quarta-feira, 18 de maio de 2016

Carro no Brasil é um inveterado beberrão?

Boris Feldman / 18/05/2016 - 06h00- Hoje em Dia
Motoristas que dirigem automóveis em países do Primeiro Mundo ou que costumam ler sobre automóveis sempre ficam com a pulga atrás da orelha: por que é menor o consumo dos automóveis em outros países?
Claro que a comparação não é com o carro flex, mas com os importados que rodam no Brasil comparados com os mesmos modelos lá fora, sempre com gasolina.
Como se explica a maior eficiência dos carros em outros países? É problema com a qualidade da nossa gasolina?
Sim e não. Nossa gasolina é uma das melhores do mundo e o carro importado que pede a Super na Europa (95 octanas) pode rodar com a comum no
Brasil. Mas, se o manual de um importado recomendar a Super Plus (98 octanas), o carro pode ser abastecido com qualquer gasolina Premium no Brasil. Nem precisa da Podium que tem octanagem ainda superior à melhor gasolina na Europa e nos EUA. Além do baixo teor de enxofre.
Então, o que provoca um aumento de consumo de gasolina no Brasil? O excesso de etanol misturado, numa proporção que já está hoje em 27%.
Como o poder energético do álcool é cerca de 30% inferior ao da gasolina, o consumo deste “coquetel” de combustíveis fica prejudicado. Nos EUA, por exemplo, existe a gasolina pura e  também a “batizada” com álcool, num percentual máximo de 10%. Para que não haja dúvida, o motorista sabe exatamente com qual combustível está abastecendo,  pois as bombas são identificadas com “gasoline” ou “gasohol”.
No Brasil, ficou inicialmente estabelecido o percentual de 22% de etanol na gasolina e por isso ela é chamada de E22. Entretanto, por pressão dos usineiros, o governo acabou concordando em subir a mistura para 25%. Em 2014, a presidente Dilma, novamente pressionada pelos usineiros e num ano de eleições, subiu novamente o percentual para 27%. Que pode chegar a 28%, dentro dos padrões de tolerância.
No frigir dos ovos, o brasileiro, ao abastecer e pagar por gasolina, está levando quase um terço de etanol, de menor poder energético e que faz, por isso, aumentar o consumo.

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