quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Brasileiro desdenha salários e estrangeiros serão chamados

Empregos

Outro recurso é empregar pessoas com idade mais avançada

PUBLICADO EM 10/10/13 - 03h00
No último mês, a comerciária Ingrid Barbosa distribuiu o currículos e foi chamada para 20 entrevistas, mas continua desempregada – e por escolha própria. “Eles querem que a gente trabalhe muito e o salário é muito baixo. Em uma loja, a supervisora teve a audácia de me dizer que eu não ia ter tempo nem para respirar e que ia ter que fazer de um tudo: vender, limpar a loja, repor o estoque”, conta.
A situação dela não é exceção. O trabalhador brasileiro está ficando mais exigente e, para conseguir preencher algumas vagas, as empresas têm que recorrer a estratégias como aumentar salários, treinar pessoal, trazer aposentados de volta ao mercado e até buscar estrangeiros.
Esse quadro é fruto da combinação de baixa taxa de desemprego – em agosto, o índice ficou em 5,3%, segundo o IBGE – e maior acesso à informação e à educação. “Com o mercado em pleno emprego e com maior percepção do que acontece no exterior, há uma mudança de mentalidade do trabalhador brasileiro. Os candidatos selecionam onde querem trabalhar. Essa é uma tendência natural”, diz o mestre em gestão de pessoas da faculdade IBS/FGV, Alexandre Rolim.
Para ele, no médio prazo, o Brasil pode ter que importar trabalhadores para exercerem funções que os brasileiros não irão mais querer. Esse processo já aconteceu na Europa e nos Estados Unidos, onde os trabalhos menos qualificados eram destinados a imigrantes, principalmente antes das crises econômicas.
No Brasil, esse processo já começou. Em 2012, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) concedeu 73 mil vistos de trabalho a estrangeiros, 3,54% a mais do que no ano anterior. Os profissionais com ensino superior completo ainda são a maioria, mas no ano passado, o número de vistos concedidos a profissionais com diploma universitário caiu 2,2%, enquanto o número de estrangeiros com ensino médio que chegaram ao Brasil subiu 11,6%. Em Minas Gerais, o número de estrangeiros trabalhando subiu 15% em 2012, segundo a Polícia Federal.
Outro recurso é empregar pessoas com idade mais avançada, que antes não interessavam ao mercado. “As pessoas acima de 60 anos estão voltando ao trabalho e isso é bom, porque são pessoas com experiência e comprometimento”, afirma a economista da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Ana Paula Bastos. Apesar disso, ela diz que não haverá dificuldades para contratar temporários para o Natal.
O presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio Varejista de Belo Horizonte (Sindilojas BH), Nadim Donato, pensa diferente. Para ele, o problema de contratação só vai piorar até o fim do ano. Donato concorda com quem reclama do salário pago pelo comércio, mas diz que para exigir ganhos maiores, os profissionais teriam que investir mais em formação. “O salário é baixo porque a mão de obra é pouco qualificada. Temos que mudar isso”, diz.

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