quarta-feira, 22 de junho de 2016

Inverno pesa no bolso encarecendo preços de alimentos e artigos para enfrentar o frio

Raul Mariano e Tatiana Lagôa
Hoje em Dia - Belo Horizonte
22/06/2016 - 06h00 - Atualizado 07h24
Madrugadas geladas têm aumentado a demanda por pijamas de inverno
Madrugadas geladas têm aumentado a demanda por pijamas de inverno
A expectativa de um inverno rigoroso traz a reboque a elevação dos preços dos alimentos que têm o cultivo prejudicado pelas baixas temperaturas. É o caso de hortifrutis como beringela, inhame, mandioca e abobrinha que, juntas, já subiram em média 3% na primeira quinzena de junho, segundo levantamentos do Ceasa Minas. Com a demanda por agasalhos e botas em alta, os preços [/TEXTO]dos artigos de vestuário de inverno também estão até 20% mais caros.
Frente a chegada oficial do inverno, os Estados que têm sido mais castigados pelo frio –como São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – tendem a comprar parte da produção mineira de hortaliças. Com o aumento da demanda, a tendência é de alta no preço de verduras e legumes.
Especialistas explicam que o frio é prejudicial para o cinturão verde, que é formado pelos principais folhosos consumidos no mercado. Com isso, a salada do dia a dia acaba ficando mais cara. A dica até que os preços voltem a se acomodar é consumir produtos da época, como a abóbora, para citar um exemplo.
Nos sacolões, já há consumidores reduzindo as compras pela metade. É o caso da costureira Cléria Gonçalves, que deixou de levar frutas como uva, maça e mamão, além de batata e mandioca. “Os preços estão assustadores. Eu pretendia fazer uma sopa para o jantar, mas vou ter que fazer um mingau”, lamenta.
A coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, explica que o período de transição entre fenômenos climáticos impacta diretamente toda a agricultura.
“Esse pré-inverno das últimas semanas já foi diferente dos últimos cinco anos. As temperaturas caíram muito. Até abril, temperaturas muito altas impactaram as safras de grãos como o feijão, além de favoreceram o amadurecimento adiantado da nossa produção de café. Esperamos mais chuvas em algumas regiões do país. Estamos saindo do El Niño e indo para a La Niña”, analisa.
Tudo isso em um cenário em que o valor da cesta básica aumentou 13,25% em maio frente ao mesmo mês de 2015, de acordo com dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). Uma elevação maior do que a inflação do período, que foi de 11,62%.
Nos últimos dois anos, o El Niño foi responsável por descaracterizar o inverno bloqueando a entrada de frentes frias pelo sul do país. Neste ano, as quedas de temperatura podem ultrapassar médias históricas em BH
Contramão
As baixas temperaturas estão contribuindo também para a redução no preço de algumas hortaliças. De acordo com o Ceasa Minas, o tomate, que já foi vilão em um passado recente, teve uma redução de preço de quase 30% no mês de junho, frente a maio.

“A beterraba, cenoura e moranga-híbrida, cultivadas abaixo da terra, passam a ter um período favorável em relação a outras hortaliças que são mais expostas ao frio. Com isso, a oferta é maior e o preço cai”, explica o chefe da sessão de informações de mercado da Ceasa Minas, Ricardo Martins.


Inverno pesa no bolso encarecendo preços de alimentos e artigos para enfrentar o frioCardápio - A costureira Cléria Gonçalves tem feito substituições 
Frio mais rigoroso "manda" consumidor às vendas
O frio mais rigoroso aqueceu as vendas de produtos como agasalhos, calçados, aquecedores de ambiente, meias e pijamas compridos em Minas Gerais. Motivo de comemoração para lojistas e industriais, que reaqueceram as vendas. Já para os consumidores, o crescimento da procura deve pesar mais no bolso, uma vez que alguns produtos estão sendo reajustados.
Na Savassi, as vendas de roupas e sapatos de inverno tiveram aumento de 20%, segundo o presidente do Conselho Savassi da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/Savassi), Alessandro Runcini. Como estão recompondo estoques às pressas, os lojistas têm encontrado preços mais salgados, com impacto entre 10% e 20% para o consumidor final. </CW>
Na Água Fresca Lingerie, o frio elevou as vendas de pijamas, meias e blusas do tipo “segunda pele” em 30% frente ao mesmo período de 2015, segundo a sócia-proprietária, Juliana Pires. A fabricação própria permitiu a manutenção dos preços.
Da mesma forma, a Loja Elétrica comemora alta de 50% nas vendas de aquecedores frente a 2015 e de 30% dos chuveiros, segundo o consultor técnico da loja Herbert Abreu.
O momento favorável para artigos de frio se reflete n[TEXTO]o setor industrial. “O frio aumenta a procura, principalmente, de tecidos mais pesados, como jeans. Estamos diminuindo a ociosidade da fábrica”, afirma[/TEXTO] o presidente do Conselho de Administração da empresa têxtil Cedro Cachoeira, Agnaldo Abílio Diniz.
A venda de calçados cresceu pelo menos 10% em junho, segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Júnior César Silva. O resultado é atípico, uma vez que junho é o mês em que os trabalhadores ficam de folga para abater o banco de horas.
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