sexta-feira, 22 de julho de 2016

‘Não foi com o meu conhecimento’, afirma Dilma sobre caixa 2 confessado por ex-marqueteiro

Santana afirmou também que não disse nada à PF antes para não prejudicar a presidente afastada

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Marqueteiro João Santana trabalhou nas duas eleições da presidente Dilma Rousseff - Miguel Schincariol / AFP

RIO - Um dia depois de o ex-marqueteiro do PT, João Santana, ter confessado em depoimento ao juiz Sérgio Moro ter recebido no exterior US$ 4,5 milhões desviados da Petrobras para saldar uma dívida de campanha de Dilma Rousseff em 2010, a presidente afastada recorreu ao Twitter para negar a declaração do ex-integrante de sua equipe. “Não autorizei pagamento de caixa 2 a ninguém. Se houve pagamento, não foi com o meu conhecimento”, disse a petista em seu perfil no microblog.
Santana afirmou também ter omitido o caixa 2 ao ser preso pela Polícia Federal para não “destruir a presidente”, que enfrentava na ocasião o início do processo de impeachment.
No depoimento, prestado nesta quinta-feira, Santana e sua mulher Mônica Moura negaram saber se o dinheiro tinha como origem propina de contratos da Petrobras, o que foi admitido apenas pelo empresário Zwi Skornicki, que representava o estaleiro Keppel Fels.
- Esse pagamento foi referente a uma dívida de campanha que o PT ficou devendo da campanha de 2010, da primeira campanha da presidente Dilma. ficou uma divida de quase R$ 10 milhões de reais, que não foi paga, foi protelada. Cobrei muito, eu fiquei com muitas dividas. Depois de dois anos de luta conversei com o Vaccari (João Vaccari Neto, tesoureiro do PT), que era quem acertava comigo os pagamentos de campanha, e ele me mandou procurar um empresário que queria colaborar - disse Mônica Moura.
O empresário Zwi Skornicki, porém, admitiu que o depósito feito a João Santana era dinheiro de propina. Ele também prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro e confirmou ter pagado propina em todos os contratos firmados pela Keppel com a Petrobras.

Zwi, que fechou acordo de delação premiada, contou que Monica esteve em seu escritório indicada por Vaccari. A conversa, definida pelo empresário como “curta e grossa”, teve como objetivo acertar como seria feito o pagamento.

— Ela me disse: ‘Eu vim aqui a mando do senhor Vaccari e gostaria de acertar com o senhor o pagamento — contou o empresário nesta quinta-feira ao juiz Sérgio Moro.
FOTOGRAFIA POR SATÉLITE
No fim do depoimento ao juiz Moro, o publicitário fez uma espécie de desabafo. Disse que 98% das campanhas políticas no Brasil utilizam caixa dois e que, mesmo assim, ele e a mulher, Mônica, são os únicos presos por esse motivo. Ao sustentar a alegação de que são milhões os profissionais “de todas as camadas sociais e dezenas de profissões que recebem por fora”, Santana afirmou:
— Se tivesse o mesmo rigor que está tendo comigo em relação a essas pessoas, teria uma fila saindo atrás de mim que iria bater em Brasília, chegaria a Manaus. Poderia ser fotografada de satélite — disse o marqueteiro.
PORTO ALEGRE SÓ 2019
A petista aproveitou seu perfil na rede para negar também que esteja acelerado o processo de mudança para Porto Alegre, caso se confirme o seu afastamento em definitivo no plenário do Senado.
Na semana passada, O GLOBO mostrou que, aos poucos, Dilma já está retirando seus objetos pessoais do Palácio da Alvorada e levando-os para seu apartamento em Porto Alegre.
"Continuo lutando p/ não ter o impeachment. O processo só se completa c/ votação no Senado. Faltam 6 senadores p/ impedir", tuitou






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