sábado, 5 de outubro de 2013

Postos de Observação e Vigilância estão abandonados ou são pouco utilizados pela Polícia Militar

Sem uso

POVs transmitem insegurança
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De acordo com as pessoas que frequentam a praça Sete, POV não tem a presença de um policial militar há muito tempo
PUBLICADO EM 05/10/13 - 03h00
No lugar de policiais, cadeiras vazias, sujeira, jornais velhos e um ambiente de abandono. Mesmo tendo sido considerados obsoletos há cinco anos pela Polícia Militar (PM), os Postos de Observação e Vigilância (POVs) ainda fazem parte das táticas de policiamento da capital, mas praticamente não têm policiais para atender a população. A própria PM admite a dificuldade em manter efetivo nos POVs e promete divulgar uma avaliação sobre os postos.

Instaladas em 1999, as estruturas foram criadas para aproximar o militar da população e garantir uma referência fixa de segurança. Apesar disso, desde 2008, a PM não amplia o número de cabines policiais e, hoje, avalia substituir esses postos por outra estratégia ainda não definida. Porém, de lá para cá apenas duas cabines foram removidas. Atualmente, são 24 POVs no hipercentro da capital e nas regiões Leste, Centro-Sul, Noroeste e Barreiro.
Em plena praça Sete, no centro, a antiga guarita policial se transformou em uma carcaça de metal. O vendedor ambulante André Luiz Araújo, 28, que trabalha na área das 9h às 18h, diz que o local está abandonado há um ano. “Desde então, não vejo um policial aqui. Essas cabines sem ninguém convidam os bandidos a agir”, disse.
Próximo dali, no cruzamento das ruas Rio de Janeiro e Tupis, é preciso contar com a sorte para encontrar um policial na guarita que, desde junho, apresenta vidros e cadeiras quebrados e pichações. Há uma semana na capital, o representante comercial Giovani Mateus, 19, se sente inseguro. “Desde que comecei a trabalhar no centro, a cabine fica fechada”, criticou.
No bairro Bandeirantes, na região da Pampulha, os moradores não se lembram da última vez que viram um policial no POV instalado no cruzamento das ruas Cremona e Novara. “A cabine sempre fica trancada. Já presenciei assaltos à noite no ponto de ônibus, mas o policial que deveria dar suporte em um posto não está lá”, reclamou a manicure Dirce Francisca Novais, 70.
Na última quarta-feira, uma cabine situada na rua Arariba, no bairro São Cristóvão, foi removida. Desde então, usuários de drogas usam o ponto para fumar crack, próximo ao Conjunto Habitacional do IAPI.
Para o representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e membro do Conselho de Defesa Social de Minas Gerais Egmar Ferraz, o abandono das estruturas impacta a maneira como os cidadãos avaliam a segurança pública no Estado. “É normal ocorrer mudanças de estratégia, o que não pode acontecer é abandonar uma estrutura física que é referência de um projeto de policiamento.
Quando um trabalhador vê o posto depredado e vazio, ele sente como se também tivesse sido esquecido pelo poder público”, avalia. 

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