De um lado PT e PMDB, de outro PSDB e seus aliados em Minas. Partidos começam a pôr
os nomes na mesa pela sucessão no estado, mas cenário nacional pode embolar as cartas
Bertha Maakaroun -Estado de Minas
Publicação: 09/02/2013 00:12 Atualização: 09/02/2013 07:36
Bertha Maakaroun -Estado de Minas
Publicação: 09/02/2013 00:12 Atualização: 09/02/2013 07:36
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| Palácio Tiradentes, sede do governo mineiro na Cidade Administrativa, terá novo ocupante já a partir de abril de 2014, quando o governador Anastasia deve se desincompatibilizar para se candidatar ao Senado |
A menos de dois
anos das eleições ao governo de Minas, está aberta a temporada da
construção de candidaturas. Partidos alinhavam possíveis nomes para
serem convocados ao mesmo tempo em que os interessados começam a se
posicionar. Se no campo dos aliados do governo de Minas a sucessão de
Antonio Anastasia (PSDB) está vinculada à construção da candidatura do
senador Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República, no PT e no PMDB,
principais legendas opositoras, estão colocados os nomes de Fernando
Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e
do senador Clésio Andrade (PMDB). “Pimentel só não será se não quiser.
Mas ele quer. Já me disse várias vezes. Vamos construir as condições
para isso”, afirma o deputado federal Reginaldo Lopes, presidente do PT
de Minas. O PSDB terá pela frente dois nomes fortes, que virão com
máquinas azeitadas, fato inédito nos últimos 11 anos.
Se PT e PMDB, que no plano nacional
repetirão a aliança pela reeleição da presidente Dilma Rousseff, estarão
juntos em Minas desde o primeiro turno, é cedo para dizer. Petistas e
peemedebistas poderão, fiando-se no exemplo da campanha à Prefeitura de
Belo Horizonte do ano passado – quando a polarização da disputa impediu
um segundo turno –, optar por lançar chapas independentes. O que essa
estratégia tem de perigosa é que os dois partidos de oposição também
dividiriam o tempo de televisão para o enfrentamento de uma ampla
coligação com potencial para abocanhar, sozinha, mais da metade da
propaganda gratuita.
Em Minas, PSDB, PP, PDT, PV, PR, PSD, PSB, PTB, PPS e legendas menores como o PSL, o PSC, o PSDC, o PTdoB estão na base do governo do estado e tendem a engrossar o leque de apoios ao candidato do Palácio Tiradentes, ainda que pelo menos o PSD sofra pressão nacional para apoiar a oposição, como ocorreu na sucessão de Marcio Lacerda (PSB) no ano passado. Já o PSB tenderá a dar sustentação ao candidato do Palácio Tiradentes e à candidatura de Aécio Neves, a menos que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também concorra ao Palácio do Planalto. Se Campos não disputar e apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, a expectativa dos tucanos mineiros é de que Marcio Lacerda abra uma dissidência no plano nacional, puxando outros socialistas insatisfeitos.
LEQUE ABERTO Enquanto na disputa do governo de Minas a projeção de cenários para a oposição se afunila em torno de Pimentel e de Clésio Andrade, no campo da situação, a escolha do nome para concorrer ao Palácio Tiradentes converge, principalmente, para o vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP), o presidente estadual do PSDB, Marcus Pestana, e o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Dinis Pinheiro (PSDB). Ainda lembrados são os tucanos Danilo de Castro, secretário de Estado de Governo, e Nárcio Rodrigues, secretário de Estado de Ciência e Tecnologia. A opção Andréa Neves (PSDB), em Minas, estaria vinculada a um cenário cada vez menos provável: Aécio Neves não concorreria ao Planalto.
Com as definições atreladas ao arco de alianças que Aécio buscará construir para respaldar a sua candidatura presidencial, a situação não requer pressa na definição. “Não temos um nome natural em Minas”, afirma Marcus Pestana, lembrando que aqueles colocados dependerão fortemente do apoio e do aval de Anastasia e Aécio. “Nosso calendário tem duas referências: o ritmo do Aécio nacionalmente e o ritmo do governo de Minas”, afirma Pestana. “Temos de ter sabedoria para conciliar os calendários. Vamos ter de administrar o timing”, afirma.
No momento, os três principais pré-candidatos da base do governo se movimentam com discrição. O primeiro deles, Dinis Pinheiro, inclusive, nega ser candidato. Mas a verdade é que seu nome hoje está posto. Corre por fora, porque, entre todos, é o que menos tem intimidade com a cúpula do PSDB e com Aécio. Entretanto, o seu perfil popular – foi nas duas últimas eleições o deputado estadual mais votado no estado – o torna o candidato mais apto a enfrentar no terreno petista uma candidatura como a de Pimentel. O mais vermelho dos tucanos, Dinis ganhou a simpatia de várias lideranças do PT na Assembleia, pela abertura que deu, como presidente, a temas caros aos petistas – pobreza e saúde. Se parece o mais capaz de causar dissensões no campo petista, Dinis é aquele que provavelmente mais gera preocupação no campo tucano, pois defecções que podem ocorrer com Pedro podem também com Paulo.
PRÓS E CONTRAS Outro forte nome, Marcus Pestana tem sido o porta-voz do PSDB, fazendo o debate público com a oposição. Além de bom analista e excelente polemista, Pestana tem a seu favor o trânsito com o tucanato nacional de alta plumagem. Sua maior vantagem é a ligação direta com Aécio, sendo, inclusive, considerado um quadro de sua confiança. Sua fragilidade é a penetração popular. Mas o deputado tucano sabe que, assim como Anastasia, o que conta, no momento eleitoral, é o carimbo de Aécio e a máquina do governo mineiro.
Pelo cargo que ocupa, e pela posição privilegiada nas articulações futuras – afinal, poderá se tornar governador no ano que vem, caso Anastasia se desincompatibilize em abril do ano que vem para concorrer ao Senado Federal –, Alberto Pinto Coelho é o nome mais forte dos três. Mas o vice-governador não tem tanta penetração popular quanto Dinis nem a proximidade com Aécio que tem Pestana. O fato de Alberto ser do PP, contudo, poderá dar ao PSDB, na hipótese de sua indicação, uma boa moeda de troca para a negociação no plano nacional: se não a adesão da legenda à candidatura presidencial de Aécio, pelo menos a sua neutralidade, tirando tempo de televisão de Dilma Rousseff. Embora esteja à frente do cobiçado Ministério das Cidades com Aguinaldo Ribeiro, o PP em Minas é apoio ao PSDB de primeira hora e é comandado nacionalmente por antigo aliado e amigo de Aécio, o senador Francisco Dornelles (RJ).
Três cargos e três nomes seriam uma facilidade para Aécio montar sua chapa mineira. Mas os três mosqueteiros do senador, como no livro, são na verdade quatro, pois Anastasia terá de ser acomodado nessa equação. Com a palavra o senador.
Em Minas, PSDB, PP, PDT, PV, PR, PSD, PSB, PTB, PPS e legendas menores como o PSL, o PSC, o PSDC, o PTdoB estão na base do governo do estado e tendem a engrossar o leque de apoios ao candidato do Palácio Tiradentes, ainda que pelo menos o PSD sofra pressão nacional para apoiar a oposição, como ocorreu na sucessão de Marcio Lacerda (PSB) no ano passado. Já o PSB tenderá a dar sustentação ao candidato do Palácio Tiradentes e à candidatura de Aécio Neves, a menos que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também concorra ao Palácio do Planalto. Se Campos não disputar e apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, a expectativa dos tucanos mineiros é de que Marcio Lacerda abra uma dissidência no plano nacional, puxando outros socialistas insatisfeitos.
LEQUE ABERTO Enquanto na disputa do governo de Minas a projeção de cenários para a oposição se afunila em torno de Pimentel e de Clésio Andrade, no campo da situação, a escolha do nome para concorrer ao Palácio Tiradentes converge, principalmente, para o vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP), o presidente estadual do PSDB, Marcus Pestana, e o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Dinis Pinheiro (PSDB). Ainda lembrados são os tucanos Danilo de Castro, secretário de Estado de Governo, e Nárcio Rodrigues, secretário de Estado de Ciência e Tecnologia. A opção Andréa Neves (PSDB), em Minas, estaria vinculada a um cenário cada vez menos provável: Aécio Neves não concorreria ao Planalto.
Com as definições atreladas ao arco de alianças que Aécio buscará construir para respaldar a sua candidatura presidencial, a situação não requer pressa na definição. “Não temos um nome natural em Minas”, afirma Marcus Pestana, lembrando que aqueles colocados dependerão fortemente do apoio e do aval de Anastasia e Aécio. “Nosso calendário tem duas referências: o ritmo do Aécio nacionalmente e o ritmo do governo de Minas”, afirma Pestana. “Temos de ter sabedoria para conciliar os calendários. Vamos ter de administrar o timing”, afirma.
No momento, os três principais pré-candidatos da base do governo se movimentam com discrição. O primeiro deles, Dinis Pinheiro, inclusive, nega ser candidato. Mas a verdade é que seu nome hoje está posto. Corre por fora, porque, entre todos, é o que menos tem intimidade com a cúpula do PSDB e com Aécio. Entretanto, o seu perfil popular – foi nas duas últimas eleições o deputado estadual mais votado no estado – o torna o candidato mais apto a enfrentar no terreno petista uma candidatura como a de Pimentel. O mais vermelho dos tucanos, Dinis ganhou a simpatia de várias lideranças do PT na Assembleia, pela abertura que deu, como presidente, a temas caros aos petistas – pobreza e saúde. Se parece o mais capaz de causar dissensões no campo petista, Dinis é aquele que provavelmente mais gera preocupação no campo tucano, pois defecções que podem ocorrer com Pedro podem também com Paulo.
PRÓS E CONTRAS Outro forte nome, Marcus Pestana tem sido o porta-voz do PSDB, fazendo o debate público com a oposição. Além de bom analista e excelente polemista, Pestana tem a seu favor o trânsito com o tucanato nacional de alta plumagem. Sua maior vantagem é a ligação direta com Aécio, sendo, inclusive, considerado um quadro de sua confiança. Sua fragilidade é a penetração popular. Mas o deputado tucano sabe que, assim como Anastasia, o que conta, no momento eleitoral, é o carimbo de Aécio e a máquina do governo mineiro.
Pelo cargo que ocupa, e pela posição privilegiada nas articulações futuras – afinal, poderá se tornar governador no ano que vem, caso Anastasia se desincompatibilize em abril do ano que vem para concorrer ao Senado Federal –, Alberto Pinto Coelho é o nome mais forte dos três. Mas o vice-governador não tem tanta penetração popular quanto Dinis nem a proximidade com Aécio que tem Pestana. O fato de Alberto ser do PP, contudo, poderá dar ao PSDB, na hipótese de sua indicação, uma boa moeda de troca para a negociação no plano nacional: se não a adesão da legenda à candidatura presidencial de Aécio, pelo menos a sua neutralidade, tirando tempo de televisão de Dilma Rousseff. Embora esteja à frente do cobiçado Ministério das Cidades com Aguinaldo Ribeiro, o PP em Minas é apoio ao PSDB de primeira hora e é comandado nacionalmente por antigo aliado e amigo de Aécio, o senador Francisco Dornelles (RJ).
Três cargos e três nomes seriam uma facilidade para Aécio montar sua chapa mineira. Mas os três mosqueteiros do senador, como no livro, são na verdade quatro, pois Anastasia terá de ser acomodado nessa equação. Com a palavra o senador.

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