quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Minas Gerais: Um terço dos acidentes é na 381

De janeiro a junho deste ano, foram 2.230 batidas na rodovia, 32% do total das estradas federais do Estado

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Risco. Segundo a PRF, colisões frontais são responsáveis por 40% dos acidentes nas estradas federais
PUBLICADO EM 03/08/16 - 03h00
Um a cada três acidentes registrados nas estradas federais que cortam Minas aconteceu na BR–381 no primeiro semestre deste ano, conforme a Polícia Rodoviária Federal. Conhecida como a “Rodovia da Morte”, a estrada foi palco de 2.230 ocorrências, 32% do total (6.855), e da maioria dos óbitos notificados de janeiro a junho. Especialistas entendem que a solução para o problema seria a duplicação da estrada, cujas obras estão a passos lentos.

Em sua edição de ontem, O TEMPO mostrou que seis de 11 lotes de obras para a ampliação da rodovia entre Belo Horizonte e Governador Valadares, na região do Rio Doce, deverão ser devolvidos ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Todos são de responsabilidade da Isolux Corsán. Com isso, eles poderão ter que ser novamente licitados.

“A duplicação da rodovia diminuiria não apenas o número, como também a gravidade dos acidentes. A maioria das mortes é resultado de colisões frontais, que seriam reduzidas em grande parte com a duplicação, assim como as ultrapassagens arriscadas”, afirmou o inspetor Antônio Dias, da Delegacia Metropolitana da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A corporação informou que as colisões frontais provocaram quase 40% das mortes resultantes de acidentes nas rodovias federais neste ano, enquanto as ultrapassagens indevidas causaram 9% dos óbitos. Já entre os acidentes registrados na BR–381, o tipo mais comum neste ano foi o de saída de pista, com 1.604 ocorrências. São mais de 200 curvas fechadas nos 118 km entre a capital e João Monlevade.

Avaliação. “É uma estrada projetada há mais de 50 anos, inadequada para receber o fluxo e o tipo de veículos que tem hoje. Os carros conseguem alcançar uma velocidade muito maior”, analisou o consultor e especialista em trânsito João Luiz da Silva Dias. Segundo ele, a duplicação poderia tornar a via mais segura. “O risco de acidente na BR–381 Norte, que não foi duplicada, é muito maior do que na Fernão Dias (em direção a São Paulo), que já foi”, afirmou.

De acordo com o coordenador do movimento Nova 381 e presidente da Regional Vale do Aço da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Luciano Araújo, em alguns trechos da rodovia, próximo a Belo Horizonte, passam até 50 mil veículos por dia, quando o projeto previa 500. “É uma das estradas que mais matam no país. Infelizmente, todos conhecem alguém que já perdeu uma pessoa lá ou ainda vai perder”, lamenta.

É o caso do servidor público José Bonifácio Costa, 49, morador de Nova Era, na região Central do Estado, que perdeu um tio em um acidente na estrada. “Hoje, o trânsito na rodovia é insuportável, já fiquei parado por até seis horas e só utilizo porque não tem outra mesmo”, disse.
Outro lado
Dnit. O departamento não esclareceu quando haverá novas licitações para os lotes de duplicação da BR–381, mas informou que implantou 70 radares na rodovia entre BH e Valadares “nos últimos anos”.
Números
386 mortes ocorreram em BRs de MG de janeiro a junho de 2016
88 óbitos foram em acidentes na BR–381 no mesmo período
1.883 pessoas ficaram feridas em acidentes na BR–381
1.313 acidentes ocorreram na BR–040, segunda colocada
Três ações na Justiça tentam viabilizar duplicação da estrada
Tramitam na Justiça Federal três ações civis públicas impetradas pelo Ministério Público Federal (MPF) para cobrar a conclusão das obras de duplicação na BR–381. Uma delas se refere ao lote 7, entre Rio Una e Caeté, em que a procuradoria tem atuado para impor ao poder público a destinação dos recursos para realização das obras.

Em outra, referente aos lotes 4, 5 e 6, que vão de Ribeirão Prainha a Rio Una, foi deferida liminar que determinou que, caso não haja empresa interessada, seja realizada uma nova licitação em, no máximo, seis meses após a rescisão contratual. Na terceira, que diz respeito ao lote 3.1, o MPF determinou a rescisão do contrato e o chamamento de empresa classificada na licitação para a realização das obras, o que, segundo o Dnit, já ocorreu.

Quanto à duplicação de todo o trecho, de Belo Horizonte a Governador Valadares, a Procuradoria afirmou que está analisando as medidas a serem tomadas. (RM)
A duplicação
Obras concluídas. O lote 3.2, do túnel Rio Piracicaba, em Jaguaraçu, foi concluído, assim como o lote 3.3, nos túneis Antônio Dias e Prainha.

Em obras. O lote 1, entre Governador Valadares e Belo Oriente, está em obras, assim como o lote 2, entre Belo Oriente e Jaguaraçu. O lote 7, entre Rio Una e Caeté, teve 30,3% das intervenções concluídas.

Pendentes. O lote 3.1, entre Jaguaraçu e Ribeirão Prainha, teve o contrato rescindido. A segunda colocada vai executar as obras e deve ser contratada em dois meses. Sobre o lote 4, </MC><MC>entre Ribeirão Prainha e o acesso sul de Nova Era, está em análise a possibilidade de rescisão contratual.No lote 5, entre o acesso sul de Nova Era e João Monlevade, está em tramitação a rescisão contratual, assim como no lote 6, entre João Monlevade e Rio Una.>

Sem projeto. Ocorreram duas tentativas de contratação das obras dos lotes 8A, entre Caeté e a MG–020, e do lote 8B, entre Caeté e a entrada da av. Cristiano Machado, em BH, mas ambas fracassaram. O Dnit estuda nova forma de contratação.

Respostas. A Isolux Corsán informou que nenhum lote foi devolvido. Segundo a empresa, os lotes 1 a 2 têm programação até dezembro, o 5 e o 6 estão parados por falta de solução técnica por parte do Dnit, e o 3 e o 4 estão parados por falta de pagamento. O Dnit informou que todos os serviços executados pela Isolux foram pagos.

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