quarta-feira, 29 de junho de 2016

'Aliança com PMDB de Temer foi meu maior erro', diz Dilma

ENTREVISTA

Petista ainda afirmou que vê possibilidade de um retorno ao exercício do cargo


Dilma
Segundo Dilma, essa não foi uma questão pessoal e Temer não "representa a si mesmo"
PUBLICADO EM 28/06/16 - 20h08
A presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), afirmou nesta terça-feira (28) em entrevista à rádio "Metrópole", da Bahia, que a aliança com o PMDB do presidente interino, Michel Temer, foi o maior erro cometido por ela em sua gestão.

"O erro mais óbvio que cometi foi a aliança que fiz para levar a presidência nesse segundo mandato com uma pessoa que explicitamente, diante do país inteiro, tomou atitudes de traição e usurpação", afirmou.

Segundo Dilma, essa não foi uma questão pessoal e Temer não "representa a si mesmo".

"Não acho que o vice-presidente representa a si mesmo. O grupo que ele representa, e o encontro com Eduardo Cunha [no último domingo] mostra isso, é um grupo político. E eu errei em fazer aliança com esse grupo político", disse a petista.

Dilma ainda afirmou que vê possibilidade de um retorno ao exercício do cargo com a votação do processo de impeachment em agosto, no Senado.

Questionada sobre como governaria sem uma base sólida no Congresso Nacional, defendeu a necessidade de uma reforma política, mas não falou em propostas de plebiscito ou novas eleições.

Disse que sua volta ao exercício da Presidência será a condição para "restabelecer a democracia no Brasil".

Segundo a presidente afastada, "o sistema político do Brasil está em processo acelerado de deterioração". E exemplificou com o encontro Michel Temer e o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), no último domingo (26).

Segundo ela, Temer não conseguiria governar sem conversar com Cunha. E ironizou o encontro: "Não foi sobre futebol que eles conversaram".

CRÍTICAS AO GOVERNO

Na entrevista, Dilma ainda fez uma série de críticas ao governo Temer. Afirmou que o presidente interino "considera a cultura irrelevante", ao tomar a decisão de extinguir o ministério. E criticou a equipe de ministros sem mulheres e negros.

Dilma também afirmou que o novo governo apresenta uma pauta conservadora e que retira direitos dos trabalhadores.

"Estamos vendo nesses parcos 45 dias do governo provisório, um crescente avanço para retirar direitos. Reduzem o Pronatec e agora eles estão dizendo que vão exigir 70 anos para que as pessoas tenham direito à aposentadoria", disse, numa referência à possível proposta de reforma da Previdência de Temer.

A petista ainda citou a perícia realizada pelo Senado para afirmar não teve participação nas chamadas "pedaladas fiscais".

E afirmou que não houve dolo na publicação dos decretos que não haviam sido autorizados pelo Congresso Nacional.

"Eu não fui informada da suposta incompatibilidade dos decretos em relação à meta fiscal. Também neste caso esta eliminada qualquer dúvida em relação ao fato. Não há dolo, portanto, não há crime", disse.

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