Linda tarde de sol
A surpresa da lesada veio quando chegou à delegacia responsável pela área, que fica na esquina da avenida do Contorno com a rua Carangola. Lá ela foi atendida por um policial, que a ouviu atentamente e, depois do relato, respondeu-lhe lamentando como, também para ele, o policial, são chatas essas circunstâncias. Relatou à queixosa que também havia tido o carro furtado, nas proximidades daquela delegacia, há uns dez dias, sem tê-lo ainda encontrado e sem muita esperança para tal. Queixou-se do descaso dos governos para com a Polícia Civil, da falta de material, de equipamentos, de funcionários e de agentes, especialmente quando comparados os recursos destinados à Polícia Militar para compra de viaturas, instalações, armas e propriamente a contratação de efetivos.
O BO da PM ele se recusou a receber, com o convincente argumento de que nos arquivos daquela delegacia já se achavam mais de 16 mil BOs iguais sem qualquer função prática; aquele seria o 16.001.
Pediu apenas que a delegada não ouvisse o comentário, mas que isso é o absolutamente corriqueiro. O policial estava preocupado com o humor da delegada. Como cidadão, dane-se o humor de qualquer agente público. Quero providências. Para tal, pago impostos e cumpro com meus deveres. Delegado, investigador, secretário, juiz, promotor, governador, inspetor são servidores públicos. Que como tal se assumam e desempenhem suas responsabilidades funcionais.
Não é preciso dizer que depois de tanta sinceridade do policial e da constatação de que estamos inquestionavelmente desprotegidos, a vítima voltou pra casa, com a decisão de contratar alarmes e um serviço particular de segurança para sua guarda. Infelizmente a solução para essa situação, que atormenta toda a população acima de todos os limites, só virá quando a sociedade se unir para exigir respostas que não sejam falácias e desculpas. E nesse caminho, quando a polícia e seus agentes passam a ser vítimas da insegurança e da delinquência que corre solta, é possível imaginarmos que providências possam ser produzidas. Do jeito que estamos, o que esperar?
Resposta – Dr. Cylton Bandão (Chefe da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais)
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