quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Denúncia contra GRE ganha força

Cidades

Denúncia contra GRE ganha força
Parentes de vítimas serão incluídas no Serviço de Proteção à Testemunha
Marina Schettini
As denúncias contra homens do Grupo de Resposta Especial (GRE) da Polícia Civil ganham cada vez mais corpo. Hoje, três parentes de um homem que supostamente teria sido executado por policiais do grupo, no ano passado, irão prestar depoimentos na Ouvidoria de Polícia do Estado.

Segundo o deputado Durval Ângelo, que preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, os denunciantes serão incluídos, ainda hoje, no Serviço de Proteção à Testemunha, por indicação da comissão.

Um outro caso de execução, no mesmo dia, com a suposta participação de policiais da unidade, também está sob investigação. Os corpos estão desaparecidos.

A Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida está no caso e já teria, inclusive, ouvido um capitão do Corpo de Bombeiros que teria tentado fazer buscas no centro de treinamento do GRE, em Esmeraldas, na região metropolitana, local apelidado pelos policiais como "casa de matar", onde teriam acontecido as execuções. O militar, no entanto, segundo a denúncia, foi impedido por um subinspetor do grupo de elite da Polícia Civil de entrar na área.

A mulher de uma das vítimas confirmou que foi até o centro de treinamento do GRE junto com os bombeiros para acompanhar as buscas, mas os policiais civis impediram a operação.

A suspeita de que o assassinato dessas duas pessoas teria sido cometido por integrantes do GRE surgiu a partir do depoimento de moradores da região, que disseram ter visto as vítimas serem rendidas por homens do GRE.

Parentes dessas vítimas teriam, inclusive, gravado um vídeo com esses depoimentos para reforçar as provas contra os integrantes do GRE. O material foi enviado à titular da Divisão de Desaparecidos, delegada Cristina Coeli, e também à Corregedoria de Polícia Civil, que investiga as denúncias contra os policiais.

Além disso, o depoimento de um ex-detento da Penitenciária de Sete Lagoas confirma que os homens da polícia de elite estiveram com as vítimas na noite do desaparecimento. O ex-detento reforça, na denúncia, que houve a execução.

Informações de fontes que não quiseram se identificar dão conta de que o tenente do Corpo de Bombeiros que teria sido impedido de fazer as buscas já prestou depoimento e negou as acusações. "Ficou claro que ele mentiu e as investigações vão continuar", afirmou a fonte. A delegada Cristina Coeli não foi encontrada ontem para comentar o caso.

Saiba mais

- O GRE
foi criado em 2004 para ser a tropa de elite da polícia mineira

- Em cinco anos de atividade, cinco delegados já estiveram no comando

- A Comissão de Direitos Humanos defende a extinção da corporação

Número

8 dos 30 policiais
já foram afastados em decorrência das denúncias



Policial teria coagido familiares
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, Durval Ângelo, que encaminhou as três pessoas ao serviço de proteção à testemunha, também entrou em contato com os bombeiros. “Passei o caso para o corregedor Israel (Pereira) e pedi que ele fizesse um levantamento do que aconteceu e esclarecesse as contradições. Porque esse tenente conversou com as famílias, disse que havia sido impedido de entrar e ainda deu seus telefones para eles caso precisassem de ajuda. Queremos que isso se resolva o mais rápido possível”, contou o deputado.

O mesmo subinspetor teria ainda procurado familiares de uma das vítimas executadas, logo depois da denúncia na corregedoria. “Ele não parava de ligar no meu celular. Fui com minha advogada encontrar com ele, que foi em uma viatura da GRE e disse que queria ajudar, que não era preciso colocar a corregedoria no caso. Ele nos seguiu até em casa e, depois disso, vivia tendo carro da polícia onde em morava”, contou a mulher da vítima. (MS)



“Se verídico, o fato seria inaceitável”
O secretário de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, pouco falou sobre as denúncias apuradas pelo comando e pela corregedoria da Polícia Civil a respeito do Grupo de Respostas Especiais.

Ontem, durante entrevista no Palácio da Liberdade após reunião com o governador, ele disse apenas que o caso está sendo apurado. “Isso está a cargo da corregedoria das Polícia Civil e do conselho superior da Polícia Civil. Se verídico, o fato seria inaceitável”, afirmou. (Raphael Ramos)
Publicado em: 12/11/2009
Fonte: http://www.otempo.com.br/

Nenhum comentário: