quinta-feira, 5 de maio de 2016

Governistas já ensaiam discurso de oposição - e cobram até redução de ministérios

O PT, que antes trabalhava para evitar o aumento de gastos em meio a um rombo bilionário nas contas públicas, passou a defender a aceleração das propostas que reajustam o salário de servidores de carreiras de estado

Por: Marcela Mattos, de Brasília - Atualizado em
Congresso Nacional - Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados(Waldemir Barreto/Ag. Senado)
Enquanto o governo Dilma Rousseff dá seus últimos suspiros, aliados da presidente começam a adotar posturas e a defender propostas há até pouco tempo rechaçadas por eles mesmos. Já dando como certa a aprovação do afastamento da petista pelo Senado, os defensores de Dilma vestem a camisa da oposição e dão o tom do discurso que devem fazer durante a provável gestão de Michel Temer. Nesta quarta-feira, houve até a defesa da redução de ministérios - medida que o atual governo, responsável pela inédita marca de 39 pastas, sempre rejeitou.
No plenário, a mudança de posição é visível. Durante a votação desta quarta-feira, a bancada do PT, que antes trabalhava para evitar o aumento de gastos em meio a um rombo bilionário nas contas públicas, passou a defender a aceleração das propostas que reajustam o salário de servidores de carreiras de estado. Para isso, eles recuaram até mesmo no chamado "kit obstrução" instalado por governistas para barrar a pauta. Houve espaço, ainda, para acenos aos servidores públicos que lotam as galerias.
Um dos últimos bastiões governistas, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) reconheceu que os governos de Lula e Dilma não alcançaram "tudo aquilo que desejávamos" para as carreiras de estado e adotou o tradicional discurso do medo, afirmando que Michel Temer ameaça o serviço público com uma agenda privatista.

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