Samuel Costa
Túlio Montenegro, do Chef Túlio: uma caixa de copos furtados por semana
Cadê a taça que estava aqui, em cima da mesa? E o copo lagoinha, o
vidro de pimenta, o azeite e o galheteiro? Desapareceram. Ou melhor,
foram parar na bolsa das clientes ou no bolso do freguês.
Segundo empresários do setor de restaurantes e bares, não é tão incomum
quanto se pensa o mau hábito entre a clientela de levar para a casa
pertences dos estabelecimentos. Ato aparentemente inofensivo, mas que
gera prejuízos aos proprietários. E no final das contas, quem paga mais
caro é o próprio consumidor.
Perdas
“O desfalque de utensílios vai parar na planilha de quebra. Na hora de
reajustar o cardápio, a perda com os pequenos furtos acaba sendo
incluída nos preços. É a despesa da corrupção. Todo mundo paga pelos
erros de alguns”, diz o empresário Adelcio de Castro, dono do Boi Vindo
Steak House e do Bonde Bar.
Com a atitude do cliente de pegar “lembranças” sem pedir licença, o
empresário já contabilizou prejuízos de R$ 400 em um só mês. Segundo
ele, o “mimo” predileto são copos personalizados, que trazem propagandas
de marcas de cerveja, uísque ou vodca. “Certa vez adquiri 40 caixas com
24 tulipas da Brahma cada uma. O estoque durou pouco mais de dois
meses. Nunca mais comprei”, revela ele, que também já viu “sumir” louças
para farofa e vinagrete, talheres e até pratos.
Certos de que não serão enquadrados e que já estão pagando caro pelos
serviços, clientes mais audaciosos acham normal levar um adorno. “É como
se fosse brinde. Mas a verdade é que somos surrupiados”, afirma o
empresário Túlio Montenegro, proprietário do Chef Túlio. Quase toda
semana, o empresário e chef de cozinha dá falta de pelo menos uma caixa
de copo lagoinha. Vidros de pimenta, de fabricação própria, também
evaporam.
“Passei a colocar só meia quantidade de molho para o prejuízo ser
menor”, diz. O desfalque com o souvenir forçado dos botequeiros também
vai parar no custo operacional. Na tentativa de conter o ímpeto da
clientela afoita por uma lembrancinha,Túlio treinou garçons e pediu para
que ficassem atentos. “A técnica é ir retirando as coisas para não
deixar nada dando sopa”, comenta. Mas se um freguês é flagrado, ele
prefere deixar passar. “Desejo bom uso e o camarada dá aquele sorriso
amarelo”, descreve.
Venda de brindes reduz casos de roubo
Do boteco ao restaurante de luxo. De talher e cinzeiros a taça de
cristal. Segundo o diretor- executivo da Associação de Bares e
Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), Lucas Pêgo, os clientes
gatunos levam de tudo: embalagem de azeite, galheteiros, guardanapos de
tecido, bolachas de chope, tulipas, talheres e até pratos de sobremesa.
O prejuízo é difícil de calcular, mas sem dúvida impacta o faturamento
da casa. “Entre os talheres, a preferência é pelas facas. Já os copos e
taças mais atrativos são aqueles personalizados. Muita gente faz
coleção”, afirma.
A situação é constrangedora e coloca proprietários, gerentes e
atendentes em saia justa. “Se indispor com o cliente é muito ruim. O
melhor é treinar a equipe para ficar de olho nos objetos da mesa”,
receita. Saída similar foi adotada por Leonardo Matos, do Escritório da
Cerveja, que hoje conseguiu minimizar o problema.
Outra solução, ainda que paliativa, é a colocação no cardápio de
objetos à venda. Maria das Tranças e Almanaque Choperia são exemplos de
estabelecimentos que comercializam os brindes.
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