10 Anos Sem Camelô
Orientais vendem no atacado e no varejo em vários pontos perto da rodoviária
FOTO: JOÃO MIRANDA
Chineses
ocupam boxes nos shoppings populares; ficam em caixas, guarda-volumes e
vigiam o movimento nos atacados da Santos Dumont; eles conversam entre
si na língua nativa
O
centro de Belo Horizonte fala chinês. Os orientais começaram ocupando
aos poucos parte dos boxes nos shoppings populares, para onde foram
transferidos os camelôs retirados das ruas da cidade a partir de 2003, e
hoje se instalaram também em lojas que vendem todo tipo de mercadoria
por atacado e varejo, principalmente no entorno da rodoviária.
Em dois quarteirões da avenida Santos Dumont, entre a praça da Rodoviária e a rua São Paulo, são pelo menos quatro "atacadões". Neles, a mercadoria - brinquedos, maquiagem, bolsas, jogos de mala, acessórios femininos, material escolar, artigos para casa e outros - é exposta em grandes caixas de papelão onde pode-se ler "Made in China". O consumidor pode escolher entre comprar a unidade ou no atacado (acima de seis peças da mesma mercadoria) com descontos que chegam a 40%.
Na porta de todas as lojas, há chineses vigiando o movimento. Eles estão também no caixa e nos guarda-volumes, e se comunicam entre si usando o idioma natal. A conversa com os fregueses se limita a informar os preços. Com a reportagem, nenhum quis falar. "Eu não sabe falar português" é a resposta mais comum.
Nos shopping populares, a reação é parecida: os orientais não gostam de conversa, mas a presença deles é comum em boxes que vendem principalmente produtos eletrônicos.
O aumento da presença dos chineses é apontado pelo Ministério do Trabalho. Em 2010, foram 130 vistos para chineses trabalharem em Minas Gerais, 4,9% do total de autorizações emitidas naquele ano. Em 2012, a participação deles mais que dobrou, subindo para 10,1%, com 254 vistos.
As entidades que representam os lojistas de Belo Horizonte já estão preocupadas com a expansão do comércio chinês. O presidente da Associação de Lojistas do Hipercentro, Pedro Bacha, diz que a concorrência é desleal. Como os preços são muito baixos, há a suspeita de que a mercadoria seja fruto de contrabando.
O vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL), Marcelo de Souza e Silva, afirma que o comércio chinês é um assunto delicado, pois, se está com a situação regular, não tem como atuar. "É difícil entrar nessa situação, mas a CDL está atenta ao crescimento desses atacados, para saber a procedência dos produtos vendidos. Nós pedimos atenção das autoridades, pois, se o produto entra de maneira ilegal, trata-se de uma concorrência desleal e predatória", afirma Silva.
A prefeitura de Belo Horizonte diz que fiscaliza se o empreendimento tem todos os documentos necessários para funcionar. A procedência da mercadoria deve ser alvo da Polícia Federal, que não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre fiscalização.
Em dois quarteirões da avenida Santos Dumont, entre a praça da Rodoviária e a rua São Paulo, são pelo menos quatro "atacadões". Neles, a mercadoria - brinquedos, maquiagem, bolsas, jogos de mala, acessórios femininos, material escolar, artigos para casa e outros - é exposta em grandes caixas de papelão onde pode-se ler "Made in China". O consumidor pode escolher entre comprar a unidade ou no atacado (acima de seis peças da mesma mercadoria) com descontos que chegam a 40%.
Na porta de todas as lojas, há chineses vigiando o movimento. Eles estão também no caixa e nos guarda-volumes, e se comunicam entre si usando o idioma natal. A conversa com os fregueses se limita a informar os preços. Com a reportagem, nenhum quis falar. "Eu não sabe falar português" é a resposta mais comum.
Nos shopping populares, a reação é parecida: os orientais não gostam de conversa, mas a presença deles é comum em boxes que vendem principalmente produtos eletrônicos.
O aumento da presença dos chineses é apontado pelo Ministério do Trabalho. Em 2010, foram 130 vistos para chineses trabalharem em Minas Gerais, 4,9% do total de autorizações emitidas naquele ano. Em 2012, a participação deles mais que dobrou, subindo para 10,1%, com 254 vistos.
As entidades que representam os lojistas de Belo Horizonte já estão preocupadas com a expansão do comércio chinês. O presidente da Associação de Lojistas do Hipercentro, Pedro Bacha, diz que a concorrência é desleal. Como os preços são muito baixos, há a suspeita de que a mercadoria seja fruto de contrabando.
O vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL), Marcelo de Souza e Silva, afirma que o comércio chinês é um assunto delicado, pois, se está com a situação regular, não tem como atuar. "É difícil entrar nessa situação, mas a CDL está atenta ao crescimento desses atacados, para saber a procedência dos produtos vendidos. Nós pedimos atenção das autoridades, pois, se o produto entra de maneira ilegal, trata-se de uma concorrência desleal e predatória", afirma Silva.
A prefeitura de Belo Horizonte diz que fiscaliza se o empreendimento tem todos os documentos necessários para funcionar. A procedência da mercadoria deve ser alvo da Polícia Federal, que não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre fiscalização.
O que eu lembro
"Não conseguimos concorrer com a economia informal"
Em
2002, era difícil andar no centro de Belo Horizonte. As ruas eram
cheias de camelôs e tinha muitos outros problemas. A cidade não tinha
Código de Posturas. Procurei o presidente da Câmara dos Vereadores para
pedir um Código de Posturas para Belo Horizonte. Foram várias
audiências, até que a nova lei foi aprovada e veio a transferência dos
camelôs. A retirada foi um trabalho por etapas. Se tirassem todos ao
mesmo tempo ia ter confusão. Agora, não tem mais banca impedindo a
visibilidade, não tem mais concorrência com mercadoria ilegal na minha
porta. Como nós, pequenos comerciantes, que pagamos impostos,
registramos os funcionários, íamos conseguir concorrer com a economia
informal? Hoje, ainda tem outros problemas para resolver. O centro tem
bueiros entupidos, lixeira quebrada, tem lixo espalhado na rua e os
camelôs estão voltando. A prefeitura tem que agir com coragem para não
perder o que foi conquistado.
Pedro Bacha
Associação dos Lojistas do Hipercentro>
Pedro Bacha
Associação dos Lojistas do Hipercentro>
Maior shopping
`Invasão´ também no Oiapoque
No
Oiapoque, o maior dos shoppings populares de Belo Horizonte, a invasão
chinesa preocupa. A administração do local se limita a dizer que eles
são 49 entre os 620 boxes e todos têm "empresas constituídas". Mas o
empresário Elias Tergilene, que acabou de adquirir uma participação no
Oiapoque na semana passada, já está em alerta.
Ele pretende "combater o contrabando com inteligência". A intenção é criar uma cooperativa de compras para que os comerciantes do Oiapoque e de outros shoppings populares comprem em conjunto, de empresas formalizadas. "Comprando em grande quantidade, o preço vai ficar bom", diz. Ele completa que não haverá lugar para quem não se adaptar ao novo modelo. "Tem que mexer no time para continuar ganhando. Queremos mudar a cara do Oiapoque." (APP e QA)
Ele pretende "combater o contrabando com inteligência". A intenção é criar uma cooperativa de compras para que os comerciantes do Oiapoque e de outros shoppings populares comprem em conjunto, de empresas formalizadas. "Comprando em grande quantidade, o preço vai ficar bom", diz. Ele completa que não haverá lugar para quem não se adaptar ao novo modelo. "Tem que mexer no time para continuar ganhando. Queremos mudar a cara do Oiapoque." (APP e QA)


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