quinta-feira, 11 de maio de 2017

POLÍCIA MILITAR DE BANDEIRA/MG APREENDEU DUAS ARMAS DE FOGO


A guarnição policial realizava operação policial e quando se deslocava por uma estrada vicinal, avistou dois indivíduos numa motocicleta, que ao perceber que seriam abordados, empreenderam fuga largando para trás um saco e adentraram num matagal, não sendo possível mais a perseguição.
Os policiais averiguaram o saco e encontraram no seu interior um revólver calibre .38 munciado com cinco cartuchos e uma cabina calibre .22 que foram apreendidas e entregues na delegacia de Almenara. Os autores não foram identificados.
EQUIPE
SGT WELLINGTON
SGT GERSON
CB DIOGO
CB WESLEY
SD JULIANO
SD LUIDIO

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Nova estrutura: Minas Gerais amplia serviços aéreos

Hoje em Dia
horizontes@hojeemdia.com.br
10/05/2017 - 06h00
Minas Gerais vai ampliar os serviços aéreos com o Comando de Aviação do Estado (Comave). A nova estrutura de coordenação e gestão das aeronaves estaduais, oficializada ontem, vai estabelecer a utilização integrada da frota, expandir a capacidade de resposta e iniciar a formação de uma malha aérea para o Estado.
Além de reduzir despesas, como explica o comandante do Comave, coronel Rodrigo Sousa, a criação do comando está alinhada às estratégias do Governo de Minas, de atuar cada vez mais perto das pessoas e das regiões do estado.
Com isso, o governo estadual vai, ao mesmo tempo, reduzir gastos e aumentar a capacidade de realização de serviços com as aeronaves para toda a população, como atividades médicas e transporte de órgãos vitais, ocorrências policiais e de prestação de socorro, entre outros.
Até então, os órgãos de aviação atuavam de forma segmentada, o que interferia na capacidade de resposta a todas as regiões de Minas Gerais. Com o Comave, a ideia é que se reduza o tempo de atendimento e de resposta em até uma hora e meia para qualquer ponto do território mineiro
“Atende a uma necessidade de tornar possível avançar mais com o serviço de aeronaves”, observa o comandante.
“Inicialmente, a proposta é integrar os serviços, com maior controle e coordenação, para, a partir daí, expandir a atuação para todas regiões e, também, paulatinamente, consolidar a formação de uma malha da aviação”, explica.
Redistribuição
Um dos resultados previstos com a coordenação única é, de acordo com o coronel, ampliar o atendimento, com a redistribuição de uso das aeronaves e criação de bases no modelo multimissão (com capacidade para realização de diversos serviços, como resgate, fiscalização, policiamento etc).
A vinculação da frota ao Comave, com a estratégia de integração, inclusive, terá papel fundamental no aumento da cobertura geográfica, da quantidade de atendimentos e na otimização dos recursos.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Polícia investiga acidentes com pistolas Taurus na Bahia e no RN

Aliny Gama
Colaboração para o UOL, em Maceió
  • Divulgação
    Pistola Taurus modelo 24/7, usada por policiais da Paraíba
Pistola Taurus modelo 24/7, usada por policiais da Paraíba Dois incidentes ocasionados por disparos de armas de fabricação da Forjas Taurus utilizadas pela PM (Polícia Militar) da Bahia e do Rio Grande do Norte estão sendo investigados pela perícia técnica dos Estados. Uma policial militar da cidade de Macaúbas (BA) foi atingida por um tiro no rosto e está em coma. O outro caso foi de um agricultor que morreu com um tiro na cabeça no município de Pau dos Ferros (RN), no último dia 13. Há suspeita de que as armas tenham entrado em pane e disparado sem acionamento do gatilho.
Relatos de casos de pane em armas da Taurus já foram registrados em quase todos os Estados brasileiros. Um site chamado "vítimas da Taurus" contabiliza que pelo menos 109 pessoas -- dentre policiais, agentes penitenciários e pessoas que têm porte de arma. Procurada pelo UOL, a empresa não se manifestou sobre os casos recentes da Bahia e do RN.
A PM Jaqueline Ribeiro de Oliveira, 32, trabalha na 4ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar) de Macaúbas. No último dia 11, ela estava de serviço, mas foi à residência ver como as filhas estavam e a arma disparou atingindo-a no rosto. A policial foi socorrida para o hospital municipal e, devido ao estado de saúde grave, foi transferida para UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital de Barreiras, onde permanece em coma.
"Tudo indica que foi um disparo acidental, pois não havia sinais de suicídio. A arma foi encaminhada para perícia técnica no município de Bom Jesus", afirmou o tenente Daniel Bras, da 4ª CIPM. A arma da policial é uma PT-100 da Taurus.
No RN, um tiro deflagrado por uma pistola Taurus 24/7 supostamente com problemas matou o agricultor Ubiratan Alves, 23, no município de Pau dos Ferros. Ele estava observando uma ação da PM quando foi atingido por um tiro na cabeça e morreu no local.
O policial militar que usava a arma se apresentou à delegacia depois do ocorrido e alegou que a pistola disparou sem que ele acionasse o gatilho. Ele não teve a identidade divulgada. A arma do policial foi recolhida pela Polícia Civil e encaminhada para ser periciada no Itep (Instituto Técnico-Científico de Polícia) de Mossoró.
O policial ficará afastado das ruas até que o processo administrativo seja concluído. Ainda não há previsão de quando sairá o laudo da perícia feita na arma.
As polícias Militar da Bahia e do Rio Grande do Norte informaram que aguardam conclusão da perícia nas armas para se pronunciarem sobre o assunto. Não há previsão de quando sairá o resultado.

Falha durante reação a assalto

Em julho de 2015, o policial militar Pablo Nascimento da Cunha estava saindo de um banco na avenida Pedro II, em João Pessoa, quando foi abordado por um ladrão. Ele reagiu ao assalto, mas não esperava que a pistola Taurus que portava travasse no momento do disparo. Com a arma em pane, o policial travou luta corporal com o assaltante e acabou baleado na perna.
"A arma travou três vezes em menos de 20 segundos. A pistola não efetuou disparo quando puxei o gatilho. As munições foram submetidas a perícia e foi constatada que a marcação da espoleta não foi suficiente para disparar", contou o policial, destacando que tem 22 anos de experiência e é instrutor de tiro campeão brasileiro desde 1997. A munição usava pelo policial era original, de fabricação da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), pertencente à Forjas Taurus.
Cunha ingressou com uma ação civil contra a Forjas Taurus cobrando punição pelos danos morais e materiais. Duas audiências já foram realizadas e ele aguarda julgamento do caso. "Uso prótese na perna e não tenho mais a saúde que tinha. Sinto dores intensas no fêmur e não consigo me locomover como antes", conta.

Falha no teste

Policial mostra falha de pistola Taurus durante treino na Paraíba

Um policial civil da Paraíba, que pediu para não ser identificado, contou ao UOL que a pistola Taurus modelo 24/7 que ele recebeu do governo do Estado quando ingressou na Polícia Civil em 2016, apresentou falhas de disparos ainda no teste. Segundo o policial, dos 20 disparos feitos no teste, nove balas ficaram travadas na arma.
"Tem muitos casos de falha de pistolas Taurus que não disparam ao atirar ou disparam sem acionar o gatilho. Quando recebi a minha arma, de 20 disparos de teste, falhou em nove. As de alguns colegas aqui já falharam em ação. Observei no teste que a minha arma sempre falhava no terceiro ou quarto disparo", contou o policial.
"Acontece de a arma estar funcionando, porém de uma hora para outra quebra uma peça ou um mecanismo para de funcionar. Não dá para prever que ela vai falhar. Eu sempre mantenho a minha arma limpa e devidamente lubrificada, mas não confio de forma alguma. É tenso trabalhar com um equipamento que pode falhar a qualquer momento. Em caso de falha em ação, o policial corre extremo risco de morte", destaca o policial.

Mais falhas

Sete agentes penitenciários do Rio Grande do Norte ingressaram com ação judicial pedindo o ressarcimento dos valores pagos na aquisição de pistolas .380, modelo 638 da Taurus, adquiridas para uso pessoal, e pagamento de danos morais pelo risco de morte que eles correm ao usar as armas que podem falhar a qualquer momento.
Segundo o advogado Jorge Ricardo Jales, o grupo decidiu buscar a Justiça depois que as armas apresentaram falhas em treinos e cursos de tiro. Jales afirma que as armas apresentaram o mesmo defeito: travamento no momento do disparo.
"A bala engancha na câmara de combustão quando o gatilho é acionado. Para efetuar o disparo, precisa-se retirar e recolocar o carregador e a munição. Solicitamos perícia para ser realizada nas armas para comprovar as falhas que estão sendo apresentadas até mesmo com uso de munição original. O pessoal já não confia mais nessas armas", disse o advogado.
Delegado Renato da Silva Oliveira, titular da delegacia da cidade de Apodi, conta que pistolas da Taurus já falharam nas mãos dele durante treinamento de tiros e, atualmente, por precaução, ele adquiriu armas fabricadas na Tchecoslováquia para proteção pessoal.
"Cheguei a pegar uma pistola do governo do Estado modelo 24/7 que quando balançava ela disparava. Durante treinos com uma pistola .380 observei  que a arma efetua o disparo e engancha no terceiro tiro. Quando ela trava, temos de tirar o carregador e a munição da câmera que não foi deflagrada para voltar a usá-la. Porém, a sequência de tiros durante ação de combate é fundamental para a vida do policial. Se sua arma não dispara num momento desses, você está morto", afirma Oliveira.

Outro lado

A Secretaria da Segurança e da Defesa Social da Paraíba informou que tem conhecimento dos acidentes envolvendo a Taurus ocorridos no país, mas afirmou que não existe nenhum registro formal envolvendo a pistola Taurus 24/7 na Gerência Executiva de Armas e Munições.
"Nesse sentido, desde que detectados problemas, com registros formais, pode-se substituir o equipamento. Contudo, o controle sobre a fabricação de armamentos no país é do Exército Brasileiro", disse a secretaria, sem justificar o porquê de pistolas Taurus 24/7 continuarem sendo adquiridas pelo governo da Paraíba para policiais do Estado.
A Taurus informou não ter conhecimento e disse não ter sido notificada sobre casos de disparos acidentais ou travamento de pistolas 24/7 envolvendo policiais da Paraíba. A empresa não se manifestou sobre as denúncias ocorridas no Rio Grande do Norte e na Bahia.
A indústria de armas afirmou ser vítima de "ataques inconsistentes, sem respaldo técnico e que sempre que há alegação de disparo acidental e falha no mecanismo de disparo de uma arma". Para que isso seja detectado, segundo a Taurus, é necessário realizar perícias para verificar a verdadeira causa do incidente.
"Todas as perícias realizadas até hoje dentro das normas aplicáveis comprovam que não há defeito ou falha no projeto ou nos mecanismos de segurança e funcionamento dos produtos Taurus", afirmou a indústria, destacando que desde 2015 iniciou programa gratuito de revisão e manutenção de armas, oferecido a todos os clientes do Brasil.
O Exército Brasileiro informou ao UOL que instaurou procedimento investigativo em 2016 para verificar a qualificação da Forjas Taurus na fabricação de armas de fogo. O processo está em andamento, sem data para conclusão.


Polícia investiga acidentes com pistolas Taurus na Bahia e no RN 2 Aliny Gama Colaboração para o UOL, em Maceió 05/05/201704h00 > Atualizada 05/05/201704h01 Ouvir texto 0:00 Imprimir Comunicar erro Divulgação ... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/05/05/policia-investiga-acidentes-com-pistolas-taurus-na-bahia-e-no-rn.htm?cmpid=copiaecola

Câmara Municipal de Bandeira-MG, homenageia Cabo da Polícia Militar

Em data de 04 de Maio de 2017 a Câmara Municipal de Bandeira-MG, através de sua Presidente Maria Isabel Novais Lopes,  homenageou o Cabo PM Vicente César dos Reis pelos excelentes serviços prestados a população Bandeirense durante o tempo que permaneceu lotado no Destacamento da Polícia Militar de Minas Gerais em Bandeira. Recentemente o mesmo foi transferido para sua Cidade Natal Pedra Azul-MG.








Até fim de maio, podemos apresentar reforma para militares, diz Temer

Previdência

Para que o texto seja aprovado, o presidente afirmou que o Planalto vai intensificar o trabalho de falar ao povo "a verdade" sobre a reforma e assim convencer os deputados até aprovarem o texto

temer
Presidente falou ainda que há uma imagem que ele veio para destruir a Previdência
PUBLICADO EM 05/05/17 - 06h59
O presidente Michel Temer (PMDB) afirmou na noite desta quinta-feira (4) em entrevista à RedeTV! que o governo enviará até o final de maio, "provavelmente", uma proposta de reforma da Previdência para os militares. A definição foi feita em reunião com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, na terça-feira (2), afirmou.
Na entrevista gravada na terça, antes da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara, e veiculada na noite desta quinta-feira, o presidente afirmou que fará o possível para aprovar a proposta que está na Casa, mas que estará obediente às decisões da Câmara e do Senado. Ele disse ainda que o governo colocou "um pouco de açúcar" no texto ao fazer ajustes, mas que o remédio precisaria ser amargo e sem açúcar.
"Remédio amargo é aquele que cura, para o fígado, o estômago. Chá de boldo, e não botar açúcar. Até estamos dando um pouco de açúcar", disse o peemedebista, ao falar da proposta.
Para que o texto seja aprovado, o presidente afirmou que o Planalto vai intensificar o trabalho de falar ao povo "a verdade" sobre a reforma e assim convencer os deputados até aprovarem o texto. "Se o povo fica convencido, facilita o voto do deputado. É um trabalho que vamos fazer a partir de agora", disse. O presidente evitou falar quantos votos o governo tem dos 308 necessários para aprovar o texto no plenário da Câmara, mas destacou que "até hoje, não perdemos uma votação."
Ele disse que as pessoas se negam a acreditar que a reforma do governo "está muito adequada". E ainda apontou que quem está fazendo campanhas contra a proposta é quem ganha mais. "Se não for feita, uma reforma da Previdência será inevitável em quatro ou cinco anos", afirmou.
Ele destacou as concessões feitas, como para trabalhadores rurais e mulheres - estas tiveram a idade mínima reduzida de 65 para 62 anos. "Foram ajustamentos que não são levados a conhecimento público, as pessoas se negam a achar que, enfim, a reforma está muito adequada", declarou Temer.
O presidente disse ainda que levantamentos feitos entre deputados e a sociedade sobre a reforma da Previdência não estão acompanhados da pergunta correta. "Se você me perguntar: você é a favor ou contra a reforma da Previdência? Eu vou dizer: Sou contra", disse Temer, para quem a pergunta deveria ser no sentido de mostrar o resultado de uma eventual frustração na reformulação da Previdência. "Se for feita amanhã e não houver nada, não vai ter 10% de investimento [no orçamento]. Se vier depois de amanhã, não vai ter como pagar aposentadorias e salários", disse Temer. O presidente falou ainda que há uma imagem que ele veio para destruir a Previdência.
Comentando a oposição de alguns membros da Igreja Católica contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência, Temer disse que as informações não chegaram aos bispos corretamente. Ele disse que já acertou com a Confederação Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB) a elaboração de um documento esclarecendo a reforma para ser enviado aos bispos e ao Papa Francisco. 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Exército dos EUA participará de exercício militar na Amazônia a convite do Brasil

  • Divulgação/Exército Brasileiro
Tropas americanas foram convidadas pelo Exército brasileiro a participar de um exercício militar na tríplice fronteira amazônica entre Brasil, Peru e Colômbia em novembro deste ano.
Segundo o Exército, a Operação América Unida terá dez dias de simulações militares comandadas a partir de base multinacional formada por tropas dos três países da fronteira e dos Estados Unidos.
Descrita pelas Forças Armadas como uma experiência inédita no Brasil, a base internacional temporária abrigará itens de logística como munição, aparato de disparos e transporte e equipamentos de comunicação, além das tropas. O Exército afirma que também convidou "observadores militares de outras nações amigas e diversas agências e órgãos governamentais".
A operação é parte do AmazonLog, exercício militar criado pelo Exército brasileiro a partir de um atividade feita em 2015 pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Hungria, da qual o Brasil participou como observador.
À BBC Brasil o Exército brasileiro negou que a atividade sirva como embrião para uma possível base multinacional na Amazônia, como aconteceu após o exercício da Otan citado como base para a atividade.
"Não. Ao contrário da Otan, a qual é uma aliança militar, o trabalho brasileiro com as Forças Armadas dos países amigos se dá na base da cooperação", responderam porta-vozes do Exército.
"Com uma atividade como essa, busca-se desenvolver conhecimentos, compartilhar experiências e desenvolver confiança mútua", afirmou a corporação.
Apesar do ineditismo do comando multinacional na região amazônica, esse não é o primeiro exercício mútuo entre as Forças Armadas de Brasil e EUA no país. No ano passado, por exemplo, as Marinhas das duas nações fizeram uma atividade preparatória para a Olimpíada no Rio de Janeiro, envolvendo treinamentos com foco antiterrorismo.
Em 2015, um porta-aviões americano passou pela costa do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro para treinamento da Força Aérea Brasileira (FAB).
Entre as metas da operação prevista para novembro, segundo o Exército brasileiro, estão o aumento da "capacidade de pronta resposta multinacional, sobretudo nos campos da logística humanitária e apoio ao enfrentamento de ilícitos transnacionais".

'Reaproximação'

A operação vem no esteio de uma série de novos acordos militares pelas Forças Armadas de Brasil e Estados Unidos e visitas de autoridades americanas a instalações brasileiras com o objetivo de "reaproximar" e "estreitar" as relações militares entre os dois países.
Em março, o comandante do Exército Sul dos Estados Unidos, major-general Clarence K. K. Chinn, foi condecorado em Brasília com a medalha da Ordem do Mérito Militar. O comandante americano visitou as instalações do Comando Militar da Amazônia, onde a atividade conjunta será realizada em novembro.
De acordo com a Defesa dos Estados Unidos, o Exército Sul é responsável por realizar operações multinacionais com 31 países nas Américas do Sul e Central.
Um dia antes de o Exército americano inaugurar um centro de tecnologia em São Paulo para "desenvolver parcerias com o Brasil em projetos de pesquisa com foco em inovação", em 24 de março, o Ministério da Defesa do Brasil e o Departamento de Defesa dos EUA assinaram o Convênio para Intercâmbio de Informações em Pesquisa e Desenvolvimento, ou MIEA (Master Information Exchange Agreement), na sigla em inglês.
Na ocasião, o secretário Flávio Basilio, da Secretaria de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa (Seprod) afirmou que o documento funciona como "base para se estabelecer qualquer tipo de cooperação bilateral com os Estados Unidos".
Acordos de intercâmbio como esse não precisam de aprovação do Congresso Nacional. "É mais um passo no sentido de nos reaproximar dos americanos, possibilitando parcerias importantes na área tecnológica que representarão um incentivo importante para a nossa Base Industrial de Defesa e para o País como um todo", disse o secretário.
Em 3 de abril, o Ministério da Defesa anunciou em evento na embaixada americana que o Brasil e os Estados Unidos desenvolverão "um projeto de defesa" em conjunto.
O ministério não respondeu aos pedidos de entrevista da BBC Brasil para comentar os acordos fechados com os Estados Unidos e os detalhes sobre o projeto bilateral.
Já a embaixada dos Estados Unidos em Brasília disse que o país "está satisfeito de ter sido convidado junto a outras nações parceiras regionais para participar" do exercício na Amazônia e que "busca expandir e aprofundar parcerias de defesa com o Brasil".
"Durante o último ano, nós finalizamos uma série de compromissos-chave relacionados a Defesa (entre EUA e Brasil)", afirmaram porta-vozes da embaixada americana. "Olhando para o futuro, outros acordos estão em discussão, incluindo suporte logístico, testagem e avaliação em ciência e tecnologia e trocas científicas."
Em outubro, haverá um novo encontro sobre a indústria de Defesa dos dois países, em Washington. O Exército brasileiro também trabalha para organizar a ida de um batalhão de infantaria do Brasil para treinamento uma brigada do Exército americano em Fort Polk, na Lousiana, no segundo semestre de 2020.

Tríplice fronteira

A base da atividade será a cidade de Tabatinga (AM), que faz fronteira com Letícia (Colômbia) e Santa Rosa (Peru).
A BBC Brasil visitou a região no início desse ano - na ocasião, militares e policiais federais disseram que não são capazes de evitar a realização de atividades ilícitas como tráfico de armas e drogas pelos imensos rios da região.
Mas apesar de citar crimes transfronteiriços nos documentos do Amazonlog, o Exército afirmou que o foco da atividade é de preparação para situações humanitárias.
Questionada pela reportagem sobre como as Forças Armadas dos EUA poderiam apoiar o Brasil em áreas como violência e tráfico de drogas, armas e pessoas, a embaixada americana afirmou que "o Brasil é um parceiro confiável e respeitável", que as forças armadas dos dois países "têm áreas de conhecimento e experiência que compartilham rotineiramente umas com as outras" e que "a maioria das atividades bilaterais de cooperação em defesa entre nossas forças armadas são trocas entre especialistas".
"É um exercício inédito no âmbito da América do Sul. É a primeira vez que vamos montar uma base logística internacional", diz o general Theofilo Gaspar de Oliveira, responsável pelo Comando Logístico da Força, em Brasília, e um dos organizadores do AmazonLog.
"Um dos objetivos é fazer uma fiscalização maior na região e criar uma doutrina de emprego para combater os crimes transfronteiriços, que afetam aquela região na famosa guerra de fronteira que hoje alimenta a nossa guerra urbana existente nos grandes centros", afirma o general, em vídeo promocional do evento.

Análise

Para o cientista político João Roberto Martins Filho, professor da Universidade Federal de São Carlos e ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa, "a aproximação do Exército brasileiro ao dos Estados Unidos sinalizaria uma mudança de postura entre os dois países, que agora têm novos presidentes".
"Esta maior aproximação seria uma ruptura do que vem acontecendo desde 1989, que é um afastamento dos EUA pelo Exército do Brasil", diz Martins Filho.
"No fim da Guerra Fria, o Brasil se deparou com um país (EUA) que era aliado estratégico e que de repente começou a agir de forma totalmente independente, como superpotência única. Isso provocou uma reação de hiperdefesa da Amazônia e de afastamento."
Ele cita o acordo para a construção de submarinos com a França em 2011 e a compra de caças suecos em 2013 como exemplos desse afastamento e diz que, por ora, os anúncios entre as Forças Armadas brasileiras e americanas não devem ser "superestimados".
"Do discurso para a prática há sempre um intervalo", diz.
Fundador e líder do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional da Unesp e coordenador de Segurança Internacional, Defesa e Estratégia da Associação Brasileira de Relações Internacionais, o filósofo Héctor Luis Saint Pierre "diverge gentilmente" do colega.
Saint Pierre cita a atenção dos Estados Unidos sobre a situação política na Venezuela - Donald Trump citou o país em conversas com Michel Temer e com os presidentes da Argentina, Peru e Colômbia.
"Há um respeito na América do Sul pela escola militar brasileira. Então, o Brasil é um parceiro estratégico para a formação doutrinária dos militares do continente. Se os EUA têm a simpatia do Exército do Brasil, é mais fácil espalhar sua mensagem entre os militares sul-americanos", diz.
"Uma alternativa a ser pensada seria uma intenção dos EUA de quebrar a expectativa de uma parceria sul-americana neste momento político", diz. "A Venezuela é um problema quase de honra para os Estados Unidos."
O especialista também cita o crescimento da China como produtor de equipamentos militares e armamento.
"Há uma grave preocupação nos EUA com o incremento do comércio da China com a América Latina também em termos de armamento. Os EUA gastaram US$ 650 bilhões com Defesa - a China gastou menos de 10% disso, mas ainda assim já esta produzindo porta-aviões com bom nível tecnológico. Se os Estados Unidos conseguem se aproximar o Brasil para sua zona de influência, eles estancam este prejuízo", afirma.
Para o professor, a aproximação americana também poderia ser motivada por interesses econômicos.
"Tenho notado oficiais defendendo a tese de que não precisamos de autonomia tecnológica nas Forças Armadas se podemos contar com parcerias com países como os Estados Unidos. Normalmente se imagina que um oficial militar, do país que for, seja um nacionalista. Mas essa é uma perspectiva liberal nas Forças Armadas que vem ganhando força."
O professor explica: "Hoje a questão estratégica está subordinada ao negócio. A indústria do armamento é a que mais floresce no mundo. Não é preciso uma guerra: a ameaça de guerra já é suficiente para mover este tipo de negócio. Muitas atividades militares, inclusive, são muito mais guiadas pelos negócios militares do que por uma lógica política", afirma.