terça-feira, 19 de abril de 2016

Grupos contra Dilma se mobilizam para pressionar Senado

Crise

Líderes querem garantir impeachment e fazer cobranças a Temer

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Domingo. Na praça da Liberdade, manifestantes comemoraram aprovação do impeachment na Câmara

PUBLICADO EM 19/04/16 - 03h00
Após a noite de comemoração pela vitória do impeachment na Câmara dos Deputados, líderes dos movimentos de apoio à cassação de Dilma Rousseff miram agora o Senado Federal, parlamento onde será julgado em definitivo o processo de afastamento por crime de responsabilidade fiscal pelo qual é acusada a presidente da República.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na operação Lava Jato, não está na pauta de reivindicações, segundo coordenadores dos grupos pró-impeachment. “Esse não é momento de preocuparmos com Eduardo Cunha. Estamos nos articulando para pressionar os senadores pela votação a favor do impeachment”, disse Silas Valadão, um dos líderes do movimento Patriotas.

“O foco agora é esse (votação a favor do impeachment)”, confirmou também um dos coordenadores do Movimento Brasil Livre (MBL), Ivan Gunther. Por enquanto, segundo ele, não há manifestação de grande peso agendada para os próximos dias. No entanto, o grupo já pensa no pós-impeachment. Entre as pautas do MBL está a cobrança da implementação integral do projeto “Uma ponte para o futuro”, conjunto de propostas divulgadas por Michel Temer que serão colocadas em prática, caso assuma a Presidência.

O líder do Movimento Vem pra Rua em Minas, Max Fernandes, disse que nesta segunda mesmo já foi intensificada a pressão sobre senadores de todo país para que votem pela condenação da presidente Dilma. Para eles, a referência é o Mapa do Impeachment, ferramenta que contém posições políticas dos parlamentares em Brasília. O instrumento de cobrança foi criado por voluntários, segundo a organização do Vem pra Rua.

Mobilizações. Em Minas, os grupos pró-impeachment se mobilizam para eventos no Estado. No feriado de 21 de abril, data em que se comemora o Dia de Tiradentes, algumas ações já estão em curso.

O Patriotas fará um evento em frente à estátua de Tiradentes em Belo Horizonte, homenageando apoiadores dos movimentos pró-impeachment com entrega da “Medalha Patriótica”. Segundo Silas Valadão, a lista ainda está sendo feita, mas deve conter cerca de 30 pessoas. Ele não descarta a homenagem a algum político. “Será uma solenidade nos moldes de como acontece em Ouro Preto, com a Medalha da Inconfidência”, revelou Valadão.

Já Max Fernandes conta que o Movimento Brasil Livre vai intensificar os protestos contra o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), indiciado na operação Acrônimo. “Vamos organizar protestos nas ruas, na Cidade Administrativa e em Ouro Preto, como fizemos em 2015”.
Homenagem

Personagem
. Na entrega da “Medalha Patriótica”, organizada pelo grupo Patriotas no feriado de 21 de abril, um dos agraciados será Miguel Nagib, coordenador da ONG Escola sem Partido.
Defesa promete ir para as ruas

Os grupos contrários ao impeachment da presidente Dilma prometem manter a disputa nas ruas. Os próximos atos a serem realizados em Belo Horizonte foram discutidos durante uma reunião da Frente Brasil Popular, que reúne partidos, movimentos sociais e sindicatos, na sede do Crea-MG, nesta segunda à noite. O deputado estadual Rogério Correia (PT) conta que será feita uma série de reuniões para avaliar a situação e determinar estratégias para agir.

Uma das mobilizações, que já está sendo organizada, vai ocorrer durante a entrega da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, no próximo dia 21, durante o feriado de Tiradentes.

“Vamos levar, junto com os movimentos sociais, a denúncia, em nível internacional, desse golpe”, explicou o parlamentar. A entrega da condecoração terá como orador o ex-presidente do Uruguai José Mujica que, como destaca Correia, tem grande representatividade no cenário político mundial.

A Frente Brasil Popular também organiza uma marcha de Ouro Preto até Belo Horizonte prevista para começar no dia 22 de abril, chegando na capital no dia 26, quando será realizado um ato “pela democracia e contra o golpe”.

O vice-presidente da CUT-MG, Carlos Magno, acredita que existem condições para realizar grandes atos de resistência ao que ele chama de “golpe”. Magno conta que existe a proposta de organizar uma greve geral no Dia do Trabalhador, 1º de maio, ideia que será discutida entre os sindicatos. “Vejo que temos condições reais dessa greve acontecer”, diz.

Outras mobilizações também estão ocorrendo de forma espontânea. Na tarde desta segunda, estudantes da UFMG fizeram um protesto, pedindo a saída de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e contra o impeachment.

O protesto começou dentro da universidade e seguiu até a avenida Antônio Carlos, onde os estudantes fecharam, de forma alternada, as pistas em direção ao centro e ao bairro.

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