sábado, 22 de abril de 2017

Polícia busca 'curadores' do jogo on-line Baleia Azul

Estadão Conteúdo

horizontes@hojeemdia.com.br
21/04/2017 - 09h12 - Atualizado 16h40
São investigados crimes de associação criminosa, ameaça, lesão corporal e homicídio
São investigados crimes de associação criminosa, ameaça, lesão corporal e homicídio
"Não é lenda urbana. Estamos numa corrida contra o tempo para garantir a integridade física e a vida das vítimas, porque não sabemos em que etapa do jogo elas estão", afirma a delegada Fernanda Fernandes, responsável pelas investigações do viral Baleia Azul, que supostamente incentiva suicídios, no Rio. Há investigações on-line em busca de responsáveis pela iniciativa, que teria ramificações até nos Estados Unidos.

As primeiras informações sobre o jogo são de 2015, relatando incentivo ao suicídio propagado pelo Vkontakte (VK), o Facebook russo. Depois, entidades denunciaram o caso como "fake news" (notícia falsa), mas o viral segue avançando. Participantes surgem em grupos fechados, selecionados de madrugada. Na sequência, o administrador, ou "curador", lança desafios, normalmente às 4h20, que incluem de desenho a atividades de risco, passando por mutilações e estímulo ao suicídio.

Coordenador do Escritório Brasileiro da Associação Internacional de Prevenção ao Crime Cibernético e comandante do Centro Integrado de Operações da Polícia Militar da Paraíba, o coronel Arnaldo Sobrinho diz que já foram identificados internautas nos Estados Unidos que atuariam como curadores de grupos dos quais participam adolescentes brasileiros. "São eles quem passam as orientações do tipo excluir uma amizade do Facebook, assistir filmes de terror e assassinato nas madrugadas, até mutilar partes do corpo e subir em prédios para saltar."

Relatório detalhado sobre a investigação será enviado à Polícia Federal(PF). De acordo com o chefe de Comunicação Social da PF em Pernambuco, Giovanni Santoro, apesar de não haver registro oficial de morte ligada ao tema no Estado, existem investigações em redes sociais e aplicativos de mensagens sobre supostos contatos entre jovens e curadores - que podem ser enquadrados criminalmente por incitação ao suicídio.

A Polícia Civil também anunciou que vai pedir a quebra de sigilos de dados para avançar no rastreamento de aliciadores. A estratégia de mapear as comunidades também é adotada pela Polícia Militar em Mato Grosso. Ali os casos se concentram nas cidades de Vila Rica e Confresa. E há o rastreio de comunidades com até 350 integrantes - em sua maioria adolescentes. "As vítimas tentam sair (do jogo) e não conseguem. As crianças recebem algumas ameaças de morte ou até um tipo de pressão psicológica mesmo, e acabam cedendo", relatou o 10.º Comando Militar.

Em Santa Catarina, a Polícia Civil busca os responsáveis por enviar as missões pelo Facebook ou WhatsApp - 9 casos são investigados no Estado. No Paraná, que apura oito casos, o governo do Estado cogita pedir apoio de outras polícias.

Pânico

A Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) do Rio confirmou até agora só dois casos de adolescentes que estavam sendo induzidas ao suicídio pelo suposto jogo via internet. Mas por causa do pânico causado por notícias e boatos a DRCI está recebendo e-mails diários de pais assustados.

Em comum, há a frase "Minha filha tentou se matar". Uma avó do interior do Rio levou à polícia carta que mostra intenção suicida da neta, que será chamada a depor. Um pai de Queimados, na Baixada Fluminense, vai levar a filha, que sobreviveu à tentativa de suicídio.

São investigados crimes de associação criminosa, ameaça, lesão corporal e homicídio. "Os pais estão começando a cair na real. Eles sempre acham que não tem nada acontecendo, que os filhos são espertos demais para cair nessa. É importante mostrar que não é um jogo, não são desafios para divertir, mas para se matar", diz.

Em Brasília, a entrada da Polícia Federal nas investigações foi formalmente solicitada pela Câmara - por solicitação da deputada Eliziane Gama (PPS-MA). No Senado, o jogo foi apontado como justificativa para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar maus-tratos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Leia mais:

 

A PMMG INFORMA SOBRE O JOGO DA BALEIA AZUL


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Lula desiste de receber homenagem da Inconfidência em Minas


De acordo com o Instituto Lula, a desistência não tem ligação com as delações da Odebrecht tornadas públicas na semana passada e foi decidida antes disso


Lula
Lula recebeu a medalha da Inconfidência de Aécio em 2003

PUBLICADO EM 17/04/17 - 15h21
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não irá à cerimônia da Inconfidência, em Ouro Preto, no próximo dia 21, segundo a assessoria do Instituto Lula. O petista seria, a convite do governador Fernando Pimentel (PT), homenageado na solenidade de entrega da Medalha da Inconfidência.
De acordo com o Instituto  Lula, a desistência não tem ligação com as delações da Odebrecht tornadas públicas na semana passada e foi decidida antes disso. Uma das razões seria o fato de o ex-presidente já ter recebido o Grande Colar, grau máximo da Medalha da Inconfidência, em 2003. Naquele ano, Lula obteve a homenagem do então governador de Minas, Aécio Neves (PSDB).
No entanto, em 11 de abril, publicamos matéria mostrando que um mineiro de 52 anos acionou o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para tentar impedir que o ex-presidente fosse homenageado na 66ª solenidade de entrega da Medalha da Inconfidência.
Outros homenageados
A ex-presidente Dilma Rouseff também recebeu o Grande Colar em 2011, no governo de Antônio Anastasia (PSDB). Ano passado, o ex-presidente do Uruguai José Pepe Mujica foi o principal nome da cerimônia.
Com Lula costurando sua candidatura para 2018, a homenagem poderia ganhar ares de ato político, como a reinauguração das obras de transposição do rio São Francisco em Monteiro (PB). A opção do ex-presidente, no entanto, foi não subir no palanque desta vez. O governo de Minas ainda não publicou a lista de homenageados deste ano.
A medalha
Criada em 1952 por Juscelino Kubitschek, a Medalha da Inconfidência tem quatro graus de designações -Grande Colar, Grande Medalha, Medalha de Honra e Medalha da Inconfidência. A maior honraria concedida pelo Estado de Minas Gerais costuma homenagear políticos, juristas, advogados, militares e outras autoridades.
Os nomes dos homenageados são escolhidos pelo Conselho da Medalha, formado por representantes dos Tês Poderes e por entidades civis.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Minas Gerais teve oito policiais expulsos por mês nos últimos três anos

Segurança

Apurações de corregedorias resultaram em 290 demissões de militares e agentes civis desde 2014

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Motivação. Crimes contra a administração pública estão entre os principais motivos para expulsões
PUBLICADO EM 10/04/17 - 03h00
Seis policiais militares presos por suspeita de apreender armas e revender para criminosos de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. Um delegado de Venda Nova, na capital, suspenso por supostamente receber propina para arquivar investigações sobre traficantes. Ambos os casos aconteceram no fim do ano passado e suscitaram trabalhos de investigação nas corregedorias. Nos últimos três anos, esse tipo de atuação rendeu 290 expulsões de policiais civis e militares de Minas – uma média de oito por mês. O número sobe para 380 quando contabilizados os servidores afastados.
De acordo com a Polícia Civil, os principais motivos dessas demissões são crimes contra a administração pública, como concussão (exigir vantagem indevida), extorsão e corrupção passiva. Já a Polícia Militar (PM) cita crimes contra o patrimônio, concussão e delitos de deserção (quando o militar não comparece ao trabalho por mais de oito dias sem apresentar justificativa).
Para especialistas ouvidos pela reportagem, o cometimento de crimes por policiais é grave, e o trabalho de apuração das corregedorias deveria ser conduzido por um órgão independente das polícias, evitando o corporativismo e garantindo transparência. Atualmente, as transgressões de policiais são investigadas pelas próprias corporações.
Nas duas polícias, uma espécie de sindicância é instaurada para apurar denúncias contra agentes. As acusações podem partir da sociedade, de colegas de serviço, de outras investigações, entre outros. Durante o processo, o policial continua recebendo salário e tem direito à defesa. A remuneração só é suspensa em caso de expulsão. A conclusão das apurações é o que vai decidir a sanção aplicada, que pode variar de afastamento e advertência a expulsão. Para crimes mais graves, inquéritos são produzidos de forma paralela e remetidos à Justiça, que determina ou não a prisão. Os policiais também podem ser detidos em caso de flagrante. Quando uma vaga é aberta nas corporações, os agentes são repostos por meio de concursos públicos.
PAD. Na PM, o procedimento que decide ou não pela permanência de um policial na corporação se chama Processo Administrativo Disciplinar (PAD). De acordo com dados da corregedoria da corporação, entre 2014 e 2016 foram instauradas 346 dessas medidas. Entre esses processos, 185 (53%) resultaram na expulsão do servidor.
Nos primeiros meses deste ano, a corregedoria instaurou 23 PADs, que culminaram em 14 demissões, índice que representa 60% dos casos. O PAD é conduzido por uma comissão de três policiais indicados pela corregedoria.


Opinião

“A Polícia Militar é hierarquizada. O sistema de correção começa desde a ponta, cada comandante de batalhão tem poder disciplinar com relação aos policiais. Eles podem, inclusive, instaurar processos administrativos dependendo da falta cometida pelo militar.” Coronel Márvio Moreira, corregedor da PMMG
“As corregedorias são naturalmente corporativas, quando o crime cometido coloca em xeque a corporação, geralmente a punição é mais severa.” Robson Sávio, especialista em segurança


Vale do Jequitinhonha

Família sofre com impunidade

Há mais de dois anos, a família de um policial civil supostamente assassinado por um militar em Malacacheta, no Vale do Jequitinhonha, espera por uma resposta.
O crime aconteceu em setembro de 2014, quando o investigador estava escutando som alto na casa de sua mãe. A Polícia Militar chegou, e uma discussão entre agentes terminou com agressão física e tiros. “Ele (militar) continua trabalhando normalmente. Todos me perguntam o que aconteceu, mas ninguém (da PM) nunca me procurou, e o julgamento não foi marcado” conta a mulher da vítima.
A corregedoria da PM informou, em nota, que um auto de prisão em flagrante foi decretado. Um processo foi instaurado na Justiça Militar, que se declarou incompetente para julgar o caso por se tratar de um crime doloso contra a vida. Os autos foram encaminhados para a Justiça comum em outubro de 2014. (AD)


Saiba mais

Rigor. As polícias Militar e Civil informaram que investigam todos os fatos relacionados a cometimento de crimes ou comportamentos ilícitos.
Investigações. Os seis policiais militares suspeitos de revender armas em Ribeirão das Neves estão detidos, e o Processo Administrativo Disciplinar está em fase de instauração. Já o delegado suspenso por suspeita de receber propina para arquivar investigações está de licença médica, e os inquéritos administrativo e criminal estão em fase final.
Estado. A Polícia Militar tem atualmente 19 subcorregedorias, que abrangem todas as regiões de Minas Gerais. Já a Polícia Civil mantém um delegado ligado à corregedoria em cada uma das regionais. O policial é responsável por investigar casos leves e com menor potencial ofensivo, além de remeter as situações graves para Belo Horizonte.

Reforma para militar será 'mais próxima possível' de civis

Segundo ministro

O presidente Michel Temer espera para depois da Semana Santa o relatório sobre a reforma da Previdência, que está sobre os cuidados do deputado Arthur Maia

O Tempo
PUBLICADO EM 10/04/17 - 14h08
O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse nesta segunda-feira (10) que o governo federal pensa em colocar os militares também na reforma da Previdência.
Resultado de imagem para Militar idoso Com a proximidade dos debates sobre a reforma no Congresso, Oliveira disse que o governo quer uma proposta "mais próxima possível" dos termos propostos para o restante da população. No entanto, diz que os "militares têm suas particularidades".
Dyogo Oliveira participou de evento no Rio de Janeiro na manhã desta segunda-feira ao lado do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para falar sobre o tema.
Segundo Meirelles, o presidente Michel Temer espera para depois da Semana Santa o relatório sobre a reforma da Previdência, que está sob os cuidados do deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA).
Novo texto
Segundo Dyogo, o novo texto da reforma da Previdência, após negociação do governo federal com parlamentares, atenderá a demanda do Congresso, o que vai facilitar a aprovação das mudanças nas regras de aposentadoria. "O objetivo é tornar a proposta mais adaptada às questões que estão sendo discutidas no Congresso", afirmou o ministro, complementando que o texto que será levado nos próximos dias à Comissão Especial da Previdência trará adaptações que não chegam a desfigurar a proposta inicial.
"O relatório final será apresentado quando estiver pronto. Não há uma data específica. Mas a expectativa é que seja apresentado na próxima semana", afirmou. Segundo o ministro, o debate da reforma com os parlamentares é natural em uma democracia. "Temos que respeitar o espaço do Congresso. O mais importante é criar o diálogo", acrescentou.
Ele argumentou ainda que a Previdência consome dinheiro público que poderia ser destinado a outros segmentos. "É uma questão de para onde está indo o dinheiro. Está indo mais para a Previdência do que para a Saúde", disse o ministro, que apelou também para que os Estados promovam suas próprias reformas e não dependam exclusivamente do governo federal.
Todos os servidores
O secretário da Previdência Social do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, falou sobre os regimes previdenciários. Governos municipais e estaduais podem ser obrigados a promover mudanças em seus regimes previdenciários em um prazo a ser definido. Essa é uma das ideias discutidas com parlamentares que pode fazer parte do relatório final.
Em seminário no Rio, Caetano destacou que a intenção é que o mesmo regime valha para todos os grupos de trabalhadores. A tendência é que o relatório final apresente um modelo capaz de promover a convergência das regras válidas também para os servidores públicos, inclusive federais. Mas, para isso, seria necessário um período de transição.
Mesmo a Previdência dos militares poderá ser alterada. Segundo Caetano, mudanças estão sendo analisadas pelo Ministério da Defesa. As transformações, no entanto, deve atingir apenas os que estão na reserva, os reformados e pensionistas. O regime dos militares não será tratado na reforma previdenciária diretamente, mas pela Defesa, segundo o secretário.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Polícia Federal-MG recebe 120 pedidos de registro de armas por semana

Segurança

Delegacia nega 70% das solicitações de pessoas que querem ter objeto em casa para defesa

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Impulso. Filho de Ednalva Oliveira foi morto a tiros por dono de bar após um desentendimento
PUBLICADO EM 03/04/17 - 03h00
Ednalva Oliveira, 47, não aguenta falar do filho sem chorar, sem sofrer. “Se não tivesse a arma, ele não tinha matado meu filho”, diz a operadora de caixa, que guarda esse sentimento há um mês, desde que viu Guilherme Oliveira, 28, vivo pela última vez na porta de casa, no bairro Goiânia, na região Nordeste de Belo Horizonte. Ele havia acabado de levar seis tiros. À polícia, o dono do bar em frente ao prédio de Ednalva alegou ter atirado “sob forte emoção” e em “legítima defesa”. Naquele dia 1º de março, Oliveira assistia a um jogo de futebol no local e se desentendeu com o proprietário. Os dois se agrediram, e a vida de Oliveira acabou ali.

“Era um menino feliz, cheio de sonhos, não vai ver meu neto (de 6 anos) crescer. Foi muita covardia, ele já tinha quebrado o braço do Guilherme. Arma só dá a possibilidade de uma violência maior”, diz Ednalva.

Em Minas, por semana, chegam à Polícia Federal (PF), em média, 120 pedidos de registros de armas, mas cerca de 70% deles são indeferidos, conforme o delegado William Rotheia, chefe da Delegacia de Controle de Armas e Produtos Químicos. “Colocar uma arma na mão de um cidadão é muita responsabilidade”, pondera.

No caso do dono do bar, que responde em liberdade, a arma foi entregue para a Polícia Civil após o crime, mas não havia sido registrada antes, acrescentando o delito de posse ilegal. Desde que o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826) entrou em vigor, em 2004, o acesso legal a armas ficou mais restrito para a população.

Mas na Câmara dos Deputados, em Brasília, está em vias de ser votada uma proposta que revoga essas limitações com finalidade de “armar os cidadãos de bem que querem se defender dos bandidos”, como explica o relator do Projeto de Lei 3.722/2012, deputado federal Laudívio Carvalho (PMDB-MG). Ele acredita que a proposta deve ser aprovada ainda neste semestre, diante do contexto de violência e da “vontade das ruas”.

Defesa. Atualmente, a equipe da PF é responsável por autorizar ou não que pessoas comuns tenham a posse (manter a arma em casa ou no estabelecimento comercial) e o porte (andar armado na rua) para autodefesa.

Entre os principais argumentos dos defensores do Estatuto do Desarmamento, estão mortes como a do filho de Ednalva. A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MG) não tem estatística sobre assassinatos por motivação fútil, mas, em média, nove pessoas morreram por dia vítimas de arma de fogo no ano passado.

“Por que alguém que mora em um prédio de dez andares precisaria ter uma arma se os vizinhos não têm? Ele pode usar outros sistemas de segurança, como uma câmera”, exemplifica Rotheia, que autoriza a posse em casos especiais como o de uma pessoa que mora em uma casa isolada. “Mas não podemos dar arma para todos e formar uma milícia na cidade”, justifica.

Permissões. Mesmo com tantos critérios, o número de registros de posse de armas mais do que dobrou de 2014 para 2015 em Minas, passando de 1.071 para 2.696. No ano passado, foram 2.552 novos registros. “Nota-se que a população está com demanda por arma”, destaca Natália Pollachi, coordenadora de projetos da área de Justiça e Segurança do Instituto Sou da Paz.

O preocupante disso, nas palavras dela, é as pessoas considerarem que andar armado seja solução. “O risco de alguém que reage armado a um assalto é maior. Estudos mostram que há 56% a mais de chance de um roubo simples se transformar em latrocínio (roubo seguido de morte)”, argumenta.
Resultado. No referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições no Brasil, em outubro 2005, 63,9% da população disse “não”, permitindo o comércio de armas.


Foram concedidos 16 portes em 2016

Polícia Federal (PF) em Minas concedeu, em 2016, 16 registros de porte de armas a cidadãos comuns que comprovaram estar sendo ameaçados. Eles podem andar com a arma na cintura, assim como policiais, agentes penitenciários, promotores e juízes, que têm direito ao porte. Para o restante das pessoas, o acesso é muito difícil em razão da lei atual. A PF já recebeu até mesmo pedido de padre querendo andar armado.

O Projeto de Lei (PL) 3.722/2012 também quer facilitar esse processo, que dependerá somente do cumprimento de requisitos e de um curso de tiro de dez horas. “É algo irrisório”, acredita Natália Pollachi, do Instituto Sou da Paz. “É mais do que suficiente”, discorda Bene Barbosa, do Movimento Viva Brasil, crítico do desarmamento.

O PL foi aprovado por unanimidade na comissão especial da Câmara dos Deputados, em 2015, e, no dia 8 de março, foi protocolado pedido de urgência para votação na Casa.

domingo, 2 de abril de 2017

Jair Bolsonaro, um fantasma ronda o Planalto

Estadão Conteúdo

02/04/2017 - 10h30 - Atualizado 10h44
Deputado Jair Bolsonaro
Deputado Jair Bolsonaro
Um fantasma ronda o Palácio do Planalto. Esguio e de sorriso largo entremeado pelo cenho franzido no qual desponta um olhar desconfiado, Jair Bolsonaro é um homem de passos largos e - completam seus adversários - "ideias estreitas". Está no sétimo mandato parlamentar e, pelo ritmo de novos adeptos que conquista no Facebook - de 3 mil a 7 mil por dia -, cada vez mais se aproxima da campanha presidencial de 2018 como o principal candidato da extrema direita.

As mídias sociais são hoje o maior motor de seu fazer político. Para seus adversários - que Bolsonaro denomina genericamente como "a esquerda", na qual inclui PT, PCdoB, PSOL e até a Rede -, em 2018 o capitão reformado do Exército "representará para a extrema direita reacionária e saudosista da ditadura militar a oportunidade de sair do armário (palavras do deputado Chico Alencar, do PSOL-RJ)".

"Com sua forma bruta e tosca, ele agrada aos desencantados com a política", afirma Alencar. Com 11% nas intenções de voto para presidente da República segundo pesquisa CNT/MDA, de fevereiro, o deputado estava empatado em segundo lugar.

As polêmicas nas redes sociais, onde combate "o politicamente correto", fizeram o deputado passar a falar para fora de seus clientes tradicionais do meio militar. Bolsonaro deixou de ser apenas um capitão do Exército para se tornar também o arquétipo do tio conservador que toda família do interior do País abriga. Quer ordem na escola, ordem na família, quer ordem, enfim. "Há excesso de direitos no Brasil", diz.

Ele é, para o professor de Ciência Política José Álvaro Moisés, da USP, expressão de um fenômeno que tem um componente de crítica às instituições e aos políticos e de rejeição a temas identitários e de direitos humanos. "É uma crise das elites em um certo sentido, que perderam a capacidade de mobilizar a sociedade." De 12% a 13% dos eleitores pensariam como o deputado. "É o que mostram as pesquisas."

Bolsonaro tem 1,85 metro de altura e é um homem sorridente. Em uma hora de caminhada pelo Congresso atendeu a 61 pedidos de selfies e fez 12 gravações de mensagens distribuídas pelo WhatsApp ou Facebook. Um dos que posaram ao lado do deputado foi o técnico do time de basquete da Francana, Hélio Rubens Garcia Filho, o Helinho. Horas mais tarde, longe da Câmara, Helinho diria que tirou a foto só por curiosidade. "Quem mais me impressiona hoje na política é o Doria (João Doria, prefeito de São Paulo)."

Seguidores 
Recebido em aeroportos do país por centenas de pessoas aos gritos de "mito", Bolsonaro leva nas viagens assessores que cuidam das redes sociais. De acordo com o indicador de alcance social da consultoria Bites, que soma os fãs e seguidores do Facebook, Twitter, Instagram, YouTube e Google+, o deputado saltou de 44 mil seguidores, em março de 2015, para 5,04 milhões até sexta-feira, crescimento de 11.344%. Entre 1.º de fevereiro e 20 de março, seus posts no Facebook geraram 1.038.672 de compartilhamentos, o que mostra como ele distribui suas ideias.

E nenhuma ideia lhe é mais cara do que os ataques à distribuição nas escolas do que ele chama de "kit gay", o material anti-homofobia preparado pela ONG Pathfinder para o Ministério da Educação na gestão de Fernando Haddad (PT). O post Livros do PT alcançou 38,4 milhões de pessoas e o vídeo que ele trazia foi assistido por 8,2 milhões. "Para o PT, brevemente a pedofilia deixará de ser crime", diz Bolsonaro. "O kit gay foi uma catapulta na minha carreira política", reconhece.

A gestão de Haddad informou que "o chamado kit gay nada mais era do que material técnico para formação de professores". Haddad ocupa um espaço especial no gabinete do deputado em Brasília. Bolsonaro pendurou na porta a foto do petista no aperto de mão de Lula com deputado federal Paulo Maluf (PP), em 2012. Sobre Bolsonaro, Haddad conclui: "O Brasil está em busca de um estadista, e não de um palhaço".

Brigas 
É o deputado quem comenta os posts em seu Facebook. Ali, ele agradece o apoio e até briga com os seguidores. Em 2 de março, um deles o questionou sobre o pacote anticorrupção. Resposta de Bolsonaro: "Você é a prova viva dessa matéria. Parabéns, só falta o DIPROMA". "Ele é fake ou é um mortadela contratado que tem cérebro de ovo cozido", explica Bolsonaro. Outro dia, conta o deputado, uma pessoa entrou em seu perfil e escreveu: "Deputado, esse seu projeto é uma bosta". "Eu falei: ‘Muito obrigado, tem a sua cara’."

No Carnaval, compartilhou um vídeo do humorista Rudy Landucci, que criou o personagem Beiçonaro. Na paródia de Mamãe eu Quero, Beiçonaro canta: "Mamãe eu quero executar/os comunista/os comunistas/ pro Brasil melhorar". "Um dia ele (Bolsonaro) foi me procurar e me ligou como se fosse um trote. Ele entrou na brincadeira", conta Rudy.

"O grande adversário de Bolsonaro nas redes sociais não é Aécio nem Lula. É Doria", diz Manoel Fernandes, diretor da Bites. De um total de 47 milhões de interações dos últimos 300 posts das fanpages de Doria, Bolsonaro, Lula e Aécio, Doria teve 23,3 milhões de interações, seguido por Bolsonaro (14,7 milhões), Lula (8,1 milhões) e Aécio (985 mil).

Bolsonaro faz planos. "Ele pensa no País acima de tudo", diz o amigo coronel Ney Müller. Se presidente, o deputado queria ter como conselheiro Delfim Netto e o general Augusto Heleno em seu ministério. Como vice na chapa em 2018, pensa no ex-governador do Piauí Mão Santa.

Contrário à independência do Banco Central, ao casamento gay, às cotas raciais e ao Estatuto do Desarmamento, o deputado citou sete vezes o presidente americano Donald Trump em quatro horas de entrevista ao falar de como lidar com a questão ambiental, a exploração de minérios em terras indígenas e perguntas embaraçosas da imprensa. "Daria uma de Trump: ‘Fake news, passa para outro’." E alertou: "Vocês (jornalistas) vão bater tanto em mim que vão fazer a minha campanha." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

96% dos PMs se aposentam antes dos 50 anos de idade

Estadão Conteúdo

Hoje em Dia - Belo Horizonte
02/04/2017 - 09h42 - Atualizado 10h39
MAIS POLICIAMENTO – Novos veículos são uma reivindicação surgida durante os Fóruns Regionais de Governo
MAIS POLICIAMENTO – Novos veículos são uma reivindicação surgida durante os Fóruns Regionais de Governo
Entres as categorias de servidores estaduais com direito à aposentadoria especial, a que mais chama a atenção é a dos policiais militares, os PMs. Na média, 96% se aposentam antes de completar 50 anos, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Entre os policiais civis, essa parcela cai para 75%. É ainda menor entre professores: 64% do total deixam a sala de aula antes dessa idade. As entidades que representam os PMs concordam que é cedo para deixar a farda, mas explicam que para prolongarem o tempo de serviço é preciso reestruturar as carreiras na corporação.

Dois fatores básicos seriam responsáveis pela precocidade nas aposentadorias da PM, segundo os próprios integrantes. O primeiro é que a maioria trabalha nas ruas, no corpo a corpo diário com a violência, diz o cabo Wilson Morais, presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Pelas conta de Morais, quase 80% do efetivo está na linha de frente, sem alternativa de migrar para um escritório quando ficam mais velhos.

A segunda razão é que há várias regras limitando a permanência. Cada Estado tem uma regra para a aposentadoria na PM e ela costuma variar conforme a patente. Em São Paulo, soldados e cabos se aposentam com 30 anos de contribuição ou aos 52 anos. Se não, vem a aposentadoria "expulsória". Devem sair, quer queiram ou não - e a maioria quer, mesmo "amando" a PM, diz Morais. "Imagine que a sua vida é ficar na viatura, na rua, atrás de marginal, dia e noite, faça calor, frio ou chova, vendo colegas morrendo e você, matando. Deu 30 anos, estão doidos para ir embora e, como a maioria entra cedo, isso pode acontecer antes dos 50."

Várias outras regras levam à aposentadoria precoce. Morais se aposentou aos 44 anos porque se elegeu deputado - militar na ativa não pode ter cargo público. Mas ele se considera um privilegiado por outro aspecto. "Eu entrei na PM em 1975, numa turma de 44 colegas. Estou com 62 anos. Sabe quantos estão vivos? Sete, comigo." Segundo Morais, muitos PMs morrem antes dos 50 anos, em serviço. Alguns vivem mal porque não aguentam a pressão. Começam a beber ou usar drogas ainda na ativa, perdem produtividade e pioram na aposentadoria. "O PM passa a vida na rua, pela corporação ou fazendo bico, porque ganha mal, e quando para não aguenta ficar em casa, acaba no bar e morre cedo", diz.

Projeto
Para aliviar o déficit da Previdência de São Paulo, que já bateu em R$ 17 bilhões, segundo levantamento do Ipea, o governo do Estado tenta criar uma alternativa para prolongar a permanência dos PMs. Em fevereiro, o governador Geraldo Alckmin encaminhou à Assembleia Legislativa o projeto de lei que dá a opção de ficar na ativa até os 60 anos, mas em funções administrativas. "Como a ampliação do tempo pode garantir aposentadoria integral e a proposta é opcional e para cargo administrativo, a gente apoia - se fosse obrigatória ou para manter o cara na rua até 65 anos, o que seria desumano, iríamos contra", diz Morais.

Em cargos superiores, as idades - e limitações - são outras. Sargentos e subtenentes trabalham até os 56 anos. Tenentes e coronéis, até os 60 anos. Com um detalhe no topo: a aposentadoria é obrigatória cinco anos após o PM ser promovido a coronel. São Paulo tem um bom exemplo. Em março, tomou posse como comandante da PM o coronel Nivaldo Restivo, de 52 anos de idade, mas 35 de serviços prestados em funções sofisticadas, como dirigente da Rota e do Gate. Como foi promovido a coronel em 2013, deve se aposentar no ano que vem.

"Não sei se a corporação vai gostar do que vou dizer, mas penso assim, a PM perde os seus talentos com as regras atuais. Oficias bem formados, que poderiam estar em funções de gestão, se aposentam cedo e vão atuar em empresas privadas", diz capitão Marco Aurélio Ramos de Carvalho, vice-presidente da Associação dos Oficiais Militares de São Paulo.

Para ele, a PM foi "uma família". "Tudo que tenho devo à corporação: entrei com uma mão na frente outra atrás, como dizem no interior." Fez Educação Física e Direito. Cumpriu o tempo previsto e saiu. Prestou concurso e entrou no Ministério Público, onde se aposentou. Ainda hoje, aos 70 anos, advoga. "Poderia estar contribuindo com a PM até agora."

Carvalho se preparou para participar das negociações da reforma da Previdência e ficou surpreso quando os servidores estaduais foram excluídos. "Era melhor a gente negociar uma forma de a corporação aproveitar a experiência de quem está dentro e, ao mesmo tempo, resolver o problema da Previdência, porque não tem jeito: a gente vive mais e não há caixa que aguente isso."

Na associação, há vários exemplos de longevidade. O presidente, coronel Jorge Gonçalves, fez 87 anos na sexta-feira. Dizem que é imbatível na sinuca. Todas as tardes, vários reservistas se reúnem para jogar dominó. O tenente Abel Barroso Sobrinho, de 85 anos, é presença cativa. Se aposentou aos 51 anos, com 30 de serviço. Está há 34 anos na reserva. Fez a segunda carreira na arbitragem de futebol - onde atua até hoje. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.