terça-feira, 10 de novembro de 2009

Polícia Civil. Conselho Superior se reúne amanhã para tratar de escândalos envolvendo a tropa de elite

Cúpula discute irregularidade no GRE
Reforma na conduta ética dos policiais também está na pauta do encontro
Fernando Zuba
Os 11 membros do Conselho Superior de Polícia Civil se reúnem amanhã para tratar da crise instaurada na corporação, a partir da divulgação das denúncias envolvendo o Grupo de Resposta Especial (GRE), considerada a tropa de elite da Polícia Civil mineira. O encontro, segundo a assessoria de imprensa da corporação, será a portas fechadas, em horário ainda não confirmado.

A reunião contará com a participação do chefe da Polícia Civil, Marco Antônio Monteiro de Castro, e do corregedor geral Geraldo Morais Júnior, que acompanham de perto a investigação sobre o envolvimento de policiais do grupo especial em uma série de irregularidades - entre as mais graves estão a compra fraudulenta de veículos, extorsão e até mesmo a ação de um grupo de extermínio que contaria com a participação de integrantes do GRE.

Ontem, a assessoria de imprensa da polícia confirmou que o pacote de mudanças na formação doutrinária dos policiais que integram a corporação está na pauta da reunião. O anúncio das medidas foi divulgado, com exclusividade, pela reportagem de O TEMPO na edição do último domingo. Nas últimas duas semanas, desde que o escândalo veio à tona, oito policiais que integram o GRE foram afastados do grupo. Dois deles estão proibidos de participar de operações e os outros seis foram transferidos para outras unidades da Polícia Civil.

As investigações estão a cargo da Corregedoria Geral da Polícia Civil, com acompanhamento do Ministério Público Estadual, por meio da Promotoria de Fiscalização da Atividade Policial, e da Comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Ainda ontem, o Ministério Público confirmou que aguarda documentação para se manifestar sobre as denúncias.

Saiba mais

- Propósito
O Grupo de Resposta Especial (GRE) foi criado em 2004 com o desafio de ser reconhecido como a tropa de elite da Polícia Civil de Minas Gerais.

- Poder
Agentes da corporação dizem que o motivo dos conflitos surgiram pela disputa de poder. Em cinco anos de atividades, cinco delegados já estiveram no comando.

- Fim
A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa defende a extinção da corporação devido à gravidade dos escândalos.



Investigação
Polícia Civil descarta afastamento
A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou ontem que não há, por enquanto, indicativo de que outros policiais, além dos oito já afastados do GRE, sejam retirados da atividade do grupo enquanto as investigações prosseguem.

Ainda segundo a assessoria do órgão, a investigação do Ministério Público, não deverá interferir na apuração que a Corregedoria de Polícia Civil está fazendo sobre o caso, pois os corregedores têm autonomia para tomar as decisões necessárias. Especialistas ouvidos pela reportagem de O TEMPO condenam a criação do grupo de elite da Polícia Civil, porque, segundo eles, a tarefa desenvolvida pelo GRE confronta com o trabalho que é competência da Polícia Militar. (FZ)
Publicado em: 10/11/2009
Fonte:http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=126299

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