sexta-feira, 22 de julho de 2016

Milícia proíbe internet em prédio que hospeda policiais da Força Nacional no Rio

Tempo

Alojamento em condomínio do Minha Casa Minha Vida fica em área dominada por milicianos, que monopolizam o sinal de internet. Militares são responsáveis pela segurança dos locais onde ocorrerão as competições olímpicas

HUDSON CORRÊA- Época
21/07/2016 - 19h46 - Atualizado 21/07/2016 20h07
Movimentação no entorno do condomínio do "Minha Casa Minha Vida", no Anil, onde  os agentes da Força Nacional que participarão do esquema de segurança da Olimpíada estão morando (Foto: Márcio Alves/Agência O Globo)
Instalados em um condomínio do Minha Casa Minha Vida na Zona Oeste do Rio de Janeiro, os policiais da Força Nacional de Segurança que atuarão na Olimpíada não têm serviço de internet no prédio. Dependem exclusivamente do celular. Motivo: os milicianos que controlam a região proibiram o fornecimento de sinal de internet que não seja o da rede clandestina montada por eles. As milícias são organizações criminosas formadas por policiais, bombeiros e agentes penitenciários que dominam bairros e favelas cariocas, cobrando taxas por serviços ilegais e proteção.
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“Os policiais procuraram uma empresa para instalar a internet. As milícias foram atrás do representante dessa empresa, que não sei o nome. Disseram: naquela região, quem manda somos nós”, afirma o presidente da Associação Nacional de Praças, o cabo Elisandro Lotin. A entidade acompanha as condições do alojamento dos policiais no Rio.
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Na manhã de quarta-feira (20), ÉPOCA conversou com um cabo da Força Nacional nas redondezas do condomínio, que fica no bairro Anil. Os prédios são novos, mas a vista em frente não é nada agradável. Há um canal de esgoto a céu aberto e mais adiante uma favela, dominada pelos milicianos. Alguns deles circulam em frente ao condomínio. Segundo o cabo, operam no local um sistema de Uber clandestino para os moradores do bairro.
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Com a condição de anonimato, o policial confirmou que não pode usar o laptop porque não há internet. “Não aceitamos o serviço ilegal das milícias”, afirmou. Ele disse que, quando chegaram ao Rio, os policiais encontraram o condomínio sem iluminação nos quartos. Não havia colchões, nem chuveiros. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse nesta quinta-feira (21) que esses problemas foram resolvidos. Também houve reajuste no pagamento des diárias, de R$ 220 para R$ 550. Já chegaram colchões de espuma, disse o cabo, mas a internet continua pendente.
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Cerca de 6 mil homens da Força Nacional, que é vinculada ao Ministério da Justiça, protegerão as instalações onde ocorrerão competições dos Jogos Rio 2016, como o Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. O contingente previsto era de 9.600 policiais, mas as PMs dos estados não conseguiram dar conta da demanda. A Força Nacional é formada por policiais militares de diversas partes do Brasil. Muitos estão no Rio pela primeira vez. Esse é outro motivo de preocupação.
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A Associação Nacional de Praças disse que o comando da Força orientou os policiais a não andar com armas nos dias de folga. “Foram alertados que estão no Rio, onde a violência é absurda. Quando identificados em um assalto, serão mortos. A melhorar maneira de não ser morto é não ser identificado. Isso foi avisado”, disse Lotin, o presidente da associação.

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