Eleição
Juntos. Padilha recebeu o apoio do PCdoB ontem, quando
aproveitou para se defender das acusações de que teria ligações com
Youssef
PUBLICADO EM 27/04/14 - 03h00- O Tempo
Brasília.
A campanha do PT em São Paulo aflige o Planalto. A preocupação não é
apenas com o socorro do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, provável
candidato do partido à cadeira do governador Geraldo Alckmin (PSDB),
mas com a blindagem da presidente Dilma Rousseff no maior colégio
eleitoral do país.
A Polícia Federal levantou a suspeita sobre
Padilha após interceptar mensagens telefônicas trocadas entre o deputado
licenciado André Vargas (PR) com o doleiro Alberto Youssef, acusado de
liderar esquema de lavagem de dinheiro que usava, entre outras empresas,
o laboratório Labogen.
Em uma das mensagens, Vargas sugere o nome
de um ex-funcionário do Ministério da Saúde para ocupar um cargo no
laboratório e diz que foi Padilha quem o indicou – naquela época, em
novembro, o Labogen tentava fechar um negócio de R$ 6,2 milhões ao ano
com a pasta comandada por Padilha.
Nessa sexta, o provável candidato ao governo
paulista decidiu vir a público para negar com veemência que tenha
indicado o ex-assessor para o laboratório. Pressionado, Vargas pediu a
sua desfiliação do PT – ele ainda tenta manter o mandato. O plano de
reação prevê nova ofensiva do ex-presidente Lula no palanque paulista,
em caravanas pelo interior, após o Encontro Nacional do PT, em 2 e 3 de
maio, quando a sigla aprovará as diretrizes do programa de governo de
Dilma. O evento ocorrerá em São Paulo com a presença de Lula, Dilma e
Padilha. O PT quer aproveitar o encontro para mostrar unidade.
As últimas pesquisas encomendadas por João
Santana, marqueteiro de Dilma, assustaram a coordenação da campanha. As
sondagens revelam que muitos eleitores não enxergam a ação do Estado em
programas sociais do governo, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha
Vida, por exemplo. Para a maioria dos entrevistados, a melhoria de vida é
fruto de esforço próprio. Agora, Dilma e Lula vão tentar colar essas
marcas ao governo e uma delas, a do Mais Médicos, será sempre associada a
Padilha.
Com discurso voltado para a nova classe
média, o PT procurará vender a ideia de um “país de oportunidades”. A
eleição em São Paulo merece atenção redobrada, na avaliação de
integrantes do governo. Para eles, tudo está conspirando contra o PT no
Estado e isso poderia causar mais desgaste à campanha num momento em que
o Planalto está na mira da CPI da Petrobras.
Em ato de adesão à candidatura de Padilha
nesse sábado, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo afirmou que
há vazamento de “informações escolhidas e selecionadas” das
investigações da Operação Lava Jato.
Conexão
Coincidência. Investigado
pela Polícia Federal sob suspeita de ter sido indicado por Alexandre
Padilha para a Labogen, Marcus Cezar Ferreira de Moura, trabalhou por
três meses no Ministério da Saúde.
PF encontra mensagens românticas
Rio de Janeiro. O relatório da Polícia Federal traz uma
conversa entre o doleiro Alberto Youssef e o deputado federal Luiz
Argôlo (SDD-BA) em que os dois trocam mensagens “românticas”. O conteúdo
foi publicado na coluna de Felipe Patury, na revista “Época”.
Em 28 de fevereiro, o deputado diz “você sabe que tenho um carinho por
você e é muito especial”, ao que o doleiro responde “idem”. O
parlamentar continua, “queria ter falado isso nesse sábado. Acabei não
falando. Te amo”. A resposta de Youssef foi: “eu amo você também.
Muitoooooooooo<3” (sic).
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