segunda-feira, 6 de junho de 2016

Nem Temer, nem Dilma...

Amália Goulart / 06/06/2016 - 06h00
Os ventos mudaram em Brasília. A possibilidade de a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) retornar ao posto aumentou nos últimos dias. Deputados e senadores confabulam, nos gabinetes e corredores do Congresso, uma maneira de construir um governo sem Dilma e sem Michel Temer (PMDB).
O que ocorre no Brasil é o seguinte: um país assolado por um PIB negativo, desemprego em alta e crise política. O governo que assumiu com a promessa de mudar o cenário mostra-se frágil. Entre idas e vindas, várias contradições. Aumentar salário de magistrados e propor ajuste nas contas são medidas como água e óleo. Indicar envolvidos na “Lava Jato” é assumir riscos que o momento e a ética não permitem.
Até mesmo a boa recepção do mercado a Henrique Meirelles, escolha certeira, foi maculada pela falta de ação imediata na área fiscal. O Congresso não está disposto a aprovar sem negociar. Deputados e senadores criticaram o congelamento de gastos com saúde e educação. O que dirão os eleitores?
Até os mais leigos sabiam que não é possível cobrir um rombo bilionário sem aumentar impostos, tendo em vista os demais indicadores econômicos brasileiros. Então, qual o motivo para não anunciar a medida impopular?
Esses são alguns dos questionamentos feitos por ao menos 10 senadores que podem decidir o futuro do Brasil. Eles admitem que votaram contra Dilma, na primeira etapa no Senado, mas podem mudar de posição.
O grande problema é que Dilma é arrogante por demais para reassumir e promover mudanças que até ela critica. Ficaria tudo como está. Dilma e Temer, país enrascado. Por isso, parlamentares comprometem-se, nos bastidores, a aprovar com urgência uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) convocando novas eleições. Seria uma saída honrosa para uma classe que definha a cada manhã, com as notícias frescas da “Lava Jato”.

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