segunda-feira, 9 de maio de 2016

PT já se organiza para a oposição; partido vai querer se descolar de Dilma

Em entrevista, o senador petista Humberto Costa (PE) dá o governo Temer como certo e admite que Dilma tem dificuldade para o diálogo político

Por: Reinaldo Azevedo
“Ah, se houver impeachment, vamos parar o Brasil!”
“Ah, se houver impeachment, o Brasil fica ingovernável!”
“Ah, se houver impeachment, haverá luta!”
Como vocês sabem, acima vão alguns ecos de vozes petistas no período que antecedeu a votação na Câmara. Era uma forma de fazer pressão no Congresso por meio do discurso terrorista, da ameaça.
Na quinta, um dia depois de o Senado aceitar abrir o processo contra ela, Dilma pretende descer a rampa do Palácio do Planalto, com um séquito de petistas. Será um momento lindo da democracia. O estado de direito estará expulsando da sede do governo federal um partido que instaurou uma cleptocracia no país. E depois? Será que o PT parte para a luta armada, como chegou a anunciar Vagner Freitas, presidente da CUT, em discurso na sede do governo?
Que luta armada o quê?! Essa gente é doida, mas não rasga dinheiro. Que os petistas vão criar embaraços a Temer, isso me parece evidente. Mas vai se adaptar à luta política, ainda que recorrendo à sabotagem do governo de turno, como de hábito. Mas a ficha já começa a cair, e os petistas baixam a bola.
Leiam, por exemplo, a entrevista concedida pelo senador Humberto Costa (PT-PE) à Folha desta segunda. Ele já vai acomodando a fala: “Não vamos incendiar o país”. Ora, é claro que não! Os brasileiros não permitiriam: nem o incêndio real nem o metafórico.
Sim, Costa continua a chamar o impeachment de “golpe”, mas com uma ligeira inflexão: diz que foi um golpe no PT. Ah, bom! Golpe no PT, se tivesse havido, já seria diferente de golpe de estado, certo?
O senador já trata o governo Temer como uma realidade, diz não haver chance de diálogo do ainda vice com o PT no futuro, mas, ora vejam, o homem não se furta a fazer críticas à presidente que está saindo:
“Dilma é uma pessoa que tem uma dificuldade de dialogar, de ouvir, é o perfil dela, com todo o respeito. Ela não se adaptou a um modo de fazer política que existe no Brasil. Não estou falando que tinha que fazer qualquer concessão à corrupção, nada disso. Mas, no Brasil, nesse modelo de presidencialismo de coalizão, você tem que ter uma relação que tem que conviver e ter ao seu lado gente que pensa e age de maneira diferente. Tem algumas coisas que são simbólicas na política. Essa coisa de fazer o diálogo, de conversar. Ela não tem esse perfil. É muito diferente de Lula. E infelizmente isso vale muito mais do que a gente pensa.”
Não custa lembrar: Costa é nada menos do que líder do governo no Senado; vale dizer: na Casa, ele fala em nome daquela que ele admite ter “dificuldade de dialogar, de ouvir…”
Leiam a entrevista e constatem que o senador se inclui entre os que estão desenhando os passos futuros do PT, e Dilma, tudo indica, é uma herança que o partido não pretende carregar.
O PT vai criar dificuldades para Temer? Ora, é evidente! Mas observem que Costa sabe existir um limite para a agitação que, se ultrapassado, rende dissabores ao próprio partido, especialmente num momento em que a população não anda assim tão satisfeita com a companheirada.
Os petistas nos ameaçaram com a guerra civil na esperança de assustar a sociedade. Deu errado. Vão ter de engolir a regra do jogo. Sim, Costa diz algumas barbaridades: afirma que Temer deve 50% do seu mandato de presidente a Cunha e 50% ao juiz Sergio Moro.
Está errado! O mandato de Temer é fruto dos milhões que foram às ruas contra a roubalheira promovida pelo petismo.
O PT de oposição já vai se desenhando. E, tudo indica, vai tentar apagar Dilma da história.

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