10/10/2013 06:20 - Atualizado em 10/10/2013 06:20
A divulgação do índice oficial da inflação
pelo IBGE, na manhã de ontem, enfraquece dois lobbies: o dos
banqueiros, que gostariam que prosseguisse o movimento de alta de juros;
e o dos investidores em ações que torcem pelo aumento do preço da
gasolina para valorizar os papéis da Petrobras e impulsionar o índice da
Bovespa, pois eles são os mais negociados ali.Pouco importa, para tais lobistas, se o resultado de seu trabalho for negativo para o país e se suas sugestões são antagônicas entre si, relativamente à inflação. Pois o aumento dos juros pode puxar para baixo a inflação, ao desestimular o consumo. Mas a elevação do preço da gasolina puxa para cima, com força ainda maior, como se viu ao longo de toda a nossa história, pois os combustíveis derivados do petróleo permeiam toda a atividade econômica do país.
E o que mostrou o IPCA? Em primeiro lugar, que a inflação está sob controle. Não adianta destacar que o índice havia subido 0,24% em agosto e aumentou para 0,35% em setembro. O que importa, realmente, é que a inflação acumulada em 12 meses ficou em 5,86%. Portanto, dentro da meta de inflação, que pode oscilar entre 2,5% e 6,5% num ano. Não apenas isso: pela primeira vez neste ano, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses ficou abaixo de 6%.
Por sinal, um dos itens que contribuiu para que o índice não subisse acima de 0,35% foi a gasolina, que tem preço livre nas bombas. Em agosto, o consumidor pagara 0,15% menos, em média, do que em julho. E em setembro, pagou 0,42% menos. Os postos de gasolina não estão entre os varejistas que mais concorrem entre si no mercado. Essa queda de preços indica, primeiro, que a oferta de gasolina se mantém firme; segundo, que o preço cobrado é satisfatório para o varejista.
A menos que o investidor seja ganancioso, o preço atual satisfaz também a Petrobras, que continua lucrativa e que deve investir neste ano R$ 50 bilhões. Mesmo assim, não existe lugar em que vá o ministro da Fazenda, muito criticado neste ano pela revista “The Economist”, que não seja indagado por repórteres quando haverá aumento do preço da gasolina. Ontem, logo após a divulgação do IPCA, Guido Mantega surpreendeu: “Isso não é assunto nosso, reajuste da gasolina é da Petrobras”.
Não é bem assim: o ministro da Fazenda é presidente do Conselho de Administração da Petrobras e, como presidente do Conselho Monetário Nacional, tem grande interesse em manter a inflação sob controle.
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