Alta fonte da Seds diz que processo é 'igual casamento': tem que falar todo dia que gosta um do outro, mesmo sem ser verdade
“A integração das polícias Civil e Militar em Minas é igual casamento. Tem de falar todo dia que gosta um do outro, mesmo sem ser verdade”. É assim que uma alta fonte da Secretaria de Estado da Defesa Social (Seds) define a difícil tarefa de buscar a sintonia entre as duas corporações. Impulsionado quando o governador Antonio Anastasia (PSDB) era secretário de Defesa Social durante o governo Aécio Neves, o processo de reunir as ações das duas corporações estaria, hoje, praticamente paralisado.
O motivo seria a falta de continuidade de etapas importantes do processo de integração na gestão do atual secretário, Lafayette Andrada. A avaliação é do sociólogo Robson Sávio Reis Souza, integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da PUC Minas, que atuou na implantação desses programas durante o governo Aécio Neves.
“Naquela época, Anastasia tinha o conhecimento necessário, o prestígio e suporte político por parte do governador. No entanto, essa situação mudou. O secretário Lafayette Andrade tem mais um perfil político, e não técnico. Por desconhecer detalhes, programas importantes ficaram inertes”, diz Robson Sávio.
Segundo o especialista, com Anastasia, a Seds estabeleceu metas, como as Áreas de Integração de Segurança Pública (Aisps) e outros parâmetros, mas não teria havido a continuidade. O reflexo tem sido ocorrências evidenciando o clima de rixa entre as duas corporações, que teria resultado na saída da subsecretária de Integração, Geórgia Ribeiro Rocha, na última sexta-feira. A Seds não admite que os incidentes sejam o motivo da troca de Geórgia pelo ex-superintendente de Integração, Frederico César do Carmo.
A subsecretária deixou o cargo logo depois do incidente em Contagem, na última sexta-feira, que terminou com a execução do policial civil Sérgio Barbosa Toledo, o “Serjão”, de 51 anos. No local, havia mais de cem policias civis e diversas viaturas da Polícia Civil. Curiosamente, não havia uma única viatura ou integrante da Polícia Militar.
Outro sinal da instabilidade nas cúpulas policiais teria sido a troca do comando-geral da Polícia Militar. Após três anos no cargo, o coronel Renato Vieira de Souza anunciou, ontem, que passa a função ao coronel Márcio Martins Sant’Ana.
Outra informação não confirmada é que o chefe da Polícia Civil, Jairo Lélis, também deverá passar o bastão em breve. Um dos contados para assumir o cargo seria o atual diretor do Detran-MG, Oliveira Santiago. Lafayette Andrada é outro que deve deixar a Seds para retomar uma cadeira de deputado na Assembleia Legislativa.
Sérgio Toledo doaria rim ao irmão
Além da dor da perda, a morte do policial civil Sérgio Barbosa Toledo, o “Serjão”, na sexta-feira (20), durante uma operação antidrogas em Contagem, provocou outra tragédia na família da vítima. Em extensa carta enviada ao Hoje em Dia, o servidor público Luiz Cláudio Barbosa Toledo, de 49 anos, revelou que o irmão “Serjão” iria doar um rim para o outro irmão, Renato Caio Toledo, de 55 anos, que sofre de doença renal grave e precisa se submeter a hemodiálise duas vezes por semana. A doação deveria ocorrer dentro de dois meses, quando “Serjão” entraria de férias e, em seguida, iria requerer sua aposentadoria, após 30 danos de serviço.
“O tiro atingiu o peito do meu irmão que eu amava, e ele não resistiu. O seu coração parou de funcionar, não foi possível a retirada dos seus rins para doar ao outro irmão”, resume. Ele revela que “perdeu o irmão para bandidos muito bem armados”. “Também posso perder meu outro irmão, doente, e minha mãe, que está de idade, devido ao grau de sofrimento. Faço um apelo ao senhor governador, Antonio Anastásia: por favor, ajude tanto a Polícia Civil como a Polícia Militar, deixe elas agirem à altura dos bandidos, cumprindo a lei, e acabar com essa bandidagem que está mandando neste país, principalmente em Minas, matando pessoas inocentes e policiais que não têm condições de combate-los, à altura dos armamentos dos rivais.
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