quinta-feira, 2 de junho de 2016

Adaga de Tutancâmon era feita de ferro de meteorito, diz estudo

02/06/2016 17h53 - Atualizado em 02/06/2016 17h53

Punhal tem lâmina com 10% de níquel e 0,58% de cobalto.
Componentes são encontrados em ferro de meteoritos.

Do G1, em São Paulo
Adaga de Tutancâmon é feita de material similar ao de meteoritos (Foto: Reprodução/Twitter/Università di Pisa)Adaga de Tutancâmon é feita de material similar ao de meteoritos (Foto: Reprodução/Twitter/Università di Pisa)
Análises científicas de uma adaga, embalsamada há mais de 3,3 mil anos e que pertencia ao faraó Tutancâmon, reforçam a teoria de que o objeto teria sido feito com ferro de meteorito, segundo um estudo recente divulgado nesta quinta-feira (2).
"A composição da lâmina, determinada com precisão graças à espectrometria de fluorescência de raios X, sustenta firmemente sua origem meteórica", diz o estudo, realizado por cientistas italianos e egípcios no Museu Egípcio, no Cairo. "Sugerem fortemente uma origem extraterrestre".
Os pesquisadores descobriram que a lâmina contém 10% de níquel e 0,58% de cobalto, componentes essenciais do ferro encontrado em meteoritos. Com a empunhadura decorada em ouro e uma bainha feita do mesmo material, o punhal de ferro sempre intrigou arqueólogos, já que a ferraria não era uma prática difundida no Egito antigo, como divulgou a agência BBC Brasil.

A adaga não se oxidou ao longo de três milênios e foi encontrada entre as faixas da múmia do faraó, na altura da coxa direita.

Tutancâmon, morto no ano 1324 antes de Cristo, após um breve reinado de nove anos, se tornou um dos faraós mais conhecidos do Egito Antigo graças ao seu tesouro funerário, o mais extraordinário descoberto no país.
Máscara de Tutancâmon é exibida no Museu Egípcio do Cairo pela primeira vez após o fim de sua restauração, na quarta (16) (Foto: AFP Photo/Mohamed El-Shahed)Máscara de Tutancâmon é exibida no Museu Egípcio do Cairo pela primeira vez após o fim de sua restauração (Foto: AFP Photo/Mohamed El-Shahed)
Sua tumba, encontrada em 1922 pelo egiptólogo britânico Howard Carter, escondia mais de 5.000 objetos intactos, grande parte deles de ouro maciço.
O faraó herdou o trono quando tinha apenas 8 ou 9 anos. Um dos grandes feitos de seu curto mandato foi a recuperação dos templos de Amón, danificados durante o governo de seu pai, Aquenáton.

A história de sua morte é rodeada por incertezas. É possível que Tutancâmon tenha sido assassinado ou não resistido às consequências de uma lesão adquirida enquanto caçava. Em 1925, três anos depois da descoberta da tumba, Carter encontrou as duas adagas dentro do sarcófago da múmia.
Os resultados do novo estudo, publicado em maio na revista científica americana "Meteoritics and Planetary Science", estão em consonância com outro trabalho, realizado em 2013.
Na ocasião, pesquisadores escanearam um cemitério de 5.000 anos de antiguidade na região do Baixo Egito e descobriram que os objetos mais antigos já encontrados eram feitos a partir de meteoritos.
"Nosso estudo sugere que os antigos egípcios atribuíam grande valor ao ferro de meteoritos para a produção de objetos ornamentais ou cerimoniais", afirmam os autores. "A qualidade da fabricação do punhal" demonstra que na época de Tutancâmon os egípcios já tinham um "domínio significativo do ferro ornamental".
Segundo os cientistas, os faraós sabiam da origem meteórica do ferro que utilizavam, visto que durante a 19ª dinastia egípcia (de 1292 a 1187 antes de Cristo), surgiu um novo termo para se referir a este metal: "o ferro do céu".
"A introdução deste termo sugere que os antigos egípcios eram conscientes de que estes raros pedaços de ferro caiam do céu", posicionando-se "mais de dois milênios à frente da cultura ocidental", diz o texto da pesquisa.
O sarcófago do faraó egípcio Tutancâmon é visto em sua tumba no vale dos reis em Luxor (Foto: Mohamed Abd El Ghany/Reuters)O sarcófago do faraó egípcio Tutancâmon é visto em sua tumba no vale dos reis em Luxor (Foto: Mohamed Abd El Ghany/Reuters)

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