro
. A indústria registrou recuo na produção de 11 dos 14 locais pesquisados na passagem de janeiro para fevereiro, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, divulgados nesta quinta pelo IBGE. Os recuos mais intensos foram registrados por Bahia (-7,9%) e Amazonas (-4,7%). A indústria baiana eliminou parte do avanço de 8,5%, acumulado nos meses de dezembro e janeiro últimos, enquanto o parque industrial amazonense completou nove meses consecutivos de taxas negativas, período em que acumulou perda de 26,7%.

As demais quedas foram verificadas na região Nordeste (-3,6%), Santa Catarina (-3,3%), Ceará (-2,8%, Pernambuco (-2,5%), São Paulo (-2,1%), Rio de Janeiro (-1,9%), Paraná (-1,6%), Rio Grande do Sul (-1,3%) e em Minas Gerais (-0,7%). Em Minas, o setor automobilístico contribui pesado para essa queda.

Na direção oposta, houve avanços no Pará (6,2%), Espírito Santo (5,3%) e Goiás (4,1%). No total nacional, a indústria encolheu 2,5% em fevereiro, ante janeiro. A produção do maior parque industrial do país, São Paulo, despencou 12,3% em fevereiro, ante fevereiro de 2015, segundo o IBGE.

Embora fevereiro de 2016 tenha tido um dia útil a mais do que igual mês do ano anterior (19 dias úteis em fevereiro de 2016, ante 18 em fevereiro de 2015), o total da indústria nacional mostrou redução de 9,8% na produção no período. O resultado negativo atingiu 12 dos 15 locais investigados. Minas Gerais teve recuo de 11,6% neste período. 

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