segunda-feira, 2 de maio de 2016

Adivinhe quem vai pagar a conta?



Neste 1º de maio de 2016, o Brasil se encolheu diante de seus trabalhadores. Com a marca de mais de 11,1 milhões de pessoas sem emprego, o país arrancou à força o que deu de mão estendida nos últimos anos. Uma reportagem do Fantástico deste domingo mostrou as alternativas encontradas por muitas destas pessoas para não perder de vez a renda. A pesquisa de uma agência de empregos de São Paulo revela que 15% de vagas para recém-formados estão sendo ocupadas por gente com experiência, que aceita ganhar um salário bem menor e fazer um trabalho que, provavelmente, realizava no início de carreira. E os jovens que deveriam começar sua jornada terão que esperar.
É diante deste cenário dramático de milhões de famílias brasileiras que a presidente Dilma Rousseff anunciou seu último pacote de “bondades” no evento de comemoração (sic) do Dia Internacional do Trabalho. De reajuste do Bolsa Família à criação de um estapafúrdio Conselho Nacional do Trabalho, Dilma rasga o roto tecido econômico que ela fabricou nos cinco anos de seu governo. Veja os detalhes das medidas na reportagem do G1. Aqui, quero tratar da questão essencial que surge da cólera da presidente que está sendo obrigada a deixar o poder: adivinhe quem vai pagar a conta dos últimos desmandos de Dilma na economia? Você, caro leitor. Todos nós contribuintes, pagadores de impostos. Uma conta que já havia alcançado um peso paralisante vai aumentar.
O desespero da presidente fere o principio básico das instituições, qual seja, elas devem ser maiores do que as pessoas, do que os governantes. Os cofres públicos, uma das maiores e mais frágeis instituições de um país, não são propriedade dos planos e politicas públicas de quem foi eleito para governar. Eles são os meios para financiar as prioridades elegidas. O financiamento também não é infinito ou exercido sem limites, ao contrário, quanto mais respeito às fontes de recursos, mais disponibilidade de execução das políticas que promovam o desenvolvimento. Outra regra rasgada no governo da petista, mesmo descontando alguma ingenuidade política sobre o princípio das leis.
Dilma agiu consciente do estrago que vai causar com a guerrilha que declarou a seus opositores – não discuto a legitimidade da briga política, apenas as consequências econômicas da estratégia. Desde que ela venceu as eleições para o segundo mandato em 2014, a presidente sabe e lida diariamente com o tamanho do rombo que seus desmandos e escolhas causaram às contas públicas. O Brasil perdeu o grau de investimento, entrou em profunda crise de confiança, enfrenta a pior recessão de sua história moderna, o desemprego já foi citado, a inflação disparou e, como um bumerangue atirado ao vento, o nível de desaprovação do governo registra recordes. Nem com a ferida aberta e exposta na testa com a volta do bumerangue, Dilma admite tamanhos estragos.
Os custos dos pacotes anunciados pela presidente neste primeiro de maio ainda não foram todos contabilizados. Mas certamente estarão na casa dos bilhões e dificilmente poderão ser revertidos. Algumas medidas dependem do Congresso Nacional, como o ajuste na tabela do IR. O problema é que o dinheiro acabou – e faz tempo. Ainda assim agir diante desta realidade é ser perdulário com dinheiro alheio. Mesmo com todas as bandeiras vermelhas (sic) levantadas por seus assessores – que antes corroboravam com a gastança desmedida – Dilma seguiu em frente. Chega a ser desrespeitoso com o mérito das medidas. Como desaprovar um aumento da pequena ajuda que recebem os milhões de beneficiados do Bolsa Família? Como discordar de um programa que dá acesso à casa própria com dignidade?
O Brasil tem muitas perguntas desta mesma natureza. Quanto mais profundo for o mergulho na crise econômica que já nos atinge, mais tempo vamos levar para voltar a responder ao menos as questões fundamentais. Mas há um valor que não pode se perder nesta trajetória – o poder das instituições. Elas serão a liderança mais legitima para nos guiar pelo caminho de volta. Se a saída de Dilma as devolver ao país, o Brasil já terá por onde começar. 

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