terça-feira, 14 de junho de 2016

Governo brinca com fogo ao desprezar crise nos presídios

Orion Teixeira / 14/06/2016 - 06h00- Jornal Hoje em Dia

O governo mineiro conseguiu, por meio de liminar do Tribunal de Justiça, interromper a greve dos agentes prisionais sob a ameaça de multa diária de R$ 100 mil ao sindicato da categoria, mas apenas adiou problemas mais graves em um terreno perigoso e explosivo.
Ao tratar desigualmente esses servidores, o governo está brincando com a pólvora que pode explodir o barril das penitenciárias em rebeliões de grandes proporções. Bastou falar em greve e cancelar visitas aos detentos para que a agitação começasse, com fogo em colchões e outras ameaças (dois ônibus foram queimados).
Diretores da administração prisional entregaram os cargos, ontem, por entenderem que o caminho escolhido só piora as coisas e que o governo erra na condução do problema. Entre eles, o chefe de gabinete Zuley Jacinto por divergências com o subsecretário de administração prisional.
O estopim da greve foi a recusa em pagar o abono vestimenta aos agentes prisionais (e aos policiais civis) em favor dos policiais militares. Além de serem tratados como os “primos pobres” da segurança pública, os quase 20 mil agentes não têm estabilidade, carreira, lei orgânica e são comandados por três delegados federais: o secretário Sérgio Menezes e dois subsecretários.
A decisão judicial barrou a paralisação, mas uma greve branca pode trazer prejuízos tão grave quanto. Na reunião de conciliação dessa segunda-feira, negociadores do governo reafirmaram a disposição de pagar o auxílio vestimenta (R$ 1.600) no próximo mês. Hoje, os agentes voltam a se reunir em assembleia para avaliar o movimento.

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