terça-feira, 7 de junho de 2016

Policial não viu que atirava em criança, diz delegada

PM atirou contra um menino de dez anos suspeito de furtar um carro importado, que teria disparado contra os policiais, na Zona de Sul de São Paulo

Por: Rafaela Lara - Atualizado em
Elisabete Sato, diretora do DHPP de São Paulo
Elisabete Sato, diretora do DHPP de São Paulo(Beatrice Caparbo/SSP/VEJA)
A titular da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), Elisabete Sato, afirmou nesta sexta-feira que o policial que atirou e matou o menino de dez anos não viu que se tratava de uma criança. O menor, suspeito de invadir um condomínio de luxo e furtar um carro, estava dentro do veículo na hora em que foi alvejado na cabeça. O policial atirou no vidro que tinha película escura. O caso aconteceu na noite desta quinta-feira na Zona Sul de São Paulo.
"O carro era (sic) 'insulfilmado'. Então, os policiais não tinham como saber se havia uma ou duas pessoas no interior do veículo. O vidro estava fechado", disse a delegada. Ela afirmou que o policial teria disparado porque o menino fez, antes, disparos de dentro do carro contra os policiais.
O menino de dez anos estava acompanhado de outro garoto de 11 anos no roubo. Na companhia da mãe, o menor que saiu ileso prestou depoimento hoje. Ele relatou que o seu amigo o chamou para fazer o roubo, que os dois foram até o condomínio e acessaram a garagem do local após pularem o muro. Ali, encontraram um carro com o vidro aberto e a chave pronta para dar a partida. A proprietária do veículo acionou a PM, que passou a perseguir os garotos.
No curto trajeto, os meninos bateram o carro num ônibus e num caminhão. O menor teria atirado três vezes contra os policiais, que revidaram - o disparo que acertou seu rosto foi fatal.
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Segundo o DHPP, a dupla já tem passagens pela polícia, por roubo a um hotel e outra por tentativa de furto de carro. A última ocorrência foi registrada no dia 28 de maio deste ano.
Além disso, o menino morto tinha três registros por fugir de abrigos. "Temos que entender que há uma questão social muito grave aqui", afirmou a delegada.
Segundo a Polícia Civil, a arma apreendida com o garoto, um revolver calibre 38, havia sido roubada de um caminhão de carga, em Jundiaí, no interior de São Paulo. A delegada também afirmou que o menino tem uma "família desustruturada". A mãe já foi presa e o pai está encarcerado pelos crimes de tráfico de drogas, falsidade ideológica e furto.

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