segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Empresas lucram enganando assaltantes com equipamentos que não funcionam

Sensação

Consumidores pagam ate 70% menos por câmeras e cercas elétricas que não funcionam


Carlos Bomfim mostra câmera de segurança falsa que tem a mesma aparência das verdadeiras, bem mais c
Carlos Bomfim mostra câmera de segurança falsa que tem a mesma aparência das verdadeiras, bem mais caras
PUBLICADO EM 12/10/13 - 23h30

Quem não tem cão caça com gato, reza o ditado. E, em pleno século 21, empresas de equipamento de segurança faturam cada vez mais vendendo “gato por lebre”. A oferta de produtos falsos, fabricados com a intenção de enganar os bandidos, aumenta a cada dia tanto em sites especializados quanto no comércio. São cercas elétricas, filmadoras e sensores de presença, entre outros itens, que chegam a custar menos da metade do preço das originais. Até grandes empresas e órgãos públicos lançam mão desse artifício.
Uma câmera falsa de vigilância, por exemplo, é vendida hoje por menos de R$ 10, enquanto uma de boa qualidade, que funciona de fato, custa entre R$ 90 e R$ 100. Mas o investimento em sistema de monitoração não se resume a apenas uma simples câmera. Ele envolve a aquisição de uma série de componentes, como gravador digital de imagens (em média R$ 2.700), além de outros apetrechos que, somados, podem elevar os custos a mais de R$ 5.000.
Em franco crescimento, o mercado de sistemas eletrônicos de segurança registrou alta de 9% no ano passado, com faturamento recorde de R$ 4,2 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese). Para este ano, a projeção de crescimento é de 11%.
Minas Gerais é um dos Estados da região Sudeste que mais consomem equipamentos do gênero. Segundo o Sindicato das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança do Estado (Siese-MG), mais de 140 mil novos equipamentos de segurança foram instalados em imóveis da capital. O número de equipamentos falsos comercializados não é inserido nas estatísticas dessas entidades.
Entre as artimanhas dos compradores que necessitam de maior cobertura, de acordo com o empresário Carlos Bomfim, há 15 anos no ramo, está a aquisição de câmeras falsas para complementar a cobertura de áreas mais extensas. “Junto com os produtos que funcionam de verdade, é incluído nos pedidos um percentual com as mesmas características, porém falso. Dessa forma, os custos são reduzidos”.
Choque falso. Cercas elétricas falsas também atraem a atenção dos consumidores. Um kit completo (que funciona) para 30 metros de muro sai, em média, a R$ 180. Somente as hastes de ferro e o arame, instalados sem corrente elétrica, custam 70% menos.
Especialista em segurança privada, Carlos Herendi afirma que muita gente se diz satisfeita com a utilização de equipamentos falsos. Em contrapartida, pondera, muitas outras se arrependeram amargamente. “Essas pessoas foram assaltadas do mesmo jeito”, conta.
Ele revela ainda que não são apenas os menos favorecidos a utilizar sistemas enganadores. Ricos não pensam duas vezes quando o assunto é garantir ao menos a sensação de segurança.

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