quinta-feira, 19 de maio de 2016

Temer inicia operação para isolar ainda mais PT e Dilma

Orion Teixeira Orion Teixeira é jornalista político. Escreve de terça-feira a domingo neste espaço.
Orion Teixeira / 19/05/2016 - 06h00- Hoje em Dia
Uma semana depois de instalado o governo provisório de até 180 dias, o presidente interino Michel Temer (PMDB) deu início, nesta quarta-feira (18), a uma operação para isolar ainda mais a presidente afastada Dilma Rousseff e seu partido, o PT, dinamitando definitivamente a possibilidade de ela voltar ao governo após o processo de impeachment no Senado.Temer autorizou a abertura e divulgação do que chamam lá de “caixa preta” das contas públicas, acusando déficit superior ao que Dilma havia previsto: em vez de R$ 96 bilhões, cerca de R$ 150 bilhões.
O agravante dado poderá dar munição aos senadores para consolidar a acusação de má gestão nas contas públicas, resultante de operações de crédito tidas como irregulares (as chamadas pedaladas fiscais) e decretos de gastos extras no Orçamento federal. De posse dos dados, o presidente interino ensaiava, na tarde de ontem, pronunciamento, em rede nacional, para alertar o país sobre as dificuldades que se avizinham para o ajuste fiscal, ou seja, a adoção de medidas impopulares, como aumento da carga tributária e cortes em programas sociais.
No plano político, visando as eleições municipais deste ano, Temer pretende se aliar ao PSDB e ao PSD, do ministro Gilberto Kassab (Comunicações e Ciência e Tecnologia) para impedir a reabilitação do PT junto ao eleitorado. Junto a outras medidas, incluindo decisões judiciais, como a que condenou o PT a devolver R$ 3,5 milhões pelo escândalo na Prefeitura de Santo André (SP) e a segunda condenação do ex-ministro José Dirceu (23 anos por envolvimento no esquema da Lava Jato), a operação política tende a transformar o PT no principal bode expiatório da crise política, econômica e ética do país.
Caçador vira “amigo da onça”
Um dos responsáveis pela Operação Acrônimo da Polícia Federal, que indiciou o governador Fernando Pimentel pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, o superintendente regional da corporação, Sérgio Barbosa Menezes, foi nomeado nessa quarta-feira, secretário de Defesa Social do governo mineiro. A medida provocou a reação da direção da Polícia Federal, que tentou impedir a liberação do delegado junto ao Ministério da Justiça. Podem barrar sua posse ainda, mas, precavido, Menezes solicitou pedido de aposentadoria junto com o de licença para assumir o cargo. Ele assume o lugar do desembargador Antônio Armando dos Anjos. A Secretaria de Defesa Social será desmembrada em duas, na Secretaria de Segurança Pública e na de Administração Prisional, de acordo com a reforma administrativa do governador em tramitação na Assembleia Legislativa.
Tira-teima na Saúde
Menos resistente às mudanças no governo mineiro, a bancada estadual do PMDB tirou, nessa quarta (18), a prova dos nove ao se reunir com o novo secretário da Saúde, o peemedebista Sávio Souza Cruz. Na pauta, emendas parlamentares na área da saúde travadas desde o ano passado.

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