Advogado foi assassinado na porta de casa; atirador seria traficante interessado em entrar para a facção
O crime.
Cerca de 40 tiros atingiram o carro do advogado; 11 acertaram a vítima, segundo a perícia
PUBLICADO EM 02/11/13 - 09h00
A morte do advogado criminalista Jayme Eulálio de Oliveira, 37, pode
ter sido uma “cerimônia de batismo” para entrada na facção criminosa
Primeiro Comando da Capital (PCC). O advogado foi assassinado com tiros
de fuzil e pistola .40 em 22 de outubro, quando chegava de carro em
casa, no bairro Castelo, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Essa é
a principal linha de investigação da Polícia Civil, que estaria perto
de solucionar o caso.
De acordo com fontes da corporação, o advogado teria sido contratado
pelo PCC com a promessa de tirar um dos integrantes da quadrilha de uma
penitenciária mineira. Para isso, ele teria recebido uma alta quantia em
dinheiro. No entanto, o defensor teria conseguido apenas reduzir a pena
do traficante, irritando a organização, que resolveu por sua morte.
O PCC teria encomendado o serviço a um traficante mineiro do bairro
Morro Alto, em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Identificado apenas como Du, o suspeito teria assumido o controle do
tráfico de drogas na região após a prisão de Flávio Sem-Terra, antigo
líder, preso em abril. Du estaria interessado em entrar para a facção
paulista.
“Como o serviço do advogado não vingou, a organização impôs, como
condição para o ingresso no grupo, que o traficante de Vespasiano
matasse o advogado”, explicou uma das fontes. Para executar o serviço,
Du teria contratado de dois a seis pistoleiros. Um deles seria um homem
conhecido como Totó, único identificado até o momento.
Carro blindado. O grosso calibre das
armas, em especial o fuzil, não usado com frequência por criminosos
mineiros, seria explicado por um carro blindado que o advogado vendeu há
dois meses. Segundo um policial, o criminalista trocou o veículo por
outro, do mesmo modelo, mas mais novo e sem a proteção. “No entanto,
para os suspeitos, ele continuava com o carro blindado e, aí, para
matá-lo, precisariam de armas de grosso calibre”.
Batismo
Cerimônia.
Para ser integrante do PCC, o pretendente precisa ser apresentado por
um “padrinho”. Se aceito, ele passa por uma “cerimônia de batismo”,
orquestrada por um membro mais antigo.
Crime ainda surpreende no meio policial
Policiais civis ouvidos pela reportagem de O TEMPO
afirmaram que a morte do advogado ainda é um motivo de surpresa no meio
policial. “O Jayme era muito profissional com todos e nunca teve
problema com ninguém, muito menos com os clientes”, revelou um
investigador.
De acordo com ele, a prova da tranquilidade do
advogado está no fato de ele ter vendido o carro blindado. “Não passava
pela cabeça dele ser vítima de um crime assim. Ele estava sempre bem
disposto, alegre e feliz com tudo”, contou o policial. (Da Redação)
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