quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Quem é Dilma Rousseff, presidente que sofreu impeachment no Brasil

BIOGRAFIA

Conheça a biografia da mulher que foi afastada pelo Senado da Presidência da República

PUBLICADO EM 31/08/16 - 13h45
O Senado decidiu nesta quarta-feira (31) pelo afastamento definitivo de Dilma Rousseff da Presidência da República. Foram 61 votos a favor do impeachment da presidente eleita pelo Partido dos Trabalhadores (PT) contra 20 votos a favor de sua absolvição.
Desde a redemocratização do Brasil, Dilma foi a quarta presidente eleita e a segunda a sofre o impeachment. Antes dela, Fernando Collor, o primeiro presidente eleito após o fim da Ditadura, também foi afastado do mandato. Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva foram eleitos e reeleitos.
Biografia
A vida política de Dilma começou cedo. Em 1964, aos 16 anos, a estudante do Colégio Estadual Central Dilma Vana Rousseff se torna simpatizante na Organização Revolucionária Marxista - Política Operária, mais conhecida como Polop. Em 1967 Dilma se casa. aos 19 anos, com Cláudio Galeno Linhares, que militava na mesma organização. Meses depois ela deixa a organização e entra no Comando de Libertação Nacional (Colina), movimento que defendia ações armadas contra o regime militar.
Em 1970, perseguida pelo comando militar do país, Dilma Rousseff foi detida. Passou três anos no presídio Tiradentes e, quando foi solta, reorganizou sua vida em Porto Alegre. Em 1979, Dilma participou da campanha pela Anistia e ajudou a fundar o Partido Democrático Trabalhista (PDT), junto com Leonel Brizolla.
Economista, Seu primeiro cargo público foi o de secretária de Fazenda de Porto Alegre, durante a prefeitura de Alceu Collares, a partir de 1986. Cinco anos depois, assumiu a presidência da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul.
Com Collares eleito governador do Rio Grande do Sul, Dilma tornou-se, em 1993, secretária de Energia, minas e Comunicação no Estado. Ela voltaria a ocupar o mesmo cargo com Olívio Dutra no governo, em 1998.
Quando Lula foi eleito em 2002, convidou Dilma Rousseff para fazer parte da equipe de transição com o governo de Fernando Henrique. Com a posse do petista, Dilma assumiu a pasta de Minas e Energia daquele governo.
Em 2010, apadrinhada por Lula, Dilma é lançada como candidata à presidência nacional, uma vez que os principais nomes do PT, como José Genoíno e José Dirceu, tiveram os nomes envolvidos no escândalo do Mensalão.
Governabilidade
Eleita em segundo turno, com 55.752.529 votos (56,05%), contra o tucano José Serra, Dilma chega ao Palácio do Planalto apoiada pelo coligação formada ao longo dos dois mandatos de Lula.
Tendo PT, PMDB, PSD, PP, PR, PRB, PDT, Pros e PCdoB, com 304 deputados, mais da metade do Congresso, a primeira presidente do Brasil chega ao poder com boa base no parlamento.
Jeito de governar
Torturada durante a ditadura militar, Dilma terá guardado do período de clandestinidade uma aversão profunda ao vazamento de informações – o que restringe o compartilhamento de pontos de vista em discussões internas. Com o fim das reuniões, alguns ministros passaram a se encontrar sem sua presença, para afinar discursos e estratégias. "Isso é conspiração!", reagiu a presidente.
O melhor exemplo da atitude centralizadora de Dilma está no controle que ela exerce sobre o plano de voo do avião presidencial. Para evitar turbulências, o piloto é forçado a ziguezagues e desvios de rota. "Estamos indo para a África?" perguntou certa vez o ex-presidente José Sarney, que pegava uma carona, ao ver na tela do avião a curva imposta ao trajeto do piloto.
Um episódio de infância, narrado pelo jornalista Ricardo Batista Amaral em "A vida quer é coragem" (ed. Primeira Pessoa, 2011), revela a altivez da futura presidente.
Numa festinha, a amiga aniversariante exibia a boneca importada, do tamanho de uma criança real, que tinha acabado de ganhar. As convidadas, diz o biógrafo, "faziam fila para admirar a novidade, mas Dilminha, de braços cruzados, não quis chegar nem perto".
A aniversariante dirigiu-lhe uma pergunta imprudente. "Não quer carregar minha boneca?" Dilma respondeu que não. "O meu pai vai me dar uma boneca maior que a sua".
Muitos anos depois, em pleno governo Lula, a "rapidez no gatilho" da ex-militante do grupo VAR-Palmares se voltaria contra Marina Silva, sua colega de ministério. Debatia-se a construção de usinas no rio Madeira. "Ou fazemos as usinas ou vamos ter de queimar carvão em termelétrica. É isso o que você quer?", perguntou Dilma, então ministra das Minas e Energia.
Discussões desse tipo haverão de ter sido café pequeno para quem, com pouco mais de vinte anos, divergia do capitão Carlos Lamarca (1937-1971) sobre os rumos da luta contra a ditadura.
No congresso da VAR-Palmares em Teresópolis, em 1969, Dilma defendia a ala dos "políticos" dentro do movimento, contra os "militares" de Lamarca. Considerava mais importantes as tarefas de organização popular do que partir para a guerrilha.
A discordância levaria Lamarca, segundo Ricardo Amaral, a um nervosismo extremo, incluindo choro "e pelo menos um tiro de ameaça".
Desfeitas e solidão
Ainda que não tenha sido nenhuma intervenção particular de Dilma o motivo do descontrole de Lamarca, acumulam-se os casos em que a dureza da atual presidente tem sido capaz de abalar os mais experientes militantes.
A presidente levou às lágrimas José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras de 2005 a 2012, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.
Acessos de raiva também vitimam as escalas inferiores da hierarquia. Uma caixinha de remédios, por exemplo, foi arremessada no chão em instante tempestuoso de Dilma; em outro, roupas tiveram o mesmo destino.
A petista não é dada a pedir desculpas pelas desfeitas, mas reparações acontecem: uma camareira foi incluída no programa Minha Casa, Minha Vida por intervenção da presidente.
Detalhismo e caturrice, segundo muitos, paralisam o seu governo. Cabe perguntar, de todo modo, se nas reclamações sobre "falta de disposição para o diálogo" não há inconformismo quanto à determinação de Dilma em baixar as taxas de juros e em restringir as margens de lucro das empresas nas concessões de infraestrutura.
Diálogo por diálogo, o próprio Lula se ressente de não ter sido consultado - ainda que por questão de cortesia - quanto à candidatura dela à reeleição.
Vitória apertada
Reeleita em 2014 com uma estreita margem contra Aécio Neves (PSDB) - ela recebeu 54 501 118 votos (51,64% dos votos válidos), contra 51 041 155 votos (48,36%) a favor de Aécio - Dilma começa seu segundo mandato com diversos questionamentos jurídicos sobre sua vitória eleitoral. O PSDB questiona o funcionamento das urnas eletrônicas e as contas da campanha eleitoral.
Em fevereiro de 2015 Eduardo Cunha derrota o governo federal e ganha a eleição da presidência da Câmara, batendo, em primeiro turno, o candidato do PT, Arlindo Chinaglia.
Isolamento e impeachment
As investigações da Lava-Jato, os problemas econômicos do páis e as manifestações contra o governo fizeram a aprovação de Dilma cair rapidamente. Diferentes pesquisas mostram que as avaliações do governo como ruim/péssimo chegam a mais de 60% nos primeiros meses de 2015. Em dezembro do ano anterior o índice era de aproximadamente 25% nos mesmos levantamentos.
Em agosto José Dirceu é preso, um novo golpe contra o governo. Em setembro a popularidade de Dilma chega ao patamar mais baixo registrado, com 70% de avaliações como ruim/péssimo.
A postura de Dilma de se negar a negociar com os parlamentares e não interferir nos andamentos das investigações da Lava Jato, principalmente por manter o procurador-geral Rodrigo Janot em seu cargo.
No dia 2 de dezembro, após a bancada do PT na Câmara anunciar que vai votar pela continuidade do processo de cassação de Cunha. O presidente da Câmara acolhe o pedido de impeachment formulado em conjunto por Miguel Reale Júnior, Hélio Bicudo e Janaína Paschoal, com o apoio do PSDB e de movimentos que pedem a saída da presidente.
Cinco dias depois, o vice-presidente Michel Temer divulga uma carta em que reclama de ser apenas um "vice decorativo" e que o PMDB não é consultado. Temer também acusa o governo de tentar rachar seu partido e queixa-se do fato da presidente não confiar nem nele, nem na sigla.
Cunha leva adiante a votação do impeachment no congresso ao mesmo tempo em que o PMDB rompe com o governo. O desligamento do partido da coligação da presidente Dilma faz com que outras siglas se coloquem contra o governo. Em 17 de abril o processo de impeachment é votado no Congresso Nacional e aprovado por 367 votos favoráveis, 137 contrários, 7 abstenções e duas faltas. No dia 12 de maio Dilma é afastada do cargo, por decisão do Senado Federal. Foram 55 votos a favor do afastamento e 22 contrários.

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