Samuel Costa/Hoje em Dia
Todos os setores reformulados e as barracas organizadas em grupos de quatro
Mais de duas décadas depois
de ser transferida para o endereço atual, a Feira de Artes, Artesanato e
Produtores de Variedades de Belo Horizonte passou a funcionar com novo
layout. A mudança, que começou a ser implantada nos dois fins de semana
anteriores, foi finalizada neste domingo (6), com todos os setores
reformulados e as barracas organizadas em grupos de quatro, e não mais
em fileiras, como anteriormente. Mas as alterações não agradaram a todos
e ainda dividem opiniões.
“Ficou horrível. Os clientes estão perdidos. Minhas vendas caíram pelo
menos 30%”, contou Samara de Souza, que vende bijuterias. “Está tudo
misturado. Não acho nada”, reclamou a consumidora Fernanda Loureiro.
“Achei um espetáculo, muito melhor para circular”, defendeu Terezinha
Célia Silva, do ramo de calçados.
O novo layout foi implantado pela Regional Centro-Sul, por meio da Gerência de Feiras Permanentes. Segundo a Prefeitura de Belo
Horizonte, a medida atende uma exigência do Corpo de Bombeiros e do
Ministério Público de Minas Gerais, para garantir a segurança de
expositores e clientes. Pelo menos sete mil pessoas circulam pela feira
da avenida Afonso Pena aos domingos.
Entre os expositores insatisfeitos, um dos receios é a perda da antiga
clientela. Roberto Souza e Raquel Malaco, a Quel das Bonecas, estavam
inconformados. “É como se a gente tivesse que começar do zero”, disse a comerciante.
“A prefeitura não fez banheiro, não ofereceu barracas novas, não
melhorou nada do ponto de vista estético. Fez tudo no peito, sem
diálogo”, queixou-se Souza.
Contrariando o desejo de 97% dos feirantes, segundo a Associação dos
Expositores da Feira da Avenida Afonso Pena (Asseap), a PBH realizou um
sorteio para remanejar os pontos dos artesãos. Para o coordenador da
Asseap, Alan Vinícius Jorge, esse é o ponto de maior discórdia.
“O novo layout deixou a feira mais organizada e deu destaque aos
feirantes que estavam escondidos. Mas poderiam fazer isso apenas
agrupando os expositores, sem mudar as barracas de lugar. Teria mais
equilíbrio e não traria transtornos, mas, pra variar, a prefeitura impôs
sua vontade”, lamentou.
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