Clássico.Cruzeiro e Atlético se enfrentam para quase 60 mil torcedores saudosos do velho companheiro
A nova geração de torcedores, que viu jogos pela TV e em estádios acanhados, conhecerá o Gigante
FOTO: MARIELA GUIMARAES - 15.1.2013
Mineirão reabre para o público depois de mais de dois anos fechado
Ansiedade
de dois anos e meio para quem desenvolveu o seu amor pelo futebol no
estádio. Uma sensação nova para quem tem poucas lembranças, ou jamais
pisou no Gigante da Pampulha. Hoje, às 17h, o Mineirão será reaberto
para seus amantes.
Em campo, as duas torcidas que deram ao estádio o título de palco especial do futebol. Cruzeiro e Atlético jogam pela terceira rodada do Campeonato Mineiro, que teve que ser antecipada para transformar o dérbi em uma festa.
A Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa-MG) e a Minas Arena, empresa que administra o Mineirão, falam em uma mudança de cultura. Isso começou com os preços dos ingressos, que variam de R$ 60 a R$ 200.
Os mais pobres só estarão lá se abdicarem de algumas necessidades básicas. Há quem não comerá carne durante um mês para acompanhar o seu time do coração no aconchego do seu antigo lar. Há também quem sonhe em ver os ídolos desfilando o futebol. Há quem quer ouvir o rival cantar, só para contra-atacar no grito.
E há quem poucas vezes - ou nunca - pisou no Gigante da Pampulha, mas que sabe toda a sua história. O TEMPO levou 14 crianças de 6 a 11 anos para o Mineirão. Sete de cada time. A rivalidade, a emoção e os sonhos já estavam presentes. Tudo supervisionado por quem transmitiu essa herança: os pais.
Os pequenos torcedores foram criados frequentando os campos e ainda estão aprendendo a lidar com as emoções, como a ansiedade antes de um clássico, ou a decepção após uma derrota, dentro
do gramado ou nas arquibancadas.
"Meu pai vai vir ao clássico e não queria me trazer. Vou contar para ele que conheci o Mineirão primeiro", vibrou a pequena Júlia Nunes, 10, torcedora do Cruzeiro. Alegria que ainda é frustrada pela violência que gira em torno do clássico. A rivalidade desmedida trouxe a briga e afastou a família.
Isso é o que o secretário da Secopa, Tiago Lacerda, quer resgatar. "O Mineirão será um estádio familiar. Queremos que todos venham para o estádio acompanhar um espetáculo. Sentar no lugar que comprou e ter segurança", comentou.
Os pequenos, como Júlia, não sentirão o Mineirão tremer como outrora. Há amortecedores modernos que impedem esse movimento. A sensação de ficar na fila por horas e horas só não existe por proteção paterna. E a esperança é de que, até que eles mesmos possam comprar, a aquisição de tíquetes seja bem mais fácil.
Mas, um sentimento que modernização nenhuma poderá tirar de alguém, é o de se arrepiar ao subir as escadas e ver, primeiramente, o campo. E, depois, ouvir os cânticos das torcidas.
Pelos olhares dos atleticanos Lucas Nunes, Pedro Fonseca, Artur Silva, Júlia Fonseca, João Victor Malta, Pedro Hobes e Állan Cristian e dos cruzeirenses João Vítor de Almeida, Bruno Ribeiro, Ilton Vaz, Marcelo Torres, Bernardo Ramos, Henrique Mitt e Júlia Nunes, isso está vivo.
Em campo, as duas torcidas que deram ao estádio o título de palco especial do futebol. Cruzeiro e Atlético jogam pela terceira rodada do Campeonato Mineiro, que teve que ser antecipada para transformar o dérbi em uma festa.
A Secretaria de Estado Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa-MG) e a Minas Arena, empresa que administra o Mineirão, falam em uma mudança de cultura. Isso começou com os preços dos ingressos, que variam de R$ 60 a R$ 200.
Os mais pobres só estarão lá se abdicarem de algumas necessidades básicas. Há quem não comerá carne durante um mês para acompanhar o seu time do coração no aconchego do seu antigo lar. Há também quem sonhe em ver os ídolos desfilando o futebol. Há quem quer ouvir o rival cantar, só para contra-atacar no grito.
E há quem poucas vezes - ou nunca - pisou no Gigante da Pampulha, mas que sabe toda a sua história. O TEMPO levou 14 crianças de 6 a 11 anos para o Mineirão. Sete de cada time. A rivalidade, a emoção e os sonhos já estavam presentes. Tudo supervisionado por quem transmitiu essa herança: os pais.
Os pequenos torcedores foram criados frequentando os campos e ainda estão aprendendo a lidar com as emoções, como a ansiedade antes de um clássico, ou a decepção após uma derrota, dentro
do gramado ou nas arquibancadas.
"Meu pai vai vir ao clássico e não queria me trazer. Vou contar para ele que conheci o Mineirão primeiro", vibrou a pequena Júlia Nunes, 10, torcedora do Cruzeiro. Alegria que ainda é frustrada pela violência que gira em torno do clássico. A rivalidade desmedida trouxe a briga e afastou a família.
Isso é o que o secretário da Secopa, Tiago Lacerda, quer resgatar. "O Mineirão será um estádio familiar. Queremos que todos venham para o estádio acompanhar um espetáculo. Sentar no lugar que comprou e ter segurança", comentou.
Os pequenos, como Júlia, não sentirão o Mineirão tremer como outrora. Há amortecedores modernos que impedem esse movimento. A sensação de ficar na fila por horas e horas só não existe por proteção paterna. E a esperança é de que, até que eles mesmos possam comprar, a aquisição de tíquetes seja bem mais fácil.
Mas, um sentimento que modernização nenhuma poderá tirar de alguém, é o de se arrepiar ao subir as escadas e ver, primeiramente, o campo. E, depois, ouvir os cânticos das torcidas.
Pelos olhares dos atleticanos Lucas Nunes, Pedro Fonseca, Artur Silva, Júlia Fonseca, João Victor Malta, Pedro Hobes e Állan Cristian e dos cruzeirenses João Vítor de Almeida, Bruno Ribeiro, Ilton Vaz, Marcelo Torres, Bernardo Ramos, Henrique Mitt e Júlia Nunes, isso está vivo.
Jovens em campo
Estreantes sonham com o dia
O
atacante Vinícius Araújo chegou em 2007 para a base do Cruzeiro. O
jogador subiu para a equipe profissional neste ano e já vem
impressionando o técnico Marcelo Oliveira.
Com apenas 20 anos, o atleta já começou a fazer sucesso com a torcida antes mesmo de a temporada começar. Foram diversos gols marcados nos jogos-treinos do Cruzeiro e, até mesmo, teve seu nome gritado pela arquibancada da Toca I, durante o jogo contra o Tupi.
Vinícius Araújo integrou a equipe titular contra o Mamoré, no dia 27 de janeiro, e anotou um dos gols da vitória celeste por 4 a 1. A atuação rendeu elogios de Marcelo Oliveira e fez crescer as chances de o atacante começar a temporada já como titular no ataque.
"Se precisarem de mim no dia 3 (hoje), quem sabe eu possa entrar na partida e fazer o gol da vitória", imaginou o jogador.
O craque atleticano Bernard tem a mesma idade, mas chegou ao elenco profissional do Galo em 2010, após se tornar o artilheiro da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro. Naquela época, o meia-atacante pertencia à base do Atlético, mas estava emprestado ao Democrata-SL.
Foram 14 gols marcados, o que chamou a atenção do então técnico Dorival Júnior. Com Cuca no comando, Bernard teve mais chances e garantiu de vez espaço na equipe de titular. A carreira do jogador se valorizou mais com a chegada de Ronaldinho, em 2012, e ele até chegou a ser convocado para a seleção brasileira.
O jogo de hoje será, assim como para Vinícius Araújo, seu primeiro clássico no Mineirão. "Na infância, a gente sempre tem o sonho de jogar no Mineirão. Joguei pelo júnior, mas não foi com casa cheia, um clássico", afirmou Bernard. (DF)
Com apenas 20 anos, o atleta já começou a fazer sucesso com a torcida antes mesmo de a temporada começar. Foram diversos gols marcados nos jogos-treinos do Cruzeiro e, até mesmo, teve seu nome gritado pela arquibancada da Toca I, durante o jogo contra o Tupi.
Vinícius Araújo integrou a equipe titular contra o Mamoré, no dia 27 de janeiro, e anotou um dos gols da vitória celeste por 4 a 1. A atuação rendeu elogios de Marcelo Oliveira e fez crescer as chances de o atacante começar a temporada já como titular no ataque.
"Se precisarem de mim no dia 3 (hoje), quem sabe eu possa entrar na partida e fazer o gol da vitória", imaginou o jogador.
O craque atleticano Bernard tem a mesma idade, mas chegou ao elenco profissional do Galo em 2010, após se tornar o artilheiro da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro. Naquela época, o meia-atacante pertencia à base do Atlético, mas estava emprestado ao Democrata-SL.
Foram 14 gols marcados, o que chamou a atenção do então técnico Dorival Júnior. Com Cuca no comando, Bernard teve mais chances e garantiu de vez espaço na equipe de titular. A carreira do jogador se valorizou mais com a chegada de Ronaldinho, em 2012, e ele até chegou a ser convocado para a seleção brasileira.
O jogo de hoje será, assim como para Vinícius Araújo, seu primeiro clássico no Mineirão. "Na infância, a gente sempre tem o sonho de jogar no Mineirão. Joguei pelo júnior, mas não foi com casa cheia, um clássico", afirmou Bernard. (DF)
Ídolos
Idolatria mirim por Bernard e Ronaldinho
O
pequeno atleticano Lucas Nunes, 10, traz ainda vivo na memória o dia em
que foi ao Independência torcer pelo Galo, contra o América, no segundo
jogo da final do Mineiro de 2012. A alegria foi ainda maior quando o
ídolo de Lucas, Bernard, marcou os dois gols que selaram de vez a
vitória sobre o Coelho.
"Quero ser como Bernard. Dizem que jogo parecido com ele", contou Lucas. O sonho de ser jogador de futebol é grande, assim como a vontade de conhecer o meia-atacante atleticano.
Lucas revelou que a paixão pelo clube veio mais da mãe do que do pai. Ele não perdeu a oportunidade de tirar foto com os ídolos alvinegros Marques e Euller e com os atuais jogadores
Morais e Rosinei, quando os encontrou.
A "mascote" da turma, Júlia Fonseca Lacerda, de apenas 6 anos, entende muito de futebol e é atleticana, assim como toda sua família. Quando perguntada sobre seu jogador favorito, ela respondeu, sem pestanejar: "É o Ronaldinho, porque ele é o melhor jogador". (DF)
"Quero ser como Bernard. Dizem que jogo parecido com ele", contou Lucas. O sonho de ser jogador de futebol é grande, assim como a vontade de conhecer o meia-atacante atleticano.
Lucas revelou que a paixão pelo clube veio mais da mãe do que do pai. Ele não perdeu a oportunidade de tirar foto com os ídolos alvinegros Marques e Euller e com os atuais jogadores
Morais e Rosinei, quando os encontrou.
A "mascote" da turma, Júlia Fonseca Lacerda, de apenas 6 anos, entende muito de futebol e é atleticana, assim como toda sua família. Quando perguntada sobre seu jogador favorito, ela respondeu, sem pestanejar: "É o Ronaldinho, porque ele é o melhor jogador". (DF)

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