
Equipes de segurança e saúde que atuarão durante o Mundial em BH apresentam seu arsenal para lidar com
ameaças químicas, biológicas e radioativas e para socor
rer vítimas de incidentes
Militares do Gate apresentam equipamentos que serão usados em prevenção. Representante do Exército considera
BH a sede mais bem preparada
Faltando pouco mais de sete meses para a abertura da Copa do Mundo, as forças de segurança e saúde que vão
atuar em Belo Horizonte durante o Mundial apresentaram ontem o aparato com que contarão para dar respostas às
demandas eventualmente geradas por agentes químicos, biológicos, radioativos e nucleares. A maior novidade
estará à disposição do Grupamento de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, que contará com
tecnologia para combater as chamadas “bombas sujas”, como são classificados artefatos que podem espalhar
micro-oganismos ou gases, diferentes dos explosivos convencionais. Autoridades da área de saúde também
detalharam o plano de atendimento durante a Copa. Os hospitais Eduardo de Menezes (Barreiro), Odilon Behrens
(Noroeste), João XXIII (Centro-Sul) e Risoleta Neves (Venda Nova) serão as referências para casos mais críticos.
Para o coronel Wagner Silveira, integrante do Comando da 4ª Região Militar do Exército Brasileiro, Belo
Horizonte é a cidade-sede que está mais organizada no que diz respeito aos trabalhos de um grupo específico de
proteção visando ao Mundial do ano que vem. “As discussões em BH estão mais afinadas do que nas demais
cidades, pois o grupo está trabalhando de forma integrada”, afirmou o militar. O coronel Wilson Chagas, que
coordena o projeto de segurança criado pelo estado para a Copa, chama a atenção para o trabalho de prevenção a
ataques químicos. “Dentro do serviço de inteligência, umas das possibilidades é o terrorismo e por isso essa
preparação para lidar com armas químicas e biológicas é importante”, diz.
Para atuar em um caso que envolva uma “bomba suja”, por exemplo, o Gate adquiriu uma estrutura composta por
um aparelho de raio X, que faz uma varredura no objeto suspeito, um detector de gases tóxicos, um monitor de
radiação, um robô para aproximação e um traje de proteção, que pesa 30 quilos. Segundo o tenente Francis Albert,
do esquadrão antibombas do Gate, foram gastos R$ 3 milhões com os novos equipamentos. “As bombas sujas são
capazes, por exemplo, de disseminar gases e para isso precisam de atuação específica. O Gate é responsável pela
primeira intervenção. Depois podem entrar outros órgãos, dependendo da complexidade das ocorrências”, diz o
tenente.
Um deles é o Corpo de Bombeiros, que pode atuar com trajes específicos para atendimento a vítimas ou para
intervenção em vazamentos de produtos perigosos. “Um dos trajes é totalmente vedado ao ambiente externo, seja
para sólidos, líquidos ou gases. Também trabalhamos com detectores de quatro tipos de gases: explosivos,
oxigênio, gás sulfídrico e monóxido de carbono”, diz o tenente Eduardo dos Santos, dos bombeiros. A corporação
dispõe ainda de objetos que podem ser inflados para estancar vazamentos e estabilizar uma situação crítica, para
que vítimas sejam atendidas de maneira mais rápida.
As secretarias municipal e estadual de Saúde também deram detalhes, durante o Seminário de Instrução Técnica
em Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear, de como pretendem atuar. Apesar de haver quatro
hospitais indicados para casos críticos, toda a rede municipal das unidades de pronto atendimento (UPAs) e
estadual da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) estará funcionando normalmente. “O Hospital
Eduardo de Menezes (Barreiro) é parte do grupo de referência porque é especializado em doenças infecciosas”,
diz Cláudia Magalhães, integrante do grupo temático criado pela Secretaria de Estado da Saúde para a Copa do
Mundo. Os demais – João XXIII, Risoleta Neves e Odilon Behrens – são os mais indicados nos casos de traumas
e concentram todos os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde.
FAN FEST Quatro postos médicos avançados (PMA) serão instalados para os casos que necessitarem de
intervenções médicas mais complexas nos próprios locais. “Teremos uma unidade em cada aeroporto, outra nos
arredores do Mineirão e mais uma no parque de exposições da Gameleira, onde será realizada a fan fest”, diz
Cláudia Magalhães. Ela destaca ainda que o estado vai disponibilizar tendas para descontaminação, que devem ser
montadas pelos bombeiros para atuar antes de um paciente ser encaminhado a um hospital. Em Belo Horizonte, o
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) vai operar com sete unidades de suporte avançado (USA),
sendo uma aérea, e 24 unidades de suporte básico (USB), todas dentro de ambulâncias. “Temos também condição
de transformar unidades básicas em avançadas, caso seja necessário”, diz o gerente do Samu, José Eduardo Magri
Júnior.
Radiação
Os portões de acesso dos torcedores às dependências do Mineirão, além de contar com um sistema de raios X que
detecta objetos escondidos, terão uma estrutura para controle de radiação durante a Copa do Mundo, segundo
Carlos Costa, representante do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN), órgão vinculado ao
Ministério de Ciência e Tecnologia. Ele também esteve presente ontem ao Seminário de Instrução Técnica em
Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear e apresentou equipamentos que serão usados para auxiliar as
autoridades a flagrar objetos que emitam radiação ou bombas nucleares. Dentro do estádio, equipamentos
informarão apenas se há emissão de radiação. Só será possível precisar os níveis com a presença de uma equipe
com aparelhos específicos.
ESTADO DE MINAS
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