quinta-feira, 30 de junho de 2016

Se não reagir, Pimentel fica até com a reeleição sob risco

Orion Teixeira / 30/06/2016 - 06h00
Orion Teixeiraxeira é jornalista político. Escreve de terça-feira a domingo neste espaço.
Orion TeixeiraDesde que ganhou fôlego na Justiça, o governador Fernando Pimentel (PT) está mudando sua forma de agir e disposto a deixar a paralisia que ameaçava seu governo e futuro político. De acordo com as preliminares do Superior Tribunal de Justiça (STJ), se for processado, não precisará ser afastado do cargo, como prescreve o artigo 92 da Constituição Mineira, por conta de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do voto do relator, Herman Benjamin.
A defesa dele ainda tentará impedir até mesmo a abertura do processo com base na contestação das provas, constituídas sem aval do foro privilegiado (STF), e no princípio federativo pelo qual a ação judicial deveria ser autorizada pela Assembleia Legislativa de Minas. Na dúvida, andará com o habeas corpus preventivo.
Ele é acusado pela Polícia Federal e pela Procuradoria Geral da República de ter favorecido, quando ministro do Desenvolvimento Econômico (2011/2014), a concessionária Caoa com incentivos fiscais em troca de vantagens indevidas. A votação sobre seu caso ficou para o início do segundo semestre. Na pior das hipóteses, se processado, o tempo correrá a seu favor, já que não seria concluído antes o fim do mandato.
Junto do “alívio” judicial, o governador ganhou outros dois. Um deles é financeiro, com a renegociação da dívida do Estado junto à União. São R$ 500 milhões/mês a mais que poderão levá-lo a interromper, por exemplo, o parcelamento dos salários dos servidores que ganham mais de R$ 3 mil. O terceiro fator, é de ordem política, com o deslocamento do foco sobre ele, por meio das acusações, prisão e delações premiadas envolvendo, agora, os principais rivais, os tucanos.
O inferno astral passou, mas chegou ao nível de secretário discutir a possibilidade de mudança de governo. Aliados avaliam que, se ele não reagir agora, governando e fazendo obras, não terá como cumprir promessas feitas, com riscos até para sua reeleição em 2018. Tudo somado, o petista está mais confiante e falante, discursando e criticando mais a crise política nacional. Por isso, deu ordens à equipe para mostrar serviço.
Eleição de 500 prefeitos
Além de governar e buscar resultados, a estratégia é de eleger até 550 prefeitos como base de apoio para a reeleição de Fernando Pimentel. Seu grupo investirá no interior, onde o desgaste do PT e de aliados é menor.
Ainda assim, na capital, está apostando na pulverização de candidaturas aliadas para tentar evitar derrota de seu grupo perante os rivais. Pimentel articula cinco ou seis pré-candidatos para que um deles possa chegar à loteria do segundo turno em Belo Horizonte.
Está programado também que, a partir de agosto, com a definição dos candidatos a prefeito, ele dedicará os sábados a viagens ao interior para apoiar seus aliados.
‘O errado é que está certo’
Uma semana depois que o ministro Teori Zavascki, do STF, diagnosticou que o país está doente e receitar remédio amargo, outro ministro do Supremo, Luís Roberto Barroso, observou que a corrupção se tornou a “espantosa regra” por causa da impunidade e disse que a sociedade brasileira não tolera mais isso.
Como dizia “em mil e novecentos e Kafunga” o comentarista esportivo de mesmo nome: “o errado é que está certo”.

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