terça-feira, 10 de maio de 2016

O governo de esquerda que nunca houve

José Antônio Bicalho / 10/05/2016 - 14h44 - Jonal Hoje em Dia
Jornalista do Hoje em Dia do caderno Primeiro Plano, Bicalho escreve sobre política econômica
zéPor incrível que pareça, a melhor radiografia da raiz da crise foi feita por João Pedro Stedile, líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que por dever de ofício é sempre pouco preciso e nunca imparcial. Mas em entrevista ao jornal Valor Econômico ele foi ao ponto exato. Discordou da tese do PT de que o governo Dilma ameaça cair por conta da aposta que fez nos mais pobres. De acordo com Stedile, Dilma e Lula “nunca fizeram governo de esquerda”, mas sim uma tentativa de conciliação de classes. “Não era um governo de esquerda nem popular. No segundo mandato os setores da classe dominante que antes estavam com Lula se afastaram. A presidente ficou sozinha”, disse. “Foi um erro não investir na esquerda, não montar os ministérios em diálogo com a sociedade e as forças populares”.
De fato, o governo híbrido, que tentou agradar à esquerda e à direita, não era sustentável nem promoveu mudanças econômicas e sociais estruturais. Enquanto a economia surfou no crescimento mundial e no boom das commodities foi possível acomodar o capital, o trabalho e os despossuídos no mesmo barco. Os primeiros “nunca ganharam tanto dinheiro” como gostava de dizer Lula. Os segundos tiveram farta oferta de empregos e aumentos reais de salários. E aos últimos foram distribuídas as sobras do crescimento por meio do Bolsa Família e assemelhados. Com a crise, todos perderam e voltamos à estaca zero. Se Dilma e Lula tivessem feito a reforma tributária, estaríamos ao menos distribuindo de maneira mais justa a riqueza que encolhe.

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